Massive Attack formam aliança para proteger artistas que queiram mostrar solidariedade com a Palestina

Garbage, Brian Eno, Fontaines D.C. e Kneecap juntam-se ao grupo britânico.

Os Massive Attack criaram uma aliança para proteger músicos que estejam a ser intimidados dentro da indústria musical por mostrarem solidariedade com a Faixa de Gaza e com a Palestina

O apoio será, sobretudo, para os músicos que estão em início de carreira e que, por isso, podem estar mais vulneráveis a ações que classificam como "intimidação".

Esta quinta-feira, o grupo de Bristol partilhou um comunicado nas contas oficiais a dar conta do movimento que quer ajudar e proteger artistas daquilo a que chama de "censura organizada" contra os que se pronunciam sobre a situação catastrófica que se vive em Gaza. 

A iniciativa foi revelada através de um comunicado conjunto também subscrito por outros artistas como Brian Eno, Garbage, Fontaines D.C. e Kneecap.   

"O que se passa em Gaza é indescritível", começa por dizer o comunicado. "Escrevemos como artistas que decidiram usar as suas plataformas públicas para falar sobre o genocídio que está acontecer e sobre o papel do governo britânico que tem sido o de facilitador", continua a nota.    

"Por causa da nossa expressão de consciência, temos estado sujeitos a vários tipos de intimidação dentro da nossa indústria (seja ao vivo seja na parte da gravação). E legalmente por meio de organizações como o UK Lawyers For Israel [advogados do Reino Unido por Israel], cuja atividade foi finalmente exposta num novo documentário projetado ontem à noite pelo coletivo Led By Donkeys", lê-se no texto.    

"Resistimos a essas campanhas de tentativa de censura e não ficaremos parados, a ver outros artistas - especialmente os que estão a começar agora ou noutras posições vulneráveis - a ser ameaçados de serem silenciados ou cancelados", acrescenta a nota.  

"Encorajamos, por isso, os artistas que estão nessa situação, ou os que querem usar as plataformas públicas para falar sobre a Palestina (mas não o fazem com medo das repercussões legais ou de trabalho) que nos contactem".

No comunicado, os artistas subscritores pedem o cessar-fogo permanente, o acesso imediato e livre de agências humanitárias à Faixa de Gaza sem ameaça militar, o fim dos ataques israelitas a médicos e a trabalhadores de organizações humanitárias e o fim da venda de armas a Israel por parte do governo britânico.  



Em junho, a polícia inglesa decidiu avançar com uma investigação às atuações dos Bob Vylan e dos Kneecap no festival Glastonbury - concertos que foram marcadas por fortes críticas à ofensiva militar de Israel pela mensagem pró-Palestina.

Durante a atuação dos Bob Vylan, Bobby Vylan gritou por uma "Palestina livre" e gritou "morte às IDF" - as Forças de Defesa de Israel. As palavras do músico inglês contra o exército israelita foram ditas no mesmo dia em que o jornal também israelita "Haaretz" avançou com a notícia de que os soldados das IDF foram ordenados a disparar contra civis palestinianos nos pontos de ajuda humanitária. 

"Não somos punks pacifistas. Somos punks violentos. Às vezes, temos de passar a mensagem de uma forma violenta, porque, infelizmente, é a única linguagem que algumas pessoas entendem", disse o elemento da dupla no palco.

No rescaldo da controversa atuação, a organização do festival inglês também emitiu um comunicado, esclarecendo que o festival Glastonbury não era um lugar para o "antissemitismo ou incitamento à violência".  

Mais tarde, Bobbie Vylan - o outro elemento do duo - publicou um vídeo no Instagram a criticar os políticos que disse estarem a perder tempo a criticar a banda, acrescentando que estes "deviam ter vergonha por dar atenção a este tipo de situações e não a outras".

O músico também deixou uma mensagem ao povo israelita. "Aos civis de Israel, entendam que esta fúria não é dirigida a vocês. Não deixem que o vosso governo vos convença que ao falarmos do exército estamos a falar de vocês".

Os Kneecap também têm sido bastante vocais na defesa da Palestina e contra o atual primeiro-ministro britânico, Keir Starmaer, a quem acusam de cumplicidade com Israel.

Atualmente, o vocalista do trio, Mo Chara, está a ser julgado por "incitamento ao terrorismo" por, noutra ocasião, ter, alegadamente, mostrado uma bandeira do grupo Hezbollah.