"Desorganização das urgências" de obstetrícia "já vem de há muito tempo"

Nuno Clode, presidente da SPOMMF, diz que é preciso criar "condições para que as pessoas tenham vontade de trabalhar no SNS".

A falta de profissionais nas urgências de obstetrícia do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem levado ao encerramente constante de alguns serviços, uma situação que pode agravar-se se não forem tomadas medidas para fixar médicos e enfermeiros no SNS.

O alerta é do presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno Fetal (SPOMMF), Nuno Clode, que fala numa "desorganização das urgências" que "já vem de há muito tempo".

"No final dos anos noventa já houve alertas neste sentido, de que a não contratação de médicos, o não favorecer o trabalho médico, não dignificar o trabalho médico iria levar a que as pessoas se desinteressassem e deixassem de querer trabalhar no Serviço Nacional de Saúde. Se o privado dá tudo aquilo que o SNS não dá, melhores ordenados, melhores condições de trabalho, mais dignidade em termos de trabalho, obviamente que as pessoas vão escolher essa via e não vão querer trabalhar para o Serviço Nacional de Saúde.", sublinha Nuno Clode.

Por isso, adianta, o Governo tem de criar "condições para que as pessoas tenham vontade de trabalhar no SNS, em que haja um número de pessoas suficientes para que as urgências não sejam o verdadeiro suplício e sobrecarga que são nos dias de hoje para os médicos e para os enfermeiros, de modo a que seja possível trabalhar de maneira adequada, como aconteceu já no passado."

Sobre as novas regras para os médicos tarefeiros, Nuno Clode diz que "que faz algum sentido", mas avisa que "levar isto à situação extrema" pode "levar a que deixe de haver mesmo médicos com vontade de trabalhar em Portugal à tarefa", limitando ainda mais a capacidade de resposta do SNS.

Certo é que os problemas do SNS não são fáceis de resolver e, por isso, "o bom senso tem que imperar" e envolver um consenso alargado dos vários partidos, como sugeriu o Presidente da República.