Ouro português no ciclismo de pista apanhou boleia de "25 voltas completamente full gas" e sem olhar para trás

Iúri Leitão confessa que acreditava mais na medalha do que Rui Oliveira, o companheiro de equipa. E foi a ver os saltos de Pedro Pichardo que pensou: "Isto não vai escapar."

Fazer as últimas 25 voltas no limite foi a receita para os ciclistas portugueses Iúri Leitão e Rui Oliveira conseguirem sagrar-se, este sábado, campeões olímpicos de madison em Paris2024.

"Tal como tínhamos treinado, as últimas 25 voltas foram completamente full gas. Foram cinco, seis minutos completamente no nosso limite. Não tínhamos intenção alguma de olhar para trás. Nem sequer se tivéssemos alguém na nossa roda. Nós tínhamos intenção de cavalgar para a frente", disse Iúri Leitão.

O ciclista assumiu que acreditava poder tornar-se o terceiro português com medalhas de ouro e prata em Jogos Olímpicos, antes de se juntar a Carlos Lopes e Pedro Pichardo.

"Vou-vos dizer com muita sinceridade, ontem [na sexta-feira] estava a ver a prova de triplo salto, estava a torcer que o Pedro conseguisse o ouro - acho que ele merecia, foi um pouco azarado, porque o melhor salto dele foi o salto que ele ficou a 23 centímetros da marca de chamada – e, no fim, eu ouvi que ele tinha sido apenas o segundo atleta da história de Portugal a conseguir ouro e prata na carreira. Eu pensei, na forma que eu estou, com o colega que eu tenho, com a tática perfeita, acho que isto não vai escapar", disse.

Após se tornar, juntamente com Rui Oliveira, campeão olímpico de madison, Iúri Leitão, que tinha conquistado a prata em omnium dois dias antes, "estava confiante" que podiam fazer "um bom resultado", mesmo adiantando que "as sensações não eram as melhores".

"Mas acho que isso foi determinante para gerirmos as nossas forças e apostarmos as nossas forças na hora certa. E, no final, nós tínhamos isto treinado, nós sabíamos que os últimos cinco, seis minutos de competição eram fundamentais, porque a fadiga ia instalar-se e nós íamos ter essa última bala, esse último cartucho para gastar", disse.

Contudo, essa confiança não surgiu logo após a conquista da prata em omnium, mesmo dizendo que entrou para essa prova "mais reticente do que no madison".

"Com o passar do dia do omnium, eu fui percebendo que estava a grande nível nestes Jogos Olímpicos. Por mais que seja difícil de acreditar, ontem [na sexta-feira] à noite eu não conseguia dormir. E foi a oportunidade que eu tive de rever todas as provas do omnium. E eu percebi que realmente houve uma fase que eu fui superlativo. Eu e o francês estivemos acima de toda a gente. E eu estava confiante que se eu conseguisse estar num dia ok, pelo menos, que íamos conseguir fazer um grande resultado", referiu.

Dizendo que "estava acima de tudo confiante, mas não convencido", antes de uma prova "que muda muito", o vianense disse que olhou para o primeiro lugar na quinta-feira e pensou que poderia ser seu.

"Mas é difícil dizer, não é? É difícil dizer até as coisas acontecerem", referiu.

Iúri Leitão adiantou que Rui Oliveira "estava mais reticente", porque também ainda não tinha competido e não tinha tido "as melhores sensações no treino" da véspera.

"Estava com dificuldades em respirar. Enfim, eu acho que isso também acaba por ser um pouco psicológico, porque nós queremos estar no nosso melhor. E damos atenção a todos os detalhes que nos possam deitar abaixo. Ele estava reticente, ele estava com um pouco de receio de não fazer uma boa corrida. Mas eu disse-lhe: 'Está tranquilo, nós já provámos tudo o que temos para provar, estamos em grande nível, tens-te preparado de uma forma impecável. Eu estou em bom nível também e amanhã [hoje] vai ser o nosso dia e vamos com calma'", explicou.

Na estreia lusa em provas masculinas de pista, Iúri Leitão e Rui Oliveira juntam-se a Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, Nélson Évora e Pedro Pichardo, todos campeões olímpicos no atletismo.

Depois da medalha de prata de Iúri Leitão no omnium, a dupla lusa somou 55 pontos, nas 200 voltas à pista do Velódromo Saint-Quentin-en-Yvelines, mais oito do que a Itália, com Simone Consonni e Elia Viviani, segunda classificada, enquanto a Dinamarca, com Niklas Larsen e Michael Moerkoev, terminou no terceiro posto, com 41.