2025 na música: o ativismo e a solidariedade que pautaram o ano

Os atos de ativismo e de solidariedade social que marcaram 2025 na música.


Juntos Por Gaza 


O ano ficou marcado por várias ações de ativismo pela defesa dos direitos humanos da população da Faixa de Gaza.   

Desde o início da ofensiva militar israelita, desencadeada após os ataques do Hamas a 7 de outubro de 2023, morreram cerca de 70 mil pessoas, entre as quais mais de 20 mil crianças. Mais de 170 mil pessoas ficaram feridas, segundo os dados do Ministério da Saúde daquele território, devido aos bombardeamentos realizados por Israel. 

A ofensiva israelita destruiu praticamente todas as infraestruturas da Faixa de Gaza e obrigou a deslocação de centenas de milhares de pessoas. Israel também bloqueou a entrega de ajuda humanitária no enclave. Uma situação que provocou a morte a mais de 400 pessoas por desnutrição e fome – a maioria crianças. 


A 4 de dezembro, artistas portugueses juntaram-se no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém para um espetáculo solidário, cujas receitas reverteram para a agência da Organização das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês). 

Sérgio Godinho, Carlão, Salvador Sobral, Capicua, Clã, Selma Uamusse, Ana Lua Caiano, Bárbara Tinoco, Cara de Espelho, Cristina Branco, Filipe Raposo, Mais Hriesh e Mário Laginha foram os artistas cantaram contra a violência e pela paz na Palestina

O espetáculo "Juntos por Gaza" foi promovido pela Fundação José Saramago e pela Associação Pão a Pão, em parceria com o Centro Cultural de Belém e com a RTP.

Além do dinheiro angariado com a bilheteira do concerto, continuam a ser aceites donativos que podem ser doados via MBway (para o número: + 351 927 301 000) ou por transferência bancária para o IBAN PT50.0036.0063.99100091709.19.

"Together For Palestine" - Brian Eno juntou artistas, músicos, poetas, atores e mais quem se quis juntar num evento solidário pela Palestina

O desafio foi feito em julho. Foi nessa altura que o músico, compositor e produtor inglês apelou a que as vozes se unissem para defender a Palestina e travar o genocídio na Faixa de Gaza

"Não podemos continuar em silêncio. É por isso que estou a ajudar a organizar o 'Together for Palestine' - uma noite de música, reflexão e esperança", escreveu Eno na altura - ele que defende a causa palestiniana há vários anos. 

 "O que testemunhamos em Gaza não é um enigma nem um borrão de narrativas que competem entre si de modo que seja 'difícil de entender'. Quando uma série de organizações não partidárias, como a Amnistia Internacional ou os Médicos Sem Fronteiras, descrevem o que está a acontecer como um genocídio, a fronteira moral é evidente. Não podemos permanecer em silêncio", continuava a nota partilhada pelo artista inglês nas redes sociais.

"Acredito genuinamente que esta noite possa ser um momento de coragem e que os artistas possam expressar, com verdade, o que sentem com o coração -  é o que é suposto os artistas fazerem". 


A ideia ganhou volume e somou muitas vozes. O espetáculo, que durou cerca de quatro horas, realizou-se a 17 de setembro, na londrina Ovo Arena, em Wembley, Inglaterra. Houve música, leitura de poemas, discursos de artistas e ativistas e até reunião de bandas como foi o caso dos ingleses Portishead

Participaram nomes como Damon Albarn e Gorillaz, Bastille, James Blake, Paloma Faith, Jamie xx, Annie Lennox, PinkPantheress, Hot Chip, Sampha, King Krule, Obongjayar, Paul Weller, Nadine Shaw, Cat Burns, Rachel Chinouriri, Yasiin Bey, Dan Smith, Billie Eilish ou Finneas. Ao palco também subiram artistas palestinianos como Sama' Abdulhadi, Saint Levant e Elyanna


Atores como Richard Gere, Florence Pugh, Nicola Coughlan ou Benedict Cumberbatch subiram ao palco para usar a palavra, como fez Francesca Albanese que é a Relatora Especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios palestinianos. Ao longo do espetáculo, foram mostrados trabalhos de artistas plásticos palestinianos mortos pelas forças israelitas. Brian Eno leu o poema 'Oh rascal children of Gaza', do escritor palestiniano Khaled Juma. 


