Diretores prevêm avalanche de pedidos de reapreciação dos exames após "processo que correu muito mal"

As falhas registadas na classificação digital dos exames nacionais poderão levar um número invulgar de alunos a contestar as notas.

As falhas registadas no processo de classificação digital dos exames nacionais poderão traduzir-se num aumento dos pedidos de reapreciação este ano. A previsão é de Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que considera que os problemas verificados no modelo de correção levarão mais estudantes a recorrer ao mecanismo de revisão das provas.

Os alunos encontram-se nesta altura a analisar os resultados com professores e encarregados de educação para decidir se avançam ou não com um pedido de reapreciação. Embora, em anos anteriores, apenas cerca de 2% dos estudantes tenham recorrido a este direito, Filinto Lima acredita que a realidade poderá ser diferente este ano.

"Estou convencido que o número irá aumentar, tendo em conta o ano passado, por exemplo, e os anos anteriores, em que cerca de dois por cento dos alunos é que requerem esse direito, o direito à reapreciação", afirmou.

Na origem desta expectativa está o que descreve como um processo de classificação profundamente marcado por falhas. "O modelo de classificação das provas dos exames está envolvido num processo muito doloroso e correu mal, correu muito mal. Estou convencido que mais alunos desta vez irão apresentar essa reapreciação", sustentou.

Apesar disso, Filinto Lima deixa um alerta aos estudantes que ponderam contestar a nota obtida. Recorda que a reapreciação implica o pagamento de 25 euros e que a classificação tanto pode subir como descer.

"Mesmo a pagar os vinte e cinco euros", admite, muitos alunos poderão avançar com o pedido. Ainda assim, recomenda prudência: "Deem a prova a ler a quem sabe, a um professor, porque de facto podem baixar a classificação."

Segundo o responsável, a expectativa habitual dos alunos é conseguirem melhorar a nota, mas esse resultado não é garantido. "A expectativa é subir a classificação e a maior parte deles sobe, mas também pode descer. Portanto, é preciso ter algum cuidado."

Filinto Lima defende igualmente que os pedidos devem ser devidamente fundamentados para aumentarem as hipóteses de sucesso. "Têm que, de facto, fazer uma boa fundamentação para que o professor classificador, tendo em conta a fundamentação, suba a nota. Esse, de facto, é o grande objetivo dos nossos alunos."

Críticas à manutenção do modelo digital

Questionado sobre a decisão do Ministério da Educação de manter o sistema de classificação digital na segunda fase dos exames nacionais, Filinto Lima mostrou-se crítico da opção.

"O ministro continua a insistir numa plataforma e num processo de digitalização que foi reprovado, quer o ano passado com a Filosofia, quer este ano com todas as disciplinas, exceto Geometria Descritiva e Desenho A", afirmou.

Segundo o dirigente, esta posição foi transmitida diretamente ao ministro. "O que nós dissemos ao Ministro da Educação, e dissemos de viva voz, foi que uma terceira vez a claudicar este modelo seria, de facto, péssimo, seria muito mau."

Apesar das críticas, Filinto Lima considera que a digitalização da classificação é um caminho inevitável, desde que sejam corrigidas as falhas identificadas.

"Percebe-se que o caminho é este, é o caminho da correção, da classificação digital, não tenho dúvidas, mas com uma plataforma a funcionar cem por cento, com o processo de digitalização operacional", defendeu.

Acrescenta que, quando a plataforma funcionou sem problemas, os docentes reconheceram vantagens no novo sistema. "A plataforma, quando estava a funcionar, os professores disseram, de facto, notas muito positivas a este modelo. Não há dúvida, este modelo é para ficar, mas é para ficar corrigido."

Na sua avaliação, o problema nunca esteve na digitalização em si, mas na forma como foi implementada. "O modelo foi reprovado por todos nós. A forma como decorreu a situação foi reprovada quer o ano passado, mas sobretudo este ano, em que nós acompanhámos desde o início este processo a par e passo."