Maioria dos portugueses usa Inteligência Artificial no dia a dia mas poucos têm formação

Estudo nacional revela ainda os riscos para o mercado de trabalho e deixa recomendações ao Governo.

A Inteligência Artificial (IA) já faz parte do quotidiano da maioria dos profissionais e estudantes em Portugal, mas poucos têm formação para aproveitar a potencialidade da tecnologia.

Um estudo nacional, divulgado hoje pela consultora Magma Studio, com base em 2 762 respostas, refere que quase 95% dos inquiridos usa ferramentas de IA, sobretudo o ChatGPT; por outro lado, 65% das pessoas não fez nenhum tipo de formação.

"É uma tecnologia que está a ser usada em larga escala, mas provavelmente não com o nível de profundidade que ela representa", sublinha Miguel Gonçalves, diretor executivo da Magma. A investigação sugere que o país chegou "a um ponto em que é preciso alfabetizar literalmente a população (...) para que esta tecnologia possa ser representativa em Portugal."

O estudo revela ainda que muitos dos inquiridos não estão preocupados com o impacto da IA na substituição dos postos de trabalho, mas Miguel Gonçalves sublinha que é real o risco de "colapso do mercado de trabalho ou pelo menos de uma alteração muito grande no mercado de trabalho". E "isto não é uma coisa que apenas acontece com quem trabalha num computador, vai acontecer com a população inteira, porque se fizer contas, muito em breve um robô que custe quinze mil euros e que faça reposição de comida num supermercado, são muitos postos de trabalho" que se perdem.

Perante o futuro impacto da IA no mercado de trabalho, "o governo será convidado em breve a repensar os benefícios fiscais e financeiros para as empresas que decidirem optar pelo caminho da salvaguarda dos postos de trabalho versus dispensar pessoas por introdução de IA". Ao mesmo tempo, reforça o CEO da Magma, é importante "criar um plano nacional de qualificação ou de capacitação das pessoas", que envolva as instituições de ensino superior.

O estudo “IA - Impacto e Futuro 2025”, apresentado pela Magma Studio em parceria com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e com o apoio da Data Science Portuguese Association (DSPA), foi feito com base em 2.762 respostas recolhidas entre junho e outubro deste ano.