"Dê troco a quem precisa" volta às farmácias para garantir acesso a medicamentos
Programa desafia os clientes de farmácias a doar o troco de uma compra a favor de pessoas ou famílias em situação económica vulnerável.
Se nas próximas duas semanas lhe sugerirem na farmácia a doação do troco de uma compra, não estranhe: começa esta segunda-feira a 13.ª edição da campanha "Dê troco a quem precisa", cujo objetivo é garantir o acesso de pessoas em situação vulnerável a medicamentos que, mesmo comparticipados, não conseguem comprar.
A iniciativa da Associação Dignitude engloba o fundo do Programa abem e ajuda pessoas ou famílias referenciadas a ter "acesso a toda a medicação que lhe seja prescrita, desde que ela seja comparticipada", explica a presidente da associação, Maria João Toscano.
Se o medicamento em causa "for comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde", o programa comparticipa "o remanescente, que seria aquilo que era pago por cada um de nós quando vai comprar um medicamento comparticipado à farmácia. Há uma parte que o Estado financia e uma parte que é suportada por nós: essa parte suportada por nós é aquilo que o Programa abem suporta".
Trabalhar não chega
Maria João Toscano ressalva que, "contrariamente àquilo que muita gente pensa", este programa não apoia "maiores de 65 anos", mas sim principalmente "pessoas em idade ativa, ou seja, entre os 18 e os 64 anos": 64% dos apoiados têm este perfil e "mesmo trabalhando não conseguem, com dignidade, fazer face a uma necessidade primária que é o acesso ao medicamento".
Para serem elegíveis, as famílias ou pessoas ajudadas têm de ter "rendimentos per capita iguais ou inferiores a 60% do Indexante dos Apoios Sociais (IAS)", ou seja, a 313,50 euros, o correspondente a 60% do atual IAS de 522,50 euros em 2025.
Quanto ao valor médio dos donativos, a responsável reconhece que "vai variando", mas a média "está entre 50 e 70 cêntimos" e, embora alguns dos participantes cheguem a doar "5 euros ou 10 euros", sublinha que "estamos a falar, de facto, do troco".
Já os medicamentos mais levantados pelas pessoas ou famílias ajudadas encontram eco nas compras típicas dos doentes portugueses e dividem-se em "três grandes grupos: o relativo às doenças metabólicas, diabetes e por aí fora, a componente dos cardiovasculares, hipertensões e colesterol elevado, e o sistema nervoso central".
Crescer é desafio
Apesar de já contar com 13 edições e de chegar a todo o continente e ilhas, o programa ainda não cobre todos os concelhos do país, estando neste momento em 172 dos 308, o que se traduz numa taxa de 55,8%. Chegar a mais territórios é um desafio identificado por Maria João Toscano, que vê o programa "saudável", mas a precisar de "crescer".
"Isso só pode ser feito se houver parceiros de terreno para se juntarem, nós não entramos num território onde não tenhamos alguém que possa, por nós, identificar, avaliar e referenciar as famílias porque nós não conhecemos a realidade de cada território", o que compõe "o principal desafio" do programa.
Para a presidente da Dignitude, este programa tem ainda uma componente de ajuda à totalidade da população porque ao permitir que as pessoas em situação mais vulnerável possam "controlar a sua doença", evitam "idas às urgências e internamentos hospitalares", reduzindo a dívida "ao nível do Serviço Nacional de Saúde".
"Estamos a tentar de alguma forma que as pessoas não avancem naquilo que é o descontrolo da sua doença, que depois é muito mais onerosa, não só em termos pessoais como para o Estado no geral, e o financiamento somos nós que fazemos todos", nota.
Doações alternativas
Além dos donativos nas farmácias, o programa também aceita doações online através do site https://abem.dignitude.org/ e por MB Way ou transferência bancária, com possibilidade de emissão de recibo em qualquer um dos cenários. Nas farmácias, "é importante que as pessoas, se quiserem receber o recibo, deixem na farmácia o e-mail e número de contribuinte", de forma a receberem posteriormente o documento.
Os beneficiários com cartão abem podem dirigir-se a mais de 1200 farmácias em todo o país para serem apoiados na compra de medicação comparticipada.
A edição deste ano da campanha "Dê troco a quem precisa" começa esta segunda-feira, 26 de maio, e estende-se por duas semanas até ao dia 06 de junho.
