A resplandecente Olivia Dean no MEO Kalorama
A cantora britânica brilhou no segundo dia do festival que decorre até amanhã no Parque da Bela Vista, em Lisboa.
Olivia Dean subiu ao palco do MEO Kalorama quando o sol começou a descer no Parque da Bela Vista, passando, nesse momento, a ser a própria a aquecer o recinto que, entretanto, já sentia o fresco do vento àquela hora. A cantora abriu, com distinção, a pista de dança antes da festa garantida dos Jungle e dos LCD Soundsystem.
Autodidata e uma perfecionista assumida (embora em desconstrução), a calorosa Olivia, que é tida como um dos nomes palpitantes e promissores da música britânica, entrou no palco do MEO Kalorama de óculos de sol e um vestido cor de rosa até aos pés - vestido esse que, ao contrário do que temia, não a atrapalhou nos movimentos.
Honesta, conversadora, leve, sorridente e luminosa, Dean esteve acompanhada por uma banda de sete elementos, músicos - que ia saudando entre sorrisos -, brindes e recorrentes interações com o público.
Com 15 canções debaixo do braço e um entusiasmo revigorante por estar a estrear-se em Portugal, a artista londrina contagiou de boas emoções o recinto da Bela Vista, espaço que, de resto, foi ficando cada vez mais composto para recebê-la. Tão composto que, quando olhámos para trás já no final do concerto, reparámos na enchente que Dean movimentou para junto do palco.
Ao vê-la em cima do palco, percebemos as razões da multidão que se juntou ali à volta e que se acomodou nas colinas da Bela Vista, embora já soubéssemos que a londrina soma distinções que aguçam a curiosidade. Damos alguns exemplos. "Messy" - o álbum que editou em 2023 - esteve na lista de nomeados do prestigiante Mercury Prize - distinção que todos os anos reconhece os melhores discos britânicos com base apenas no mérito musical. Também em 2023 Olivia Dean foi escolhida pela BBC para ser apresentada como Artista Revelação do Ano e, dois anos antes, já tinha sido distinguida na mesma categoria pela Amazon Music.
São as distinções, as canções, a voz, mas também é o amor que Olivia Dean encontra na música. É um amor comovente e reconfortante. A londrina, que ora dedilha a guitarra ora salta para as teclas, está no palco com a alma a descoberto. Jovial e profunda. Gosta de falar sobre as canções, conta a história de cada uma e fica enternecida quando sente que o público está a acompanhá-la.
"Uau. Isto é uma loucura. Estou muito entusiasmada por estar aqui. Não sabia se ia ter aqui alguém", confidenciou-nos. "No meu concerto só há uma regra. É divertirmo-nos", avisou a cantora e compositora que se não tivesse seguido o caminho dos palcos teria sido florista como, aliás, conta na canção 'I Could Be a Florist'.
Com o público na palma da mão e, lá está, algumas flores numa colina projetada atrás de si, Olivia Dean ora rodopia, embalada pelo som dos sopros, ora acalma e recentra as emoções com a guitarra nos braços. O público do MEO Kalorama escutou 'Ok Love You Bye', 'Echo', 'Danger', 'Be My Own Boyfriend', 'Messy' ou 'Time', temas que compuseram o alinhamento que promete crescer quando Olivia Dean voltar a Portugal para um concerto em nome próprio.
"A música consegue ser muito poderosa", disse-nos, antes de começar a cantar 'Reason To Stay'. "É a primeira canção que dei ao mundo e agora estou aqui a cantá-la", contou quase no final do concerto, oferecendo depois mais três: 'The Hardest Part', que emprestou aos "corações partidos" espalhados pelo recinto, 'Carmen', que escreveu para a bravura da avó, e 'Dive' que guardou para o final com um conselho que entregou a todos: "permitam ser amados e amem".

















