"Situação política tem de ser clarificada." Montenegro admite moção de confiança
Luís Montenegro assegura não ter praticado "nenhum crime" nem ter "nenhuma falha ética" e anunciou que a empresa familiar Spinumviva passará a ser "totalmente detida e gerida pelos filhos".
Luís Montenegro falou ao país após a reunião extraordinária do Conselho de Ministros. O primeiro-ministro começou por lembrar o chumbo no Parlamento da moção de censura apresentada pelo Chega, no passado dia 21 de fevereiro. Afirmou ainda que considera ter dado as necessárias explicações, mas que para alguns não “são suficientes” e fala num “ciclo vicioso que alguns querem” de suspeita.
O primeiro-ministro pediu uma clarificação da situação política e lança um desafio aos restantes partidos: “Insto daqui, os partidos políticos representados na Assembleia da República a declarar sem tibiezas se consideram, depois de tudo o que já foi dito e conhecido, que o Governo dispõe de condições para continuar a executar o programa do Governo, como resultou há uma semana da votação da moção de censura" e diz que sem essa resposta, sem essa clarificação política exigirá "a confirmação dessas condições no Parlamento” o que, por iniciativa do Governo, "só pode acontecer com a apresentação de uma moção de confiança”, concluiu.
O primeiro-ministro anunciou ainda que a empresa familiar Spinumviva passará a ser “totalmente detida e gerida pelos filhos”, deixando a mulher de ser sócia gerente, e irá mudar de sede. Luís Montenegro assegurou que a “empresa familiar será doravante gerida pelos filhos, mudará a sede e seguirá caminho apenas na esfera deles.”
O primeiro-ministro garantiu ainda que “sempre que houver conflito de interesses", não participará "nos processos decisórios”.
Montenegro considerou que a exposição a que foi sujeito com a sua família “chegou a um limite” que diz nunca ter imaginado. “Estou aqui desde a primeira hora em exclusividade total de dedicação à função de coordenação da ação do Governo e de representação de Portugal. Repito, em exclusividade total”, assegurou.
O Conselho de Ministros terminou perto das 20h00, mas começou perto das 19h20, uma hora mais tarde do que estava previsto.
O primeiro-ministro anunciou esta sexta-feira um Conselho de Ministros extraordinário para este sábado, seguido de uma comunicação ao país sobre decisões pessoais e políticas acerca da empresa detida atualmente pela sua mulher e os seus filhos.
"Amanhã [hoje] às 20h00 horas comunicarei ao país as minhas decisões pessoais e políticas sobre esta matéria para que o Governo possa governar, concentrar toda a sua atenção, toda a sua disponibilidade, a servir o interesse do país e dos portugueses", referiu.
A Spinumviva, empresa detida pela mulher e pelos filhos do primeiro-ministro, divulgou na sexta-feira os nomes dos seus clientes, os ramos de atividade e os nomes dos seus trabalhadores.
"As empresas que mantêm um vínculo permanente com a consultora Spinumviva, Lda, na área da implementação e desenvolvimento de planos de ação no âmbito da aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados são: Lopes Barata, Consultoria e Gestão, Lda; CLIP - Colégio Luso Internacional do Porto, SA; FERPINTA, SA; Solverde, SA; Radio Popular, SA.", lê-se num comunicado enviado à agência Lusa.
No dia em que o semanário Expresso noticiou a ligação da Solverde, que gere os casinos de Espinho, à empresa que foi detida pelo primeiro-ministro, a Spinumviva justificou a divulgação das suas relações comerciais e ramos de atividade com a "defesa do seu bom nome e, sobretudo, de todos os seus clientes".
Através de "colaboradores qualificados", a empresa indica os 25 ramos de atividade em que prestou serviços e divulga os nomes dos seus dois colaboradores, a advogada Inês Patrícia e o jurista André Costa, ambos licenciados em Direito e a trabalhar com a Spinumviva desde 2022.

