Alive: The Wombats terminam show em explosão de alegria

Girl in Red fez ativismo pelos LGBT e Mother Mother abanaram o hangar do Palco Heineken.

Esta sexta-feira no NOS Alive está marcada pelo tempo mais cinzento e fresco e por menos gente no recinto do Passeio Marítimo de Algés.

Num dia ainda à espera de um acontecimento musical maior - com expectativas altas para os concertos de Finneas e de St. Vincent no Palco Heineken - os Wombats tiveram uma prova de força no Palco NOS ao início da noite, em que superaram os problemas técnicos típicos de uma chamada de última hora, ao substituírem Sam Fender.

As circunstâncias de alteração de agenda em cima do momento marcaram o discurso dos Wombats. “É a primeira vez que substituímos à última hora alguém”, atira Matthew Murphy, o vocalista e guitarrista, que de vez em quando tem que prestar atenção aos sintetizadores que também toca. Antes, o líder dos Wombats, logo no início do concerto, avisou a gracejar que: “nós não somos o Sam Fender, mas ouvi dizer que ele gosta muito desta canção”, antes de lançarem ‘Moving to New York’. 

A banda, ciente dos obstáculos, não esteve a fazer fretes e deu o melhor de si, com um indie rock suave e ao mesmo pujante, com três ótimos músicos nos seus instrumentos, com um baixo muito territorial (de Tord Knudsen), uma guitarra muito fina e melodiosa (de Matthew Murphy) e um baterista muito interventivo (Dan Haggis), incluindo nas apresentações das músicas.

Houve várias músicas com limões, como Pink Lemonade -sobre uma bebedeira em Barcelona e a desconfiança sobre a então namorada com outro homem, tal como contextualizado por Matthew Murphy - ou Lemon to a Knife Fight. E até surgiu um momento mais hilariante, com o tour manager mascarado de cão de peluche (ou seria outro bicho?), a meter-se com os músicos, a fingir que tocava trombone e a atirar-se para o chão da língua de palco por duas vezes.

Num concerto relativamente morno, surge repentinamente uma explosão de alegria no tema final, ‘Let's Dance to Joy Division’, com gente aos saltos e aos abraços como se estivessem a comemorar um golo. Nem faltou outra vez o tour manager mascarado de cão, com mais outros três com a mesma indumentária.

A anterior ocupante do Palco NOS foi a norueguesa Girl in Red, de casaco blazer, e acompanhada por cinco músicos. Marie Ulven Ringheim (o seu verdadeiro nome) sublinhou a temática pessoal e lésbica das suas canções e chegou a comentar as parecenças entre Lisbon e Lesbian. O tema ‘We Fell in Love in October’, já na segunda metade do concerto, é um dos momentos mais sensíveis, que apresentou como “a minha primeira canção sobre uma relação com uma mulher”, numa paixão que rompeu em outubro tal como canta na letra.

Girl in Red foi uma Miss Simpatia. Farta-se de contar pequenos apontamentos sobre as canções, não deixando nenhuma por comentar. Corre pelo corredor central do palco vezes sem conta, dançando em tornados sobre si mesma. E ainda exercita coreografias de braços no ar com o público.

O concerto teve vários momentos especiais. Bad Idea! teve um efeito tão enérgico sobre as pessoas, que parecia que a multidão tinha acabado de emborcar dez shots de cafeína. O novo tema ‘Hemingway’ foi tocado a medo, a cantora nórdica não queria a interpretação corresse mal outra vez como no concerto anterior em Barcelona e necessitou de beber água. Em Phantom Pain, surgiram problemas técnicos que levarem Girl in Red a repetir alguns dos versos, para que a canção retomasse. You Stupid Bitch é uma música mais endiabrada, puro indie-rock com Girl in Red a correr pela língua de palco fora.

No Palco Heineken, o rock enérgico dos canadianos Mother Mother atraiu muita gente ao barracão, com o guitarrista Ryan Guldemond no epicentro mas com uma dupla vocal de teclistas - Molly Guldemond e Jasmin Parkin - que forneciam valiosas harmonias nos coros femininos.