A iniciativa, que continua ativa, angariou fundos para a organização humanitária britânica Choose Love, que presta ajuda às populações em zonas de conflito. Conseguiu angariar cerca de dois milhões de libras (cerca de 2,2 milhões de euros).

Na sequência deste espetáculo solidário, a 12 de dezembro será editada a recriação da canção 'Lullaby' - single solidário, recuperado da música tradicional palestiniana, que junta artistas como o próprio Brian Eno, a britânica Celeste, Dan Smith (dos Bastille) ou Leigh-Anne.


Todas as receitas angariadas com a canção revertem também para o Fundo "Together For Palestine", da organização humanitária Choose Love. O objetivo é que a canção consiga chegar à liderança do top de canções natalícias no top do Reino Unido. 

A aliança dos Massive Attack para proteger artistas que queiram mostrar solidariedade com a Palestina

Os Massive Attack criaram em julho uma aliança para proteger músicos que sejam alvo de intimidação no seio da indústria musical por mostrarem solidariedade com a Faixa de Gaza e com a Palestina. O apoio é, sobretudo, para os músicos que estão em início de carreira e que, por isso, podem estar mais vulneráveis a ações que classificam como "intimidação".

A iniciativa foi revelada através de um comunicado conjunto também subscrito por outros artistas como Brian Eno, Garbage, Fontaines D.C. e Kneecap. "O que se passa em Gaza é indescritível", começava por dizer o comunicado. "Escrevemos como artistas que decidiram usar as suas plataformas públicas para falar sobre o genocídio que está acontecer e sobre o papel do governo britânico que tem sido o de facilitador", continuava a nota.  

"Por causa da nossa expressão de consciência, temos estado sujeitos a vários tipos de intimidação dentro da nossa indústria (seja ao vivo seja na parte da gravação). E legalmente por meio de organizações como o UK Lawyers For Israel [advogados do Reino Unido por Israel], cuja atividade foi finalmente exposta num novo documentário projetado pelo coletivo Led By Donkeys. Resistimos a essas campanhas de tentativa de censura e não ficaremos parados a ver outros artistas - especialmente os que estão a começar agora ou noutras posições vulneráveis - a ser ameaçados de serem silenciados ou cancelados", acrescentava a nota.  

"Encorajamos, por isso, os artistas que estão nessa situação, ou os que querem usar as plataformas públicas para falar sobre a Palestina (mas não o fazem com medo das repercussões legais ou de trabalho) que nos contactem".


No comunicado, os artistas subscritores pediam o cessar-fogo permanente, o acesso imediato e livre de agências humanitárias à Faixa de Gaza sem ameaça militar, o fim dos ataques israelitas a médicos e a trabalhadores de organizações humanitárias e o fim da venda de armas a Israel por parte do governo britânico.  

Em junho, a polícia inglesa decidiu avançar com uma investigação às atuações dos Bob Vylan e dos Kneecap no festival Glastonbury - concertos que foram marcadas por fortes críticas à ofensiva militar de Israel pela mensagem pró-Palestina. Durante a atuação dos Bob Vylan, Bobby Vylan (um dos músicos da dupla) gritou por uma "Palestina livre" e gritou "morte às IDF" - as Forças de Defesa de Israel. As palavras do músico inglês contra o exército israelita foram ditas no mesmo dia em que o jornal também israelita "Haaretz" avançou com a notícia de que os soldados das IDF foram ordenados a disparar contra civis palestinianos nos pontos de ajuda humanitária. 

"Não somos punks pacifistas. Somos punks violentos. Às vezes, temos de passar a mensagem de uma forma violenta, porque, infelizmente, é a única linguagem que algumas pessoas entendem", disse o elemento da dupla no palco. No rescaldo da controversa atuação, a organização do festival inglês também emitiu um comunicado, esclarecendo que o festival Glastonbury não era um lugar para o "antissemitismo ou incitamento à violência".  

Os Kneecap, que também estiveram na mira das autoridades britânicas, também têm sido bastante vocais na defesa da Palestina e contra o atual primeiro-ministro britânico, Keir Starmaer, a quem acusam de cumplicidade com Israel. O vocalista do trio, Mo Chara, foi julgado por "incitamento ao terrorismo" por, noutra ocasião, ter, alegadamente, mostrado uma bandeira do grupo Hezbollah, mas saiu em liberdade, sem acusações. 


