Dia seguinte ao eclipse: especialistas alertam para sinais de lesão ocular
Qualquer alteração na visão após a observação do eclipse deve ser encarada como um sinal de alerta e motivar contacto imediato com os serviços de saúde. Os danos provocados pela observação direta do Sol podem surgir horas ou dias depois e, em alguns casos, ser irreversíveis.
Depois do entusiasmo gerado pelo eclipse solar observado esta terça-feira, os especialistas em saúde pública deixam uma mensagem clara para quem observou o fenómeno sem proteção adequada: deve estar atento a eventuais sintomas visuais.
João Paulo Magalhães, da Associação Nacional de Saúde Pública, recordou que, apesar de se tratar de um acontecimento raro e marcante, a observação direta do Sol continua a representar um risco significativo para a visão. Segundo o responsável, a redução da luminosidade durante o eclipse pode criar uma falsa sensação de segurança, levando algumas pessoas a olhar diretamente para o Sol sem proteção certificada.
Entre os sinais de alerta que podem surgir após a exposição estão visão turva, aparecimento de manchas ou pontos escuros no campo visual, dor ocular e perda parcial ou súbita da visão. Nestes casos, a recomendação é procurar ajuda médica sem demora.
“Qualquer alteração da visão deve ser valorizada”, alertou João Paulo Magalhães, defendendo o contacto com a linha SNS 24 ou, perante situações súbitas e graves, com o 112. O especialista frisou ainda que esperar por uma consulta de oftalmologia pode atrasar uma avaliação importante numa situação que poderá ter consequências permanentes.
Crianças exigem vigilância reforçada
A Associação Nacional de Saúde Pública manifestou também preocupação com a exposição das crianças ao eclipse. Embora os óculos certificados ofereçam proteção eficaz, a sua utilização correta pode ser mais difícil nos mais novos.
Segundo João Paulo Magalhães, as crianças têm maior tendência para retirar os óculos durante a observação, aumentando o risco de exposição direta à radiação solar. Por essa razão, a observação deve ser sempre acompanhada por adultos e sujeita a supervisão constante.
Dores de cabeça, alterações do humor ou do sono? O que diz a ciência
Nas últimas semanas multiplicaram-se nas redes sociais publicações associando o eclipse a dores de cabeça, alterações do humor, perturbações do sono e outros efeitos físicos ou psicológicos.
João Paulo Magalhães reconhece que um fenómeno desta natureza pode provocar alguma perturbação momentânea nos ritmos habituais das pessoas, devido à alteração temporária da luminosidade e do ambiente. No entanto, sublinha que não existe evidência de que o eclipse provoque doenças, danos permanentes ou alterações duradouras da saúde física ou mental.
“Pode haver alguma disrupção momentânea, mas estamos a falar de um fenómeno que dura apenas alguns minutos”, explicou, acrescentando que muitas das alegações que circulam online são meramente especulativas.
A mensagem principal: proteger os olhos
Para o representante da Associação Nacional de Saúde Pública, o eclipse foi um momento único, capaz de despertar curiosidade e entusiasmo em milhões de pessoas. Ainda assim, considera essencial reforçar a mensagem de prevenção.
O responsável lembra que os únicos meios considerados seguros para observar um eclipse solar são os óculos certificados especificamente para esse efeito. Óculos de sol comuns, lentes polarizadas ou soluções improvisadas não oferecem proteção adequada e não devem ser utilizados.
Passado o fenómeno, a principal recomendação mantém-se: quem observou o eclipse e notar qualquer alteração visual deve procurar ajuda médica de imediato. A rapidez na avaliação pode ser determinante para minimizar eventuais danos na visão.
