Bad Bunny faz bis de "perreo" em Lisboa para noite "INoLVIDABLE"
O porto-riquenho encheu o Estádio da Luz para dois concertos onde ninguém conseguiu resistir ao ritmo.
Bad Bunny estreou-se em território nacional no Estádio da Luz esta semana. A digressão mundial “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” tem o foco no álbum homónimo, que venceu um Grammy. Na segunda noite do cantor em Portugal, o público volta a perrear e transporta-se mais uma vez até Porto Rico.
Dois jovens sentados numa rua que remete ao ideário típico lisboeta ocupa o ecrã atrás do palco. Numa conversa descomprometida, dizem que a única forma de trazer o artista que só atua em Porto Rico até Portugal é dizer a uma só voz a introdução da música “LA MuDANZA”. O público junta-se sem hesitação e, como se de uma invocação se tratasse, Benito surge ao centro do palco, vestido a rigor com um fato branco e acompanhado pela banda. Na primeira canção puxa pelos bongós, que têm o primeiro solo da noite. O cantor admite que não sabia que tanta gente o queria em Lisboa e acrescenta que, apesar da “loucura” na primeira noite, “a segunda é quase sempre melhor”. Para que não haja dúvidas quanto à importância dada à cultura tradicional, um quatro porto-riquenho - uma guitarra tradicional do país latino-americano - toca os acordes de “A minha casinha”, a canção imortalizada por Xutos & Pontapés, para dar o mote “PIToRRO DE COCO” (música que foi introduzida na primeira noite por “Lisboa menina e moça”, de Carlos do Carmo).
A banda CHUWI – encarregue da abertura do concerto – junta-se a Bad Bunny para uma “WELTiTA” (numa tradução livre, “voltita”), música que têm em conjunto. Entre passos de dança, o ritmo desacelera para “TURiSTA”. Benito recorda que a “noite está apenas a começar” e salienta o quanto é incrível trazer a paixão que começou em Porto Rico. Pede ao público que o acompanhe a transformar a noite em algo inesquecível. Há espaço para um solo de teclas para abrir a pista a um “BAILE INoLVIDABLE”, a primeira canção que partilha com o público que não falha uma palavra. O artista agradece ao público por “cantar a canção com coração, com amor” e pede aplausos para a banda. Quando pergunta se estão prontos para o resto da noite, os gritos não deixam dúvidas e os bailarinos juntam-se para “NUEVAYoL”, a primeira aparição da pirotecnia.
O sapo concho ocupa os ecrãs, fala com o público sobre a experiência que está a ter em Lisboa e garante que “não se quer ir embora”. O símbolo do novo álbum de Bad Bunny – uma espécie típica de Porto Rico e em risco de extinção – decide fazer um teste para saber se além de espanhol o público conhece o dialeto “boricua” – que tem origem na língua indígena taína. Após a passagem com distinção da plateia no teste linguístico, o artista muda-se do palco principal para La Casita. Bad Bunny aparece pela porta de entrada para se juntar à festa no alpendre onde várias pessoas dançam enquanto são cantadas “VeLDÁ” e “Tití me perguntó”. Por esta altura, o fato branco foi trocado por uma roupa descontraída, mas o perreo continua com “Neverita” e “Si Veo a Tu Mamá”.
Instala-se uma pausa silenciosa para falar com o público. Sem enfeites sonoros ou música de fundo, cumprimenta quem está nas primeiras filas em torno da casa. É nestes minutos que escolhe a fã que diz “Acho, PR es otra cosa” (numa tradução livre, “Rapaz, Porto Rico é outra coisa”). Se a pausa incomoda os fãs, não se sente: assim que a música volta e o artista sobe ao telhado, a festa está de volta com “VOY A LLeVARTE PA PR” onde garante que “empezó o perreo, Portugal” (“começou a festa, Portugal”). Numa viagem pela discografia, interpreta “Me porto bonito” (de ‘Un Verano Sin Ti’), “No me conoce” (canção que tem com J Balvin), “Bichiyal” e “Yo perreo sola” (ambas de ‘YHLQMDLG’). Garante que se sente o “Efecto” de Lisboa e segue com “Safaera” e “Dilles”. Como forma de agradecimento a todos os que o acompanham desde o início da carreira canta “MONACO”, um dos maiores êxitos do artista. A segunda noite foi brindada com uma surpresa durante a canção exclusiva – que só é cantada uma vez em toda a digressão – e assim que soam os primeiros acordes, o público entra em êxtase: o cantor panamenho Sech junta-se no telhado para cantar “Ignorantes” com Bad Bunny e “Outro Trago”.
De volta às raízes, a banda Los Pleneros de la Cresta – que acompanha o cantor na digressão – leva a festa de volta ao piso inferior de La Casita para “CAFé CON RON”. Bad Bunny admite que “nunca lhe passou pela cabeça estar num “lugar assim em grande, cheio de gente bonita, a cantar salsa, reggaeton e plena” de Porto Rico. O cantor volta ao palco principal e Los Pleneros de la Cresta estendem a estadia enquanto entoam “Boricua, levanta tu bandera”.
Uma imagem de um Benito envelhecido surge no ecrã principal e reforça a importância das memórias. Veem-se imagens de várias cidades a passar pelo fundo até chegar a Lisboa e finalmente a plateia. Numa declaração canta “Ojitos lindos” enquanto divide o palco com os dançarinos, a quem se junta um trompetista para “La canción”. O público aparece na projeção como se fosse parte dos amigos chegados do Instagram em “KLOuFRENS”. Os passos de dança contagiam a plateia e a festa continua com “DÁKITI” e “Yonaguni”. Já perto do fim do espetáculo, todas as luzes do estádio desaparecem para “El Apagón”, uma crítica à gentrificação e às privatizações do setor energético em Porto Rico que não tira o ritmo à plateia. Agradece pela possibilidade de trazer o seu país a Portugal. Em “DtMF”, pede que se guardem as memórias no coração. A música mais aguardada do concerto, que dá nome ao álbum e à digressão, é acompanhada pelo público em pleno. Faz o encore com “EoO” para mais um momento de perreo, despede-se de Lisboa com a promessa que vai regressar (“Nos vemos pronto”).
Antes que Bad Bunny entrasse em cena, a banda CHUWI aqueceu a plateia. Os irmãos Aldarondo – Lorén (voz), Willy (cordas) e Wester (teclas) – e Andrián López (percussão) trouxeram os ritmos e instrumentos caribenhos através da música. CHUWI fez questão de sublinhar a luta porto-riquenha através de uma bandeira do país a negro (um símbolo moderno de resistência, independência e desobediência civil) e dos princípios que também se sentem na música de Benito: sem esquecer as heranças sublinharam “o direito humano de procurar e viver uma vida melhor”.