Massive Attack, outra vez, agora em protesto contra o Spotify

Em setembro, os Massive Attack retiraram a música que assinam do Spotify, em protesto contra o investimento do diretor-geral da plataforma, Daniel Ek, em drones de munições militares e tecnologia de IA integrada em aviões de caça, através da empresa Helsing. O trio de Bristol denunciou também o desequilíbrio de ganhos no mercado musical em favor do Spotify, em que “o ónus económico que há muito recai sobre os artistas é agora agravado por um ónus moral e ético, pelo qual o dinheiro suado dos fãs e os esforços criativos dos músicos, em última análise, financiam tecnologias letais e distópicas”. Citado na altura pelo jornal "The Guardian", o porta-voz do Spotify respondeu que o Spotify e a Helsing são duas empresas separadas, acrescentando que a prioridade da Helsing é a defesa da Europa e da Ucrânia e não o envolvimento em Gaza, que descartou. 

Mais de 120 personalidades portuguesas contra o genocídio em Gaza

Em julho, mais de 120 personalidades portuguesas - muitas das quais ligadas à Cultura, assinaram uma petição que pedia a Portugal “um papel ativo na defesa dos Direitos Humanos e no fim do genocídio em Gaza”.

A petição foi assinada por figuras da música, do teatro, do cinema, das artes plásticas, da literatura, da política, entre outros quadrantes da sociedade. Os subscritores exigiam que Portugal tivesse um papel “mais ativo e relevante na promoção da paz e na defesa dos Direitos Humanos”.

Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Ana Bacalhau, Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), Ana Lua Caiano, David Santos (noiserv), Luís Nunes (Benjamin), Aldina Duarte, Ana Matos Fernandes (Capicua), Carlos Nobre (Carlão), Ana Moura, Salvador Sobral e Sérgio Godinho, e atores como Albano Jerónimo, Carolina Amaral, Gonçalo Waddington, Isabel Abreu, Ivo Canelas, Nádia Iracema, Sara Carinhas ou Maria de Medeiros estavam entre os subscritores.

Também assinaram a petição nomes como os de Edgar Pera, Bruno de Almeida, Rodrigo Areias, Teresa Villaverde, Pedro Serrazina, José Luís Peixoto, Victor Hugo Pontes, Catarina Martins, Joana Mortágua, Marisa Matias, João Costa e Marta Temido, entre outros. 

Concerto por Gaza com Paul Weller, Primal Scream, Inhaler e Maverick Sabre

Paul Weller, Primal Scream, Inhaler e Maverick Sabre atuaram em mais uma edição do Gig For Gaza - concerto solidário que angaria fundos para ajudar os afetados pela tragédia humana na Faixa de Gaza. "Cada tostão angariado pelo evento vai diretamente para organizações respeitáveis, como a Medical Aid for Palestinians (Ajuda Médica para os Palestinianos) e a Gaza Forever (Gaza Para Sempre), que fornecem ajuda médica essencial, comida, abrigos de emergência e apoio a longo prazo aos afetados", lia-se no site oficial do evento que teve lugar em Londres, Inglaterra, a 17 de outubro.

Cancelamentos no festival Victorious após corte de som de banda irlandesa que manifestou apoio à causa palestiniana  

Em agosto, várias bandas cancelaram as atuações no festival britânico Victorious devido a um incidente que envolveu a banda The Mary Wallopers. A organização do evento inglês cortou o som aos irlandeses após terem manifestado apoio à Palestina, com palavras e a presença de uma bandeira palestiniana em palco. Uma vez gerada a polémica, o grupo partilhou um vídeo para contrariar a primeira justificação do festival que argumentou que a banda teria entoado um “cântico discriminatório” durante o concerto. Mais tarde, a organização do Victorious acabou por publicar um comunicado a pedir desculpa ao grupo. O festival esclareceu que não permite bandeiras no palco por questões de segurança, mas que apoia a liberdade de expressão de todos os artistas. O festival inglês também anunciou uma doação para ajudar o povo palestiniano. O que é certo é que após o incidente, as bandas The Last Dinner Party, Cliffords, The Academic e os Esme Emerson cancelaram as atuações no festival. 

