Recuperados mais de 40 corpos do local do acidente aéreo em Washington DC

Autoridades estão a operar com a convicção de que não há sobreviventes da colisão aérea sobre o rio Potomac.

As autoridades norte-americanas confirmaram ao início da tarde desta sexta-feira a recuperação de um total de mais de 40 corpos depois da colisão de um avião civil e de um helicóptero militar em pleno voo sobre o rio Potomac, em Washington DC.

A informação foi avançada por um elemento não identificado das forças de segurança à Associated Press, que acrescenta que a fonte não estava autorizada a revelar detalhes da investigação e exigiu anonimato.

Esta sexta-feira, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a tecer comentários sobre o acidente, desta vez online.

"[O helicóptero] Estava bastante acima do limite dos 200 pés (61 metros) de altitude. Não é assim tão complicado de entender, ou é???", escreveu na sua rede social, a Truth Social.

Esta quinta-feira Trump já tinha colocado em causa as capacidades do piloto do helicóptero, criticando também as iniciativas que visam promover a diversidade nas contratações.

O acidente ocorreu quando um helicóptero militar, com três pessoas a bordo, e um avião comercial Bombardier CRJ700 da American Eagle (subsidiária regional da American Airlines), com 60 passageiros e quatro tripulantes, colidiram na quarta-feira por volta das 20h48 de quarta-feira (01h48 de quinta-feira em Lisboa), quando este último se aproximava do Aeroporto Ronald Reagan, em Washington.

As autoridades estão a afastar a possibilidade de haver sobreviventes do acidente aéreo, o mais mortífero nos Estados Unidos desde 2001.

Até à noite de quinta-feira, já tinham sido encontrados mais de 40 corpos, de acordo com os meios de comunicação norte-americanos.

Entre os passageiros estavam vários patinadores artísticos e treinadores americanos, bem como os russos Evgenia Shishkova e Vadim Naumov, campeões mundiais de patinagem em dupla de 1994.

As duas caixas negras do avião, o gravador de voz da cabine e o gravador de dados de voo, foram recuperadas pelos investigadores, revelaram na quinta-feira fontes anónimas à CBS News e à ABC News.

As caixas negras estavam submersas, mas deverão poder ser analisadas, explicou na quinta-feira o Conselho Americano de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), uma agência independente encarregada de investigar acidentes de transporte civil.

Um relatório da Agência Federal de Aviação dos EUA, divulgado pela agência Associated Press apontou na quinta-feira que o pessoal na torre de controlo de tráfego aéreo “não era o normal” no momento da colisão, com um controlador a trabalhar em duas posições.

Os investigadores do acidente aéreo referiram na quinta-feira que esperam ter conclusões preliminares dentro de 30 dias sobre as causas do acidente.

A diretora do NTSB, Jennifer Homendy, sublinhou a necessidade de não especular sobre as causas do acidente.

Esta posição contrasta com a postura do Presidente norte-americano Donald Trump, que numa conferência de imprensa na Casa Branca disse não saber os motivos, mas deu a entender que o piloto do helicóptero era o culpado.

Apontou ainda o dedo, sem provas, aos governos democratas de Barack Obama (2009-2017) e Joe Biden (2021-2025) por terem contratado controladores de tráfego aéreo que, na sua opinião, eram pouco qualificados, seguindo políticas de diversidade e inclusão.

O acidente ocorreu num dos espaços aéreos mais controlados e monitorizados do mundo, a pouco mais de cinco quilómetros a sul da Presidência e do parlamento dos Estados Unidos.