Bárbara Tinoco: "o meu disco é uma verdade romantizada"

"Hormonal" é o novo álbum de Bárbara Tinoco lançado hoje.

Ao fim de três anos de trabalho, está cá fora o terceiro álbum da Bárbara Tinoco, “Hormonal”, apanhado em cheio pela sua primeira gravidez e pela maternidade, mas sem apagar a pré-maternidade. Em entrevista, a cantora acha que ambos os esforços, a feitura de um álbum e a gravidez, são muito equiparáveis. "Fazer um álbum é um processo bastante doloroso, penoso, mas eu acho que a gravidez foi mesmo a pior coisa por que passei na vida, sendo que o bebé é melhor no fim, mas é só mesmo pelo bebé. Engravidar mudou completamente o rumo do disco. Ou seja, construiu o disco”

Masha é a filha de um ano para quem Tinoco pensou o disco “Hormonal”. A outra personagem protagonista é o seu cônjuge, o músico russo radicado há muitos anos em Portugal, Fiodor Bivol. “Eu acho que é uma autobiografia, o meu disco. O que eu acho é que não é um documentário, é um filme. Portanto, é inspirado em factos reais, muito reais, mas é cinematográfico”

“Hormonal” é o diário da vida de Bárbara Tinoco que Masha poderá folhear. “Este disco conta à nossa filha a minha história de amor com o Fiodor, conta à minha filha a mulher que eu era antes de conhecer o pai, conta a mulher que eu sou depois de conhecer o pai, conta a mulher que eu sou depois de ser mãe e fala sobre ela. Portanto, tudo o que está no disco é verdade. Está é romantizado, bonito, poético. Ou seja, é um filme, não é um documentário”. 

Bárbara Tinoco

O processo interiorizado de composição das canções está condenado a ser partilhado mais tarde ou mais cedo, porque a gravação de um disco se trata sempre de um trabalho de equipa, onde está envolvido o seu companheiro amoroso Fiodor. “Ele fez metade do disco, a outra metade do disco fiz com o Charlie Beats. Ele [Fiodor] ouviu tudo, obviamente que sim. Ele o meu manager [Pedro Barbosa] são as primeiras pessoas a quem quero mostrar” as canções. E como é que Fiodor reagirá às letras mais pessoais de Tinoco, sobretudo as deste álbum novo? “Houve umas canções com que ele ficou muito feliz. Ele estava todo contente com o ‘Milf’ e com o ‘Foste o Primeiro’. Ama as canções para a nossa filha. Acho que ele percebe que é a minha forma de ser, de escrever e de pôr no papel. Acho que ele respeita o meu processo ao máximo, não me restringe em nada, nunca me diz nada. Se calhar, mesmo que ele pense 'Ei, preferia que não lançasses esta', ele nunca me iria dizer e eu acho que isso é bonito, porque ele aceita que esta é a minha profissão e que é isto que eu faço e é assim que eu sou. Portanto, não mete amarras em nada”. 

A grande amiga de Bárbara Tinoco, Carolina Deslandes, tem uma participação muito especial no disco, cantando o tema final ‘Masha’, como madrinha. “Ela é mesmo a minha melhor amiga, é uma irmã. Na verdade, ela ofereceu-me esta canção aqui na Rádio Comercial, no meu ‘babyshower’. Ela fez esta canção para me oferecer e nós, durante muito tempo, estivemos à procura de uma colaboração para ter no disco. Eu queria muito ter a Carol no disco, porque eu citei-a numa canção, no ‘Obcecada’. E então, para mim, fazia todo o sentido ter uma colaboração com ela neste disco, em específico. Mas depois, eu nunca senti que aquela era a canção certa para ela estar no disco. E eu sempre quis que ela gravasse esta canção para a Masha, nem que fosse para dar só à Masha, só para a Masha ouvir quando ela fosse crescida. Este disco é para a minha filha. E então, esta canção tinha que estar no disco para a minha filha, e é o final absolutamente perfeito do disco. É só cantado pela Carolina e a canção conta a nossa história de amor, na perspetiva da minha melhor amiga, à nossa filha. E eu acho que está perfeito. É mesmo feito para este disco”. 

Bárbaro Tinoco vai desafiar-se em subverter as suas canções, num formato acústico, com acompanhamento de um sexteto de cordas no próximo ano. "Tem Lá Uma Tristeza — Cordas em Concerto" é o nome da digressão. “Estamos agora a preparar os arranjos e a ideia é apresentar o disco de uma forma íntima, diferente e tocar algumas canções que as pessoas já conhecem. Mas é engraçado que tu pões a tocar em cordas e o sentimento às vezes é o mesmo, às vezes é outro sentimento da mesma canção, com as mesmas palavras, com a mesma melodia. E eu acho que fazer com um sexteto de cordas dá outra intensidade às canções emocionais. Dá um ritmo muito engraçado às que não são tão emocionais. Eu acho que vai ser uma digressão mesmo especial e diferente. Nunca fiz isto na vida. Estou muito entusiasmada, confesso”. 
 

Bárbara Tinoco