Salvador Sobral deu um concerto solidário com a Palestina

O músico atuou em fevereiro no B.Leza, em Lisboa, para apoiar a causa palestiniana. “O valor do bilhete é um donativo consciente a partir de quinze euros, ou seja, podes contribuir com mais se tiveres a possibilidade e vontade de o fazer”, lia-se no texto de apresentação do concerto.

Os lucros do espetáculo reverteram para o Coletivo pela Libertação da Palestina, para que este movimento possa “continuar a organizar eventos e ações que apoiam a luta por uma Palestina livre, assim como enviar dinheiro para redes de apoio mútuo palestiniano e trazer mais vozes e cultura palestiniana a Portugal”.

Ativismo na atuação de Kendrick Lamar no Super Bowl 

O episódio aconteceu durante a atuação de Kendrick Lamar no intervalo do Super Bowl (final do campeonato de futebol americano) que também aconteceu em fevereiro. Um dos artistas que fazia parte do espetáculo ergueu as bandeiras do Sudão e da Palestina para tentar chamar a atenção do mundo ao que se passa em ambos os territórios. A organização afastou-se da intenção do ativista que acabou por “ser banido para sempre de todos os estádios e eventos da NFL. 

Lorde grita "Palestina Livre" em Nova Iorque


Foi em outubro durante um concerto que a cantora deu no famoso Madison Square Garden, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Durante a canção 'Team', a neozelandesa gritou "Palestina Livre" debaixo de luzes com as cores da bandeira palestiniana. 

Lorde foi uma das artistas que se juntou à campanha "No Music for Genocide" – um movimento de músicos que decidiram retirar as suas músicas de plataformas de streaming em Israel como protesto contra o genocídio, declarado pela Amnistia Internacional, na Faixa de Gaza. Além de Lorde, entre os outros artistas que aderiram ao boicote estão nomes como Paramore, Kneecap, Fontaines D.C., Paloma Faith ou Bjork. Aqui encontra o nome de todos os artistas que subscrevem o protesto.

Olivia Rodrigo também com a Palestina 


Em julho, poucos dias depois de ter atuado no NOS Alive, a norte-americana fez uma publicação nas contas oficiais para manifestar solidariedade com a Palestina, sobretudo com a Faixa de Gaza. 

A cantora e compositora norte-americana descreveu a situação que se vive em Gaza como "horrível e inaceitável". "Não há palavras para descrever a tristeza que sinto quando vejo a devastação que está a ser infligida a pessoas inocentes na Palestina", lia-se na nota publicada na área das stories no Instagram. "Mães, pais e crianças em Gaza estão a morrer à fome, desidratados e sem cuidados de saúde e ajuda humanitária. Não há nenhuma criança, seja em Israel, na Palestina ou em qualquer parte do mundo que mereça passar por aquilo que aquelas crianças estão a passar. Desistir deles é desistir da nossa humanidade", dizia o comunicado da cantora.

Olivia Rodrigo colocou na publicação um link para doações à UNICEF para ajudar "as vítimas de uma situação horrível".

Bryan Adams mostrou solidariedade com Gaza no concerto que deu em Dublin

No concerto que em maio, em Dublin, na Irlanda, Bryan Adams dedicou uma canção à população da Faixa de Gaza. Antes de cantar 'Native Son', o músico falou da situação dramática que se vive no território, sublinhando o papel ativo que o povo irlandês tem tido na defesa dos direitos humanos. 
 


Madonna pediu ao Papa que visitasse a Faixa de Gaza 

Em agosto, a Rainha da Pop fez um apelo ao Papa Leão XIV através de uma publicação feita nas redes sociais. Madonna pediu ao sumo pontífice que fizesse uma visita de cariz humanitário à Faixa de Gaza antes que fosse tarde demais. 

"Santo Padre, por favor, vá a Gaza e leve luz àquelas crianças antes que seja tarde demais", começou por escrever. "Como mãe, não consigo suportar ver todo aquele sofrimento. As crianças do mundo pertencem a todos. É o único de nós a quem não pode ser negada a entrada", acrescentava a cantora.

