Finneas estreou-se no NOS Alive rodeado de amigos
O norte-americano estreou-se ontem a solo em Portugal com um concerto no palco Heineken do festival de Algés. Casa cheia para recebê-lo.
Finneas entrou no palco pouco depois das onze da noite. O norte-americano estreou-se a solo em Portugal com a casa cheia e fez do espaço Heineken um lugar intimista, relativamente confessional e descontraído. Houve tempo para saborearmos as canções, como se estivéssemos entre amigos, e - antes disso tudo - houve gritos a libertar euforia quando - finalmente - o músico de Los Angeles subiu ao palco. "Finneas! Finneas!" era o nome que ecoava no espaço, a transbordar de fãs, mesmo quando o palco ainda estava vazio.
Eis então que Finneas entra em cena com a banda de cinco elementos que o acompanha. Os "amigos" como lhes chamou. Aparece sorridente, acena a todos e logo no primeiro tema, 'Lotus Eater', grita: "Lisboa, ponham os braços no ar". Flui depois com a canção, de guitarra em braços, com postura de rocker. Pede palmas e sempre que faz um movimento com mais arrojo, a multidão grita.
Vestido com um casaco de cabedal castanho e com o cabelo mais comprido - look irresistivelmente grungy a lembrar os clubes de Seattle dos anos 90, o músico passou pelos dois álbuns que soma na discografia - "Optimist" e o mais recente "For Cryin' Out Loud!" - mas não só. Ofereceu canções soltas, foi ao EP "Blood Harmony" e pôs um pé no trabalho da banda que criou muito recentemente com a cantora Ashe. São os Favors.
A propósito, ontem também foi o dia em que a banda recém-nascida lançou um novo single. A bela 'The Hudson', assim se chama a nova a canção, ficou guardada para outra ocasião, mas a plateia teve o prazer de ouvir 'The Little Mess You Made' - o single de estreia que em junho apresentou o grupo promissor ao mundo.
Sabemos que Finneas, irmão e companheiro criativo de Billie Eilish, consegue desdobrar-se em várias frentes criativas. A solo, fez "Optimist" - o álbum de estreia - sozinho no quarto. A pandemia forçou-o a ser um lobo solitário quando criou o primeiro longa duração, o que o satisfez até determinado ponto. Mas no segundo álbum preferiu reunir um grupo de amigos, alguns dos quais também produtores, para materializar as ideias e os impulsos criativos. A roda de cumplicidade resultou em "For Cryin' Out Loud!", editado em outubro do ano passado.
Os primeiros quatro temas foram para dar corpo ao vivo ao novo trabalho. Finneas balança o corpo antes de entregar a voz ao mood de 'Cleats' e sobe para a bateria quando canta 'Sweet Cherries'. Já sem a guitarra, com maior liberdade de movimentos, aponta para o público, dança e volta a fluir com a música enquanto arrasta o microfone pelo palco. Em 'What's It Gonna Take to Break Your Heart?' sincroniza as palmas com quem tem aos pés, dá espaço às proezas do companheiro da bateria Miles Morris e vai para as teclas.
"Obrigado a todos por estarem aqui", disse. "Estes são os meus amigos", reforçando o laço que une a banda que levou para o palco. "São as pessoas com quem fiz o meu último disco", acrescentou, olhando depois à volta para tentar “decifrar” os cartazes que alguns fãs levaram para as filas da frente.
Segue com o toque mais transcendental e sereno de 'Angel', canção que há uns anos compôs ao piano em apenas uma hora. Sentando nas teclas, abre a intimidade do tema ao público, fechando ocasionalmente os olhos quando puxa mais pela voz.
Finneas é um artista que também se inquieta com as turbulências do mundo. Basta espreitar as stories que tem publicado no Instagram para perceber que de homem conformado não tem nada. 'The Kids Are All Dying' é um exemplo do que o inquieta na forma de canção. É o tema em que Finneas dialoga com ele próprio sobre o uso da voz artística para dar nota do que o revolta no mundo versus dar voz ao seu mundo interno. Canta-a primeiro nas teclas e depois a andar pelo palco, com a garra de inconformado mas com a certeza de que também é preciso cantar sobre vivências pessoais e sobre amor.
Passa depois para a upbeat '2001' - single do disco mais recente - e aproveita o balanço do tema para ir buscar o telemóvel de uma fã que consegui arranjar lugar nas filas da frente. Passeia, enquanto vai tirando fotografias à banda, a ele próprio e filma o mar de gente que avista do palco. Devolve depois o telemóvel à dona que, a avaliar pela emoção que manifestou quando o recebeu, guardará certamente as imagens algures como se de ouro de tratasse.
Finneas pega na guitarra acústica para 'A Concert Six Months From Now' e depois vai buscar ao alinhamento 'Mona Lisa, Mona Lisa'. "Estou a divertir-me tanto esta noite. Muito obrigado. Esta próxima canção é para a minha senhora Claudia [Sulewski]", contou, embora quase abafado pela histeria da multidão que, claramente, não resiste a uma bela história de amor. "Sei que é tarde, já é quase meia-noite e sei que passaram o dia no festival. Perdoou-vos se estiverem muito cansados, mas esta canção é muito divertida no refrão. Vamos saltar e ficar todos malucos", desafiou o músico que não teve qualquer resistência ao pedido do outro lado.
Momento para falar dos Favors e de 'The Little Mess You Made' - o tal single de estreia do álbum "The Dream" que vai sair em setembro. Um problema técnico no piano abriu espaço para mais um momento de conversa com o público, agora sobre o potencial artístico dos cartazes que iam sendo erguidos ao longo do concerto.
Em 'I Lost a Friend', volta a abrir o sorriso enquanto passeia dos dedos pelas teclas para segundos depois passear pelo palco, mas agora com um leque que apanhou do chão, nas mãos.
"Nem acredito que podemos fazer isto como modo de vida", disse às tantas. "É uma loucura visitarmos outros países com amigos. Divertimo-nos muitos nas cidades por onde passamos", partilhou.
Em 'Till Forever Falls Apart' - canção que fez com Ashe em 2021 - enrolou-se numa bandeira portuguesa. No palco já andava a circular pelos elementos da banda um boné a combinar que Finneas também experimentou. Cantou o tema ao lado da teclista Lucy Healey e dos muitos que estavam naquele espaço do recinto. No pico da canção sobe para cima do teclado e finaliza o momento com um salto.
'Break My Heart Again', 'Let's Fall in Love for the Night' e 'For Cryin' Out Loud!' fecharam a noite. Festa de palmas e um agradecimento de Finneas com a mão ao peito. No final, norte-americano fez um aviãozinho com a setlist e pô-lo a voar em direção aos fãs.
A noite no palco NOS fechou com eletrónica em dose dupla. Os franceses Justice (dupla composta por Xavier de Rosnay e Gaspard Augé) regressaram ao recinto de Algés - onde atuaram em 2012 - com do disco HYPERDRAMA (2024). Hoje foi também a estreia do produtor e DJ italo-americano Anyma que transformou Algés numa experiