Estreias ao vivo, tempestade em Madrid e aniversários. Foi assim a 3.ª edição do Kalorama
Ana Moura mostrou a sua nova canção na terceira edição do festival. Mas houve mais novidades.
A terceira edição do MEO Kalorama, que decorreu nos últimos três dias de agosto, reforça cada vez mais este evento como o último grande festival de verão.
Deixamos dez anotações sobre um festival rico em acontecimentos e vibrações, com algumas novidades.
Ana Moura: a nova música
Chama-se 'Desliza' e foi o momento inédito no seu espetáculo assente na "Casa Guilhermina". A música nova é um r&b muito corporal, sem quaisquer resquícios do fado e que confirma o afastamento gradual de Ana Moura à música tradicional.
Os efeitos da tempestade no Kalorama de Madrid
A chuva devastadora de sexta-feira na capital espanhola fez salpicos de memórias no dia seguinte, em Lisboa, vindas dos músicos que as viveram. No seu modo humorístico, os Yard Act deixaram uma ideia bem clara do vendaval madrileno que afetou a sua atuação: "não fazem ideia do quão importante é estarem vivos, depois do que passámos em Madrid", desabafou o agitado vocalista James Smith. Os Soulwax também teriam algo a dizer, com um equipamento tão encharcado quanto avariado por causa da carga de água em Madrid, que os obrigou a cancelar a sua atuação no Kalorama de Lisboa. Mas as memórias da tempestade não foram só de músicos. Também os fãs espanhóis de RAYE ergueram um cartaz a afirmar que "apesar do temporal em Madrid, conseguimos vir para te ver", lido bem alto pela cantora inglesa e mostrado nos ecrãs do festival.
dEUS: vem aí uma digressão especial em 2025
A meio do concerto da banda de Antuérpia no Palco San Miguel, o líder Tom Barman anunciou uma série de espetáculos de comemoração dos 30 anos do referencial álbum de estreia "Worst Case Scenario" no próximo ano. "Worst Case Scenario" (de 1994) é conhecido por temas como 'Suds & Soda', 'Via' ou o mais calmo 'Hotellounge (Be the Death of Me)', música que tocaram no Parque da Bela Vista.
As incursões de Cláudia Pascoal no cancioneiro nacional
Tal como lembra a nossa jornalista Sílvia Mendes na sua reportagem, Cláudia Pascoal fez na sua atuação no palco principal uma versão da canção "O Pastor, dos Madredeus, com uma breve passagem por Pedra Filosofal, um poema de António Gedeão que ficou celebrizado pela voz de Manuel Freire".
A concentração de gente nos DJ sets do palco San Miguel
Enquanto que o Palco Panorama proporcionava um mundo próprio e mais recatado aos DJs, como se fosse uma bolha dentro do próprio recinto, no Palco San Miguel os DJ sets mobilizaram concentrações massivas de gente, como o caso evidente de Peggy Gou na primeira madrugada do festival, ou, não tão tarde, Overmono no último dia.
Aniversários
Uma das principais cantoras do concerto dos Massive Attack, a histórica Elizabeth Fraser (que se projetou nos Cocteau Twins), fez 61 anos no dia em que pisou o palco principal do recinto do MEO Kalorama, mas ninguém o assinalou no espetáculo. Quem fez questão em assinalar aniversários no sábado, e de forma bem avivada, foi o vocalista dos Yard Act, James Smith, que felicitou (e o encheu de elogios) o baixista e co-fundador da banda, Ryan Needham. Mesmo o técnico de som de serviço fazia anos, o que mereceu o seguinte comentário de James Smith: "que a sorte a dele de estar a trabalhar em Lisboa com a melhor banda do mundo".
Estreias em Portugal bem sublinhadas
Houve vários "batismos" ao vivo no nosso país nesta 3ª edição do Kalorama, que foram lembradas pelas próprias artistas, como os casos de Olivia Dean e de Raye. Também a inglesa Fabiana Palladino fez a sua estreia em Portugal, com um concerto ainda a meio tarde, e perante pouco público, no Palco San Miguel.
A perda do equipamento de Loyle Carner
Se os Soulwax ficaram com o equipamento todo molhado (e inutilizado), a banda do rapper Loyle Carner ficou com o equipamento perdido nalgum aeroporto, quando faziam a ligação aérea para Lisboa. Mas Loyle Carner e os seus músicos desenrascaram-se bem, com uma atuação mais física e menos eletrónica do que o planeado no Parque da Bela Vista.
Memórias do Lux-Frágil
Em pleno concerto, a figura de proa dos LCD Soundsystem, James Murphy, lembrou as primeiras atuações da sua banda em Lisboa, no Lux. Essas duas atuações aconteceram em 2005, poucos meses depois de terem lançado o álbum de estreia homónimo, que é um marco referencial na discografia da banda nova-iorquina.
A mudança de públicos no Palco MEO
É normal a migração do público de um palco para outro em festivais. Não tão normal é a sua transfiguração completa em frente ao palco principal, como aconteceu nesta edição do MEO Kalorama na mesma noite: os Massive Attack tiveram um tipo de assistência bem diferente da que via Sam Smith, na quinta-feira; o mesmo contraste aconteceu no sábado entre RAYE e Burna Boy. É como as carruagens de metro que chegam a uma estação de cruzamentos de linhas, como a Alameda (em Lisboa), em que mudam quase por completo de passageiros.