Lumineers deram concerto intimista para ajudar a War Child, organização que ajuda crianças vítimas em zonas de guerra

Foi a 17 de janeiro que os Lumineers deram um concerto intimista em Londres, Inglaterra, para ajudar a War Child - organização que ajuda crianças vítimas em zonas de guerra

"Estamos muito gratos aos Lumineers e à respetiva equipa por oferecerem tempo e talento na angariação de fundos para nós com aquele que será certamente um concerto lindo e intimista na Hoxton Hall. Os fãs vão gostar do que está a ser preparado", referiu na altura Clare Sanders-Wright, membro da organização, citada pelo NME.
 
"Nenhuma criança devia fazer parte de uma guerra. Sobretudo depois de um ano particularmente desafiante, significa muito para nós sermos apoiados no nosso trabalho. Falo dos Lumineers e respetiva equipa bem como de toda a gente que ajudou", continuava o comunicado. "Cada tostão angariado ajuda-nos desesperadamente a prestar ajuda urgente, apoio psicológico e educação às crianças que estão em zonas de conflito em vários pontos do mundo".  

A ajuda dos Mumford & Sons também à War Child

Também os britânicos Mumford & Sons estão a ajudar a mesma organização na digressão que a 25 de novembro passou pelo Campo Pequeno, em Lisboa. Parte da receita dos concertos da tour revertem para os esforços de ajudar crianças em zonas de conflito.

Outro motivo para ativismo em 2025: a Inteligência Artificial 

No mês de julho, vários músicos portugueses juntaram-se a uma campanha internacional que apela a uma maior proteção dos direitos dos criadores “face ao rápido avanço da Inteligência Artificial”.

A iniciativa em Portugal foi promovida pela Audiogest, que se associou à campanha "Stay True To The Act", criada pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica.

Objetivo: "sensibilizar os decisores políticos europeus para a urgência de garantir que os sistemas de IA respeitam as regras de propriedade intelectual, promovendo um futuro onde a criatividade humana e a inovação tecnológica possam crescer lado a lado", referia o comunicado de imprensa. 

Na lista de artistas portugueses que se associaram à campanha, através de pequenos vídeos, estão Diogo Piçarra, Dino D’Santiago, dupla Calema, Fernando Ribeiro (dos Moonspell), Pedro Abrunhosa, João Cabrita, Miguel Ângelo (Delfins), Tomás Wallenstein (Capitão Fausto), João Gil, Diogo Zambujo, (Joana) Dela Marmy, Carlos Leitão, João Couto, Afonso Dubraz, Domingos Guerreiro (Puro Rock), Mastiksoul e Satiro.

A campanha "Stay True To The Act" quer "a proteção dos direitos de autor e a inovação, preconizando que, para que a criação artística continue a florescer, os criadores devem manter o controlo sobre a forma como as suas obras são utilizadas e ser devidamente remunerados por esse uso". Além disso, a campanha defende que a União Europeia "deve garantir um ecossistema onde a inovação tecnológica e o mercado criativo possam prosperar em equilíbrio".

Em novembro, a lenda da música britânica Paul McCartney anunciou que vai lançar uma faixa silenciosa em dezembro, por ocasião da reedição do álbum de protesto, também silencioso.

A faixa de McCartney, intitulada "(Bonus Track)", a primeira em cinco anos, é uma gravação de um "estúdio vazio", apresentando uma sucessão de ruídos e cliques de fita magnética, com a duração de dois minutos e 45 segundos.

O ex-Beatle, de 83 anos, já tinha assinado, juntamente com outros 400 artistas, incluindo Elton John, Coldplay e Dua Lipa, uma carta aberta que apelava ao Governo para proteger a indústria musical britânica.

Pela Ucrânia 

Os Pet Shop Boys participaram em fevereiro num evento de apoio à Ucrânia no Trafalgar Square, em Londres, Inglaterra. 

O evento, ao qual foi dado o nome de "Heart-Broken But Unbroken", assinalou o terceiro aniversário da invasão russa naquele território e foi organizado por diversas organizações ucranianas.  "Nós unimo-nos, não apenas por nós, mas pela soberania, pela liberdade e pelo futuro da Ucrânia", lia-se na publicação do duo londrino (Neil Tennant e Chris Lowe) no Instagram. "A nossa presença é um statement poderoso - que não pode ser ignorado. É mais do que um comício. É um manifesto. É um manifesto em defesa da voz da Ucrânia. É um manifesto que sublinha que só descansaremos quando a paz e a justiça prevalecerem", acrescentaram os britânicos na nota.  

