"Foi assustador." Portuguesa de férias na Tailândia relata momento do sismo
Beatriz de Lencastre está no último de cinco dias de férias e relata os momentos vividos durante e após o sismo
Portuguesa há cinco dias de férias na Tailândia, foi apanhada de surpresa com o sismo desta sexta-feira de manhã. O abalo de 7,7 na escala de Richter deu-se no centro do país vizinho de Myanmar e foi sentido em várias regiões do sudeste asiático. Beatriz de Lencastre, na companhia do namorado, viveu momentos de pânico durante uma massagem na capital tailandesa.
O que é que sentiu nos primeiros momentos quando se apercebeu, e se é que se apercebeu, de facto, que era um sismo o que estava a acontecer?
Estávamos a fazer uma massagem porque como estamos de férias. Estávamos a aproveitar e sentimos, infelizmente, demasiado bem, porque foi muito impactante. De repente, começamos a sentir a terra abanar, olhamos um para o outro, eu e o meu namorado, as massagistas olham para nós, ficaram também em choque. Começaram a levantar-se e a correr, foi um estado de alarme. A terra tremeu durante bastante tempo, pelo menos um minuto. Reparámos que toda a gente a sair dos edifícios, as ruas cheias de pessoas. Foi um momento assustador.
Está aí há quantos dias?
Estou há cerca de quatro dias, este era o nosso último dia. Está a ser um último dia um pouco característico.
Está na capital?
Sim, no centro de Banguecoque. Já soube que houve aqui alguns episódios de prédios que acabaram por cair também. Graças a Deus, no nosso caso estamos bem e não nos aconteceu nada, mas já tive a informação de que com outros cidadãos o caso não terá sido tão fácil.
E nesta altura o que é que vê ao seu redor?
Estou debaixo de um telhado de um centro comercial, em que centenas de pessoas estão sentadas no chão, porque não há de facto mais nenhum sítio para onde ir. Os transportes estão todos encerrados, inclusive o aeroporto, o trânsito está completamente caótico, nem ambulâncias conseguem passar, portanto não temos forma de sair daqui. Todos os estabelecimentos à nossa volta estão fechados, portanto, no fundo temos só de aguardar. É o que nos dizem as autoridades, apenas dizem para esperarmos.
Têm sentido apoio das autoridades?
É muito difícil a comunicação aqui. Acredito que a relação entre as autoridades e os turistas não esteja assim tão bem feita, porque não temos sentido de todo esse acompanhamento. Quando tentamos pedir algum tipo de informação sobre a situação, não nos conseguem esclarecer, não nos conseguem encaminhar. Está a ser um bocadinho difícil para nós, mas estamos a tentar manter-nos a par de tudo o que está a acontecer através das notícias internacionais e do contacto que temos com Portugal. Com o aeroporto encerrado até pode ser difícil sair do país.
Já contactaram as autoridades portuguesas?
Ainda não. Estamos a rezar para que tudo corra bem, porque na verdade até ficámos aqui algum tempo sem internet, porque os serviços foram todos abaixo. Estamos a tentar ver se a situação se resolve naturalmente e podermos sair daqui.
E é uma cidade agora diferente daquela que encontrou quando chegou aí?
Sim, bastante. Apesar de a cidade já ser bastante agitada, neste momento a agitação é invulgar. Os carros não andam, é uma multidão à nossa volta. É um cenário crítico de ver e um tanto ou quanto infeliz, porque nem sequer sabemos quais é que foram as graves consequências que podem ter acontecido com outros cidadãos ou com outros turistas aqui. Não conseguimos ter grande acesso a essa informação.
E da parte das pessoas, qual é o sentimento que vê nelas? Há sempre a possibilidade de haver réplicas nos próximos tempos.
Já falámos com alguns locais. Sei que houve uma réplica, mas pelo menos nós e as pessoas que nos rodeiam não sentiram. Há um pouco de frustração por não poderem sair do mesmo sítio. Turistas, locais, todos juntos neste barco de não podemos sair daqui. Só podemos aguardar, e, no fundo, a paciência vai ter de ser uma virtude neste momento.
