Há doentes que esperam mais de 24 horas nas urgências para serem internados
O problema da falta de camas não é novo, mas agravou-se.
Há doentes que esperam 24 horas, ou mais, nas urgências, por uma cama com vaga para ficarem internados. A situação não é nova, mas tem vindo a agravar-se.
“Temos tido várias dezenas de doentes em várias urgências do país, mas particularmente na região de Lisboa e Vale do Tejo, que aguardam muitas horas. Acredito que é bem possível que aguardem 24 horas ou mais no serviço de urgência, muitas vezes em condições que são absolutamente inapropriadas, para que uma cama fique vaga”, adianta a esta rádio Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
Faltam camas para internar os doentes que chegam às urgências e Xavier Barreto lembra que os internamentos sociais continuam a ser uma situação preocupante.
“Essas camas estão ocupadas com doentes que não deveriam estar nos hospitais. São doentes que já não estão propriamente doentes, já deveriam ter tido alta. Deviam estar em unidades de retaguarda, em lares, em unidades da rede de cuidados continuados, mas essas unidades não existem, ou praticamente não existem, estão sobrelotadas. Esses doentes acabam por não sair dos hospitais e ocupar camas que seriam necessárias para os doentes da urgência”, afirma.
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares adianta que, além dos internamentos sociais, há outro problema que está a dificultar os internamentos dos doentes: a falta de enfermeiros.
“Nos últimos meses temos tido camas encerradas nos hospitais portugueses, particularmente em Lisboa e Vale do Tejo, por falta de enfermeiros, o que é absolutamente inaceitável. Não conseguimos contratar os enfermeiros de que necessitamos para os hospitais. A região de Lisboa e Vale do Tejo tem problemas de captação de atratividade para os profissionais de saúde. Um salário de um enfermeiro no Serviço Nacional de Saúde não chega para pagar a renda de um apartamento em Lisboa”, afirma Xavier Barreto.