Também em fevereiro, os U2 usaram as redes sociais para partilhar um poema de apoio à Ucrânia e ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. "Todos os que acreditam na liberdade e sentem o perigo em que nós, europeus, estamos não dormem neste terceiro aniversário da invasão", lia-se no texto partilhado por Bono e The Edge. Os U2 musicaram (ao piano) o poema 'My Friendly Epistle' (século XIX) do poeta ucraniano Taras Shevchenko para assinalar a data.

A eleição de Donald Trump

Em janeiro, quando Donald Trump tomou posse como Presidente dos Estados Unidos, houve contestação às políticas das redes sociais X, de Elon Musk, e do Facebook e do Instagram (da Meta), de Mark Zuckerberg. Muitos olham para estas plataformas como ferramentas à propagação de desinformação e de propaganda da extrema-direita, associada ao atual morador da Casa Branca. Robert Smith, o homem dos Cure, foi um dos músicos que abandonou a plataforma X. Michael Stipe (ex-vocalista dos R.E.M.), Carole King e a guitarrista das Go-Go’s, Jane Wiedlin, aderiram à semana de boicote às plataformas da Meta: Facebook e Instagram. 

Em setembro, mais de 400 artistas norte-americanos – entre os quais Olivia Rodrigo, Adam Horovitz (ex-Beastie Boys), Cyndi Lauper ou Sheryl Crow assinaram uma carta aberta que denunciava o desrespeito pela liberdade de expressão pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no rescaldo da exclusão do programa Jimmy Kimmel Live! do ar pela cadeia televisiva ABC.

Sobre a questão da falta de liberdade de expressão, Olivia Rodrigo escreveu ainda no Instagram Stories: "estou muito chateada com esta censura flagrante e abuso de poder. Estou com Jimmy Kimmel e defendo a liberdade de expressão". 

A colombiana Shakira, que vive nos Estados Unidos, conversou com a britânica "BBC" sobre a situação que se em solo norte-americano relativamente às deportações de imigrantes ilegais ordenadas por Trump

A cantora referiu na entrevista que ser imigrante nos Estados Unidos é "viver em medo constante", algo que diz ser "doloroso de assistir". As políticas de Donald Trump relativas à imigração e a forma como são postas em prática (com rusgas) originaram protestos em diversas cidades norte-americanas. "Tinha apenas 19 anos quando me mudei para os Estados Unidos, tal como tantos outros imigrantes colombianos que vieram para este país à procura de um futuro melhor”, disse a cantor. "Agora, mais do que nunca, temos de nos manter unidos. Agora, mais do que nunca, temos de erguer as vozes e deixar claro que um país pode mudar as políticas de imigração, mas o tratamento das pessoas tem de ser sempre humano". 

Contra a oligarquia

Os históricos Neil Young e Joan Baez juntaram-se em abril ao senador Bernie Sanders e à congressista Alexandria Ocasio-Cortez no comício inserido no movimento "Fighting Oligarchy", que teve lugar na Califórnia, nos Estados Unidos. 

O comício, que atraiu cerca de 36 mil pessoas em frente à câmara municipal de Los Angeles, fez parte do movimento "Lutar contra a Oligarquia" que Sanders e Ocasio-Cortez organizaram por todo o país. 
Além de Young e Baez subiram ao palco outros artistas como Maggie Rogers, Jeff Rosenstock, Dirty Projectors, Indigo De Souza e o coro Red Pears & Raise Gospel Choir. 

Bernie Sanders focou o discurso no que considera ser "o perigo" da oligarquia na política norte-americana e no papel que os milionários têm tido na nova administração de Donald Trump, em particular Elon Musk. "Estamos a viver num momento de perigo extraordinário, sendo que a forma como respondemos a isso vai ter impacto nas nossas vidas e na vida dos nossos filhos, das próximas gerações e do planeta Terra", afirmou perante os presentes. 

