Tate Mc... Raeinha da MEO Arena por uma noite
A canadiana regressou ontem à noite a Portugal para "ocupar" a ampla sala lisboeta depois de em 2024 ter esgotado o Coliseu dos Recreios.
Tate McRae começou a fatia europeia da digressão "Miss Possessive" em Portugal. O circuito passa depois por Espanha, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Escócia, Inglaterra, França, Países Baixos, Suécia, Polónia, Áustria, Chéquia, Itália e Suíça.
A cantora e compositora canadiana, que esgotou o Coliseu de Lisboa em 2024, regressou à capital com o álbum "So Close To What", registo editado em fevereiro e o terceiro longa-duração que deu aos fãs que tem conquistado, a grande velocidade, pelo mundo fora.
Um exemplo: "So Close To What" foi veloz a trepar o top dos discos mais vendidos em Portugal, conseguindo a coroação da liderança assim que foi lançado.
Não foi por isso surpreendente olhar para a gigante sala lisboeta e constatar que, mesmo que a passagem de McRae por Lisboa tenha sido recente, sobraram poucos lugares vazios. Vimos uma multidão de milhares em êxtase absoluto ao longo de todo o concerto que se dividiu por quatro atos e uma réplica grandiosa a servir de encore.
O álbum de estreia da jovem cantora - "I Used to Think I Could Fly" - saiu em 2022 e "Think Later" - o segundo - em 2023. São sinais da atitude prolífica de McRae que se assume como uma workaholic muito devido à disciplina da dança que lhe moldou o crescimento. Os três álbuns foram encaixados no alinhamento do concerto, mas "So Close To What" mereceu o natural destaque. Ao disco mais recente a cantora foi buscar 13 canções para a noite lisboeta.
Tate, que começou a carreira de cantora e compositora "num cantinho" que criou no YouTube, tem usado o espaço que agora ocupa na música para, de certa forma, conectar as novas gerações à dimensão pop que, no final dos anos 90 e início da década 2000, fez florir nomes como Britney Spears, Christina Aguilera ou Pussycat Dolls. A vibe mais nostálgica funde-se com o som da contemporaneidade trendy que roda nas playlists das gerações mais novas. E a fórmula está a resultar.
Imagens cedidas pela equipa de Tate McRae (créditos de Elizabeth Saravo)
A cantora e dançarina, de 21 anos, empenhou-se para proporcionar um espetáculo que, a avaliar pelas reações efusivas do público, correspondeu às expectativas. A arena ferveu com a energia que andou à solta no palco e estremeceu com a cantoria e com os gritos eufóricos dos milhares que ali estavam.
"Vim cá há cerca de um ano. As coisas ficaram um pouco maiores desde essa altura", começou por dizer McRae que muitas vezes parou para contemplar o público e talvez refletir sobre a escadaria do estrelato.
As coreografias, corporizadas com precisão por Tate e por um grupo de bailarinos de topo, aliadas a uma componente visual criada para provocar impacto e ampliar sensações engrandeceram a experiência. Dois palcos - o principal com uma língua a estender-se pela plateia e um circular na outra ponta da sala - foram montados para assegurar que o efeito "Tate McRae" fosse tão amplo quanto a arena e pudesse chegar a todos.
"Quero assegurar que toda a gente que está na sala está a viver este momento, a respirar e grata por estar viva", disse, às tantas, a artista canadiana, sublinhando o quão importante é estar presente num mundo que vive demasiado acelerado.
Ao longo do espetáculo, Tate McRae mostra os dotes de dançarina, sensualiza os movimentos quando o ritmo do momento o pede mas também sabe criar um espaço mais confessional para "estar a sós" com os fãs e com as suas canções, despindo até algumas à essência da composição.
'Miss Possessive', a primeira faixa do novo álbum e o título que dá nome à digressão, abriu o concerto. Tate MacRae foi depois "desembrulhando" o novo disco sem, porém, esquecer canções como 'Uh Oh', 'Guilty Conscience', 'You Broke Me First', 'Run For The Hills', 'Exes', 'She's All I Wanna Be' ou 'Greedy'.
A dada altura, sentou-se nas teclas e ofereceu um medley inesperado com 'That Way', 'Chaotic' e 'One Day', sendo esta última a primeira canção que compôs e que viralizou massivamente ao ponto de chamar a atenção das editoras. "Vou fazer algo que nunca fiz antes", disse Tate ao público antes da surpresa, admitindo que podia estar um pouco "enferrujada". Mas não estava. A plateia aclamou o momento mais intimista e acompanhou McRae nos coros.
O final foi com uma explosão de alegria e papelinhos coloridos. No ar, além dos confetti, ficou a esvoaçar a vontade de um reencontro para breve.