Filme "Anora" é o grande vencedor dos Óscares

Anora arrecadou cinco estatuetas douradas, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Atriz Principal.

Nesta 97.ª cerimónia dos Óscares, no Dolby Theatre (em Los Angeles), não houve dúvidas quanto ao grande vencedor da gala, que foi o filme “Anora”, com cinco prémios: Melhor Filme, Melhor Realização (Sean Baker), Melhor Atriz Principal (Mickey Madison), Melhor Argumento Original e Melhor Montagem.

Sean Baker (na foto em cima) leva para casa quatro Óscares, nas qualidades de produtor (Melhor Filme), realizador, montador e argumentista.

Mas o Óscar mais inesperado foi parar às mãos da jovem Mickey Madison, que como Melhor Atriz Principal impõe-se à nomeada favorita Demi Moore, do filme “A Substância”.

Tal como esperado, Adrien Brody vence o Óscar de Melhor Ator Principal, pelo seu desempenho no filme “O Brutalista”. No seu longo discurso, o ator manda silenciar a orquestra e aflora a parte política, num discurso contra a guerra e contra o ódio. Este seria um dos três Óscares atribuídos à longa-metragem “O Brutalista”, que venceu também nas categorias de Melhor Partitura Original (o inglês Daniel Blumberg) e de Melhor Fotografia.

Mas é de Zoe Saldana o discurso mais emotivo da noite, em lágrimas ao vencer a estatueta dourada de Melhor Atriz Secundária pelo seu papel no musical “Emilia Perez”. Zoe Saldana salienta o facto de ser filha de imigrantes não esquecendo que é a primeira pessoa de origem dominicana a ser oscarizada. Este foi um dos raros discursos assertivos com mais carga política a par da premiação de “No Other Land”, como Melhor Documentário. “No Other Land”, disponível na plataforma da Filmin, retrata a expulsão dos palestinos das suas terras pelas tropas israelitas. O ativista palestiniano Basel Adra e o ativista israelita Yuval Abraham, co-autores de “No Other Land”, criticam a agressão israelita na Palestina e a política externa norte-americana. 

Em período de Carnaval, os brasileiros têm mais um motivo de festa, com a atribuição do Óscar de Melhor Filme Internacional a “Ainda Estou Aqui”, que relembra a fase mais repressiva da ditadura militar brasileira. O realizador Walter Salles recebeu o Óscar e dedicou-o, entre outros, à ativista Eunice Paiva, a personagem real que está no centro da narrativa.

Nos domínios da animação, venceram filmes de paragens longe dos Estados Unidos, O letão “Flow: À Deriva” (em exibição em Portugal) provoca a primeira surpresa da noite ao vencer o Óscar de Melhor Filme de Animação. Na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, triunfa o iraniano ‘In the Shadow of the Cypress’.


 
“Wicked” venceu o primeiro Óscar na categoria de Melhor Guarda-Roupa, O estilista Paul Tazewell recebeu a estatueta e lembrou que foi o primeiro afroamericano a vencer este prémio. A apresentação dos nomeados mereceu todo o detalhe visual, com os desenhos em cinco ecrãs, e a apresentação minuciosa dos estilistas candidatos. 

Kieran Culkin venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário pelo seu papel no filme “A Verdadeira Dor”. Foi o primeiro Óscar de uma cerimónia que durou quase quatro horas. 

O apresentador Conan O’ Brien esteve muito ortodoxo e comedido, com raras piadas a pisar o risco, como a referência à inteligência artificial e uma leve brincadeira com a Amazon e o seu patrão Jeff Bezos. Foi um monólogo frouxo e comedido, que teve pouco de humorístico. A única exceção à sua prestação apolítica foi quando, por breves segundos, disse qualquer coisa como: “é bom ver uma americana a desafiar um poderoso russo”, sobre o filme “Anora”. A ovação foi imediata e sonora. [o filme “Anora” é sobre o namoro peculiar entre uma prostituta americana e um filho caprichoso de um oligarca russo]

Foram feitas várias homenagens ao longo da noite. O produtor e compositor Quincy Jones merece um grande tributo, tanto nos discursos de Whoopi Goldberg e Oprah Winfrey, como na interpretação muito coreografada de Queen Latifah, a cantar ‘Ease on Down the Road’ (de 1975). Morgan Freeman enaltece o ator Gene Hackman, no In Memoriam da gala, onde são lembrados outros desaparecidos dos últimos 12 meses, como Gena Rowlands, Donald Sutherland ou o realizador David Lynch. A história dos filmes de James Bond foi enaltecida com Lisa, Doja Cat e Raye a cantarem algumas das canções mais marcantes destas sagas do agente secreto 007, como Live and Let Die, Diamonds are Forever e Skyfall. 

Ariana Grande abriu a 97.ª cerimónia dos Óscares a cantar o clássico ‘Over the Rainbow’ (do filme de 1939, “O Feiticeiro de Oz”), com um cenário de lua cheia. Cynthia Erivo juntou-se-lhe em palco para cantar um tema cinematográfico dos anos 70, ‘Home’. O medley do filme “Wicked” com as duas em palco termina com o dueto de ‘Defying Gravity’.