Colocados? Agora começa a corrida à casa. A DECO PROteste lança plataforma para ajudar estudantes
Milhares de estudantes foram colocados no ensino superior, mas a maior preocupação começa com a procura de alojamento.
Com a divulgação das colocações da primeira fase de acesso ao ensino superior, milhares de jovens preparam-se para iniciar uma nova etapa das suas vidas. Mas, para muitos, a alegria de entrar no curso desejado rapidamente dá lugar a uma preocupação cada vez maior que passa por encontrar alojamento a preços comportáveis.
Segundo Magda Canas, jurista da DECO PROteste, esta é precisamente a principal inquietação que chega à associação nesta fase do ano. Depois das dúvidas relacionadas com exames, candidaturas e bolsas de estudo, o foco das famílias passa agora para a procura de casa e para os apoios disponíveis aos estudantes deslocados.
A recomendação da especialista passa pela procura de alojamento deve começar o mais cedo possível, idealmente ainda antes de serem conhecidas as colocações.
“Mesmo os estudantes que ainda não sabem onde vão ficar colocados devem começar desde logo a procurar soluções de alojamento nas cidades onde acreditam que poderão estudar”, defende.
Procurar além da cidade universitária
Perante a pressão do mercado, a DECO aconselha os estudantes a alargarem a pesquisa a concelhos vizinhos com boas ligações de transportes, uma estratégia que pode representar poupanças significativas no orçamento familiar. Os alojamentos partilhados continuam também a ser uma das alternativas mais económicas.
Para as famílias com maiores dificuldades financeiras, a associação lembra a importância de pedir a bolsa de estudo o mais cedo possível. Os estudantes bolseiros deslocados têm prioridade no acesso às residências universitárias e podem beneficiar de um complemento para alojamento, atualmente situado em cerca de 161 euros mensais.
Visitar a casa e exigir contrato
A DECO deixa também vários alertas para quem está prestes a assinar um contrato de arrendamento.
O primeiro passo deve ser sempre visitar o imóvel presencialmente para confirmar que corresponde ao que foi anunciado. É igualmente fundamental conhecer o senhorio ou representante com quem se está a negociar e analisar cuidadosamente todas as cláusulas do contrato antes da assinatura.
A formalização do contrato é outro ponto essencial. Além de garantir maior proteção jurídica em caso de conflito, permite que as despesas com renda sejam consideradas para efeitos de deduções fiscais dos estudantes deslocados.
“Quando um contrato fica por formalizar, há muitas condições que depois não podem ser invocadas se alguma coisa correr mal”, alerta Magda Canas.
Burlas continuam a preocupar
As fraudes no arrendamento estudantil continuam a chegar regularmente à associação de defesa do consumidor.
Entre os principais sinais de alerta estão a impossibilidade de visitar o imóvel, a dificuldade em contactar presencialmente o senhorio ou pedidos para avançar com pagamentos sem que exista um contrato devidamente formalizado.
Segundo a responsável, estes comportamentos podem indicar não só tentativas de burla, mas também situações que deixam estudantes e famílias sem proteção legal caso surjam problemas mais tarde.
Nova plataforma reúne alojamento e apoios num único local
Para facilitar a vida aos estudantes deslocados, a DECO PROteste reforçou a plataforma querocasa.pt com duas novas ferramentas dedicadas ao alojamento estudantil.
Uma delas reúne informação recolhida junto das instituições de ensino superior sobre a oferta de alojamento disponível. A outra agrega dados fornecidos por municípios de todo o país, incluindo residências, quartos, programas municipais de apoio e outras soluções de alojamento para estudantes.
O objetivo é centralizar informação que até agora estava dispersa por universidades, serviços de ação social e autarquias, permitindo aos utilizadores comparar alternativas e conhecer todos os apoios existentes num único espaço digital.
A nova funcionalidade ficará totalmente operacional a partir de segunda-feira, logo após a divulgação dos resultados das colocações.
Oferta continua insuficiente
Apesar das novas ferramentas, a DECO considera que o problema de fundo permanece longe de estar resolvido.
Para Magda Canas, é necessário aumentar a oferta de alojamento estudantil, reforçar os programas municipais de apoio, expandir a rede pública de residências universitárias e ajustar os apoios ao custo real das rendas em cada concelho.
A responsável defende ainda mais incentivos para a criação de alojamento acessível e um reforço da fiscalização das práticas abusivas no mercado de arrendamento.
“Sabemos que o número de camas disponíveis não é tão elevado quanto se esperava”, sublinha, considerando que a falta de alojamento continua a ser uma das maiores barreiras à igualdade de acesso ao ensino superior.