As palavras de Bruce Springsteen 

Bruce Springsteen iniciou a digressão europeia em Manchester palavras demolidoras contra Donald Trump. “Na minha terra, a América que eu amo e sobre a qual tenho escrito, que tem sido um farol de esperança e liberdade durante 250 anos, está atualmente nas mãos de uma administração corrupta, incompetente e traiçoeira", começou por dizer. "As pessoas estão a ser perseguidas por utilizarem o seu direito à liberdade de expressão e manifestarem a sua discordância. Isso está a acontecer agora. Os homens mais ricos estão a satisfazer-se em abandonar as crianças mais pobres do mundo à doença e à morte. No meu país, sentem um prazer sádico na dor que infligem aos leais trabalhadores americanos. Estão a revogar a legislação histórica dos direitos civis que levou a uma sociedade mais justa e plural. Estão a abandonar os nossos grandes aliados e a aliar-se a ditadores contra aqueles que lutam pela sua liberdade", continuou o músico norte-americano. 


Madonna cita Bob Marley contra a "perda de liberdades" nos Estados Unidos 

Em janeiro, Madonna citou Bob Marley, “Don’t give up the Fight!” ["não desistam da luta"], para enfrentar as atuais políticas de exclusão social que estão a ser implementadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O verso emblemático de Bob Marley consta numa das suas mais célebres e ativistas músicas, ‘Get Up, Stand Up’, publicada em 1973 pelos Wailers.

"É tão triste estar a assistir ao nosso novo governo a desmantelar lentamente todas as liberdades por que lutámos e que conquistámos ao longo dos anos”, escreve Madonna na rede social X, comandada pelo empresário bilionário Elon Musk, ilustrando a sua mensagem com a bandeira das cores do arco-íris usada pela comunidade LGBT.

Músicos defendem a educação musical de crianças no Reino Unido  

Em janeiro, o inglês Ed Sheeran anunciou que criou uma fundação para apostar na educação musical de crianças do Reino Unido.   

A Fundação Ed Sheeran tem como propósito ensinar crianças a tocar instrumentos, a produzir, a compor e a atuar, além de oferecer ferramentas que as ajudem a entrar na indústria musical. "Criei a Fundação Ed Sheeran porque sinto que cada vez menos se dá importância à educação musical", explicou na altura o artista britânico.

"Já quando andava na escola o assunto era debatido mas não era levado a sério. Há ainda a ideia de que trabalhar na música não é uma profissão séria - quando a indústria musical oferece 216 mil postos de trabalho em diferentes áreas", acrescentou Sheeran.

"A música é uma parte fundamental da nossa sociedade. Quanto mais viajo, visito escolas e conheço projetos, mais vejo que há paixão e pessoas inspiradoras que estão a ser subvalorizadas. Espero que esta fundação seja um começo para lhes dar o apoio que precisam e que lhes mostre que são extremamente importantes para nós", lia-se ainda na publicação de Sheeran nas redes sociais.  

Ed Sheeran também publicou nas redes sociais uma carta aberta dirigida ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, para pedir mais investimento na  educação musical nas escolas públicas. 

A carta conta com as assinaturas de outros artistas britânicos como Harry Styles, Coldplay ou Elton John.

Solidariedade com as comunidades afetadas pelos incêndios que devastaram várias localidades de Los Angeles

O evento FireAid aconteceu a 30 de janeiro e serviu para ajudar as pessoas afetadas pelos incêndios que devastaram várias localidades de Los Angeles, na Califórnia, no início do ano.

O evento, que teve lugar no Kia Forum e no Intuit Dome, ambos em Los Angeles, contou com as atuações de Alanis Morissette, Green Day, Joni Mitchell, No Doubt, Stevie Nicks, Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Olivia Rodrigo, Sting, Billie Eilish, Anderson .Paak, Dawes, Stephen Stills & Graham Nash, Pink, John Mayer, The Black Crowes, John Fogerty, Earth, Wind & Fire, Gracie Abrams, Tate McRae, Jelly Roll, Katy Perry, Lil Baby, Sting, Peso Pluma, Stevie Wonder e Lady Gaga.

O evento solidário arrecadou cerca de 100 milhões de dólares (mais de 95 milhões de euros). As receitas foram angariadas através de doações, patrocínios, venda de bilhetes e venda de merchandise. Ainda segundo a organização, cerca de 50 milhões de pessoas assistiram aos espetáculos através de 28 plataformas de streaming.