Anónimos de Abril editam livro com histórias reais de resistência à ditadura
Depois do álbum (editado a 13 de março) chegam as histórias de 12 rostos anónimos que há 50 anos enfrentaram a ditadura. Entrevista a Rogério Charraz e a José Fialho Gouveia.
O projeto Anónimos de Abril, que se estreou em janeiro do ano passado no palco do Teatro Tivoli, em Lisboa, junta em 2025 o cantautor Rogério Charraz, o jornalista José Fialho Gouveia e a cantora Joana Alegre.
O propósito é o de "homenagear a coragem e resiliência de figuras anónimas que, apesar de fundamentais na luta pela Liberdade, não passaram dos rodapés da História", conta a descrição do projeto. A homenagem é feita nos palcos, num álbum (que foi lançado a 13 de março) e num livro que é editado esta quinta-feira pela Zigurate.
Depois do lançamento do disco, composto por oito canções, o livro aprofunda as histórias de 12 rostos que resistiram à ditadura e lutaram, com coragem e sacrifício, pela Liberdade.
A obra, com textos de José Fialho Gouveia e ilustrações de Marta Nunes, conta as vivências de Herculana e Luiz Carvalho, que, quando visitaram o filho no Tarrafal, fotografaram todos os presos para levar as fotografias às respetivas famílias. Conta-se a narrativa da vida de Aurora Rodrigues, que foi brutalmente torturada pela PIDE, e a história do Padre Alberto Neto, figura central na célebre vigília da Capela do Rato que foi também uma forma de protesto a guerra colonial.
Ainda há o relato da vida de Branca Carvalho, que viveu na clandestinidade, e são lembradas Albina Fernandes, que foi presa com os filhos no Forte de Caxias, e Celeste Caeiro, a mulher que deu os cravos à Revolução.
Presta-se também homenagem a Francisco Sousa Mendes, neto do cônsul Aristides de Sousa Mendes, que integrou a coluna militar, liderada por Salgueiro Maia, que saiu da Escola Prática de Cavalaria de Santarém rumo à Revolução. Um dos capítulos é dedicado a Fernando Carvalho, José James Hartley Barneto, João Guilherme de Rego Arruda e Fernando Luís Barreiros dos Reis, os "mortos de Abril" que foram mortos em frente à sede da PIDE no dia 25 de abril de 1974.
Além de seis capítulos assinados por José Fialho Gouveia, a obra conta com um texto do jornalista Miguel Carvalho - sobrinho de Branca Carvalho - e outro de Aurora Rodrigues, que conta, na primeira pessoa, o que sofreu às mãos da PIDE.
Em breve, os Anónimos de Abril vão regressar aos palcos. A 24, 25 e 26 de abril, o projeto atua em Alcanena, Marco de Canaveses e Esposende, respetivamente. Alexandre Alves (bateria), Luís Pinto (baixo), Carlos Garcia (piano), Marco Reis (guitarras) e Sérgio Charrinho (trompete) são os músicos que acompanham o projeto ao vivo.
Oiça a entrevista a Rogério Charraz e a José Fialho Gouveia:
