Marquesa Sade, como uma espreguiçadeira musical de verão

Estação quente chega com as reedições dos seus três primeiros álbuns.

Sadé Adu foi nos anos 80 uma smooth operator que bronzeou a pop com o calor dos trópicos. A celebrar a vinda do verão, reeditam-se em vinil os seus três primeiros álbuns, os imortalizáveis "Diamond Life" (quase a comemorar 40 anos), "Promise" (de 1985) e "Stronger Than Pride", do ciclo do seu maior sucesso global. 

Na despedida de verão, a 20 de setembro, reeditam-se também no formato LP os três discos que correspondem à sua fase mais reclusa e pausada: "Love Deluxe" (1992), "Lovers Rock" (2000) e "Soldier of Love" (de 2010), já ao ritmo de um álbum por década, tão relaxado quanto a sua música. 

Sadé Adu é a cantora que perfumou a pop com exotismo e muita soul e jazz. Chamaram a esta música de pop sofisticada e é hoje uma influência para a música, basta pensarmos em cantoras como Jessie Ware ou Jill Scott.

Parece uma contradição mas Sade Adu tem uma atitude discreta enquanto que ao mesmo tempo atrai o nosso olhar com a sua imagem fascinante e o seu charme. Nos anos 80, Sade Adu habituou-nos à sua figura esguia e elegante, de olhos rasgados, cabelo puxado, luvas, argolas nas orelhas e lábios grossos e pintados. Há estilo em cada pormenor. 

A elegância da figura não é só visual, é mais do que tudo sonora, através de uma música que modernizou a soul e deu uma nova urgência ao jazz. Numa era dominada pelos sintetizadores, Sade preferiu o som orgânico, traçando o futuro para a pop que hoje se faz ouvir.  

Sadé Adu nasceu na Nigéria mas cresceu desde pequena em Inglaterra, na zona rural do sudeste inglês. É filha de mãe inglesa e pai nigeriano, que cedo se separaram. A cantora foi cuidada pela sua mãe enfermeira, mas foi o seu pai um pouco mais ausente com quem colheu os ensinamentos de jazz e soul, através da sua colecção de discos.

Aos 18 anos Sade foi viver para Londres, onde tirou o curso de estilista e chegou a ser modelo. A música veio logo a seguir. Depois de uma curta experiência nos coros, Sade resolveu tornar-se ela mesmo a cantora principal em 1981, onde o seu nome de cantora confunde-se com o da sua banda, onde militam desde sempre e até hoje Stuart Matthewman no saxofone, Paul Denman no baixo e Andrew Hale nos teclados. 

Foi com esta formação e com os numerosos músicos extra que gravou o álbum de estreia “Diamond Life”. O disco é lançado em 1984, e consegue o melhor dos dois mundos: a grande aclamação da crítica e vendas elevadíssimas que chegaram aos seis milhões de cópias em todo o mundo.  

Tudo é bonito no universo de Sade, quer nas canções, quer nos videoclipes. No vídeo de 'The Sweetest Taboo', Sade contempla a chuva por trás de uma porta envidraçada onde escorrem fios de água. No teledisco a preto e branco de 'Never As Good As The First Time', a cantora inglesa segue veloz pelos campos da Andaluzia a galopar a cavalo.  Este segundo álbum de Sade, "Promise",  foi novo sucesso à escala global, alcançando a liderança dos tops de vendas dos Estados Unidos e do Reino Unido.


Esses videoclipes promovem o segundo álbum do seu grupo, “Promise”. O disco foi lançado em Novembro de 1985, quatro meses após a sua actuação no mega-evento humanitário Live Aid, no Estádio do Wembley.


 “Stronger Than Pride” é o terceiro álbum de Sade, que é o mesmo que dizer que é o terceiro álbum a acumular discos de platina em todo o mundo, por vendas elevadíssimas, qualquer coisa como mais quatro de milhões cópias. Este álbum lançado em 1988 mantém os mesmos ingredientes dos seus antecessores, de subtileza, contenção e bom gosto. Sade dava o ambiente para o romance com aquela forma de cantar suave e sedutora, sem quaisquer exibicionismos.

Canta sempre sobre amor mas em centenas de ângulos diferentes, numa perpectiva mais devota e positiva como 'Paradise', ou no plano mais melancólico como 'Love Is Stronger Than Pride'.