Elevador da Glória descarrilou há um ano. Muitas questões continuam sem resposta
Morreram 16 pessoas e mais de 20 ficaram feridas no acidente ocorrido a 3 de setembro de 2025.
Um ano depois do descarrilamento mortal do elevador da Glória, em Lisboa, ainda há muitas questões por responder numa investigação que continua sem data certa para terminar.
É uma investigação tripartida entre o Ministério Público (MP), o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviárioso (GPIAAF) e a própria Carris.
O MP ainda aguarda a conclusão de ensaios e peritagens técnicas e estima que o despacho final de inquérito possa ocorrer até ao final do primeiro trimestre de 2027.
Do lado do GPIAAF, o relatório final também só será publicado até final de março de 2027, mas o relatório preliminar de outubro apontou falhas e omissões na manutenção do elevador.
Quanto à Carris, ainda tem em curso a auditoria interna, mas sublinha que tem a margem de atuaçao limitidada pelas outras duas entidades que investigam o acidente. Ainda assim, garante que tem prestado toda a cooperação e disponibilizou as facilidades técnicas e logísticas pedidas pela investigação.
O momento do acidente
O alerta chegou pelas 18h03 do dia 3 de setembro de 2025.
O elevador da Glória, símbolo da capital portuguesa, transformou-se num local de morte
O cabo que unia a duas cabines cedeu, o guarda-freio fez tudo o que podia, mas não conseguiu evitar a tragédia da qual também foi vítima.
Morreram 16 pessoas, a maioria estrangeiros.
Inicialmente, as autoridades deram conta de 17 mortes, mas um cidadão alemão foi encontrado no dia seguinte com vida no hospital. Era o pai de uma criança de três anos, resgatada dos escombros por um elemento da PSP.
Processos de indemnização
Os processos estão a ser geridos pela Fidelidade, "seguradora a quem a Carris participou o acidente e acionou o seguro que é formalmente obrigada a possuir."
Segundo a informação divulgada em Agosto de 2026, foram concluídos apenas quatro processos de indemnização às famílias das vítimas mortais num total de 16.
No que respeita às 24 vítimas feridas, "todas elas permanecem sem a sua situação clínica definitivamente consolidada", adianta a Carris. Nestes casos, sublinha, "a avaliação indemnizatória definitiva apenas poderá ser realizada quando exista estabilização clínica que permita determinar, de forma adequada, a extensão das eventuais sequelas e dos danos sofridos."
No total, a Fidelidade "assumiu a responsabilidade pelo reembolso, de aproximadamente 2,3 milhões de euros em despesas relacionadas com o acidente incluindo, além dos acordos indemnizatórios já alcançados, serviços funerários, repatriamentos, consultas, tratamentos, internamentos, intervenções cirúrgicas, reabilitação, transportes, salários perdidos, entre outros."
Futuro dos elevadores/ascensores de Lisboa
A Carris continua a inspeção aos vários ascensores da cidade, que estão parados desde o dia do acidente com o elevador da Glória.
Os ascensores da Bica, Lavra e o elevador de Santa Justa ainda estão a ser alvo de uma intensa e rigorosa inspeção. A empresa diz que a segurança é inegociável e, por isso, não é possível dizer quando voltam a funcionar.
Quanto ao elevador da Gloria, será totalmente renovado e deve entrar em funcionamento em 2029.
O único equipamento que reabriu ao público foi o funicular da Graça, que está em funcionamento desde 30 de abril.
A Carris assegura que já investiu mais de 1,3 milhões de euros nos equipamentos históricos de Lisboa no último ano.
Homenagem dos sindicatos, que ainda aguardam respostas da Carris e da CM Lisboa
O STRUP/FECTRANS vai realizar esta quinta-feira, pelas 10h30, uma homenagem "a todas as vítimas do acidente do Elevador da Glória"
"Esta iniciativa decorrerá um ano após o terrível acidente, no qual também faleceu o trabalhador da CARRIS André Marques, consistirá na deposição de uma coroa de flores no fundo da Calçada da Glória", refere.
As estruturas sindicais sublinham que "continuam sem resposta as questões que a FECTRANS colocou ao presidente da CML e à então administração da Carris, em 17/09/2025."
"Sendo verdade que o essencial das respostas só poderá constar do Relatório Final das entidades oficiais, novamente adiado para o próximo ano, não se pode deixar de continuar a questionar o modelo escolhido de entrega a privados da manutenção do elevador e dos ascensores, como uma das causas que contribuiu para a ocorrência desta tragédia", referem.
Memorial às vítimas da tragédia do Elevador da Glória no Largo da Oliveirinha
A Câmara Municipal de Lisboa inaugura esta quinta-feira um memorial em homenagem às vítimas.
"A partir desta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, e na sequência do trágico acidente ocorrido no Elevador da Glória, equipamento histórico, inaugurado em 1885 e elemento identitário da cidade, Lisboa passará a contar com um local de homenagem, memória e reflexão coletiva: um memorial no Largo da Oliveirinha", refere a autarquia liderada por Carlos Moedas.
A composição do memorial integra uma oliveira adulta com 150 anos implantada em caldeira circular e rodeada por "16 blocos pétreos em calcário" com "alturas diferenciadas e superfícies preparadas para gravação dos nomes das vítimas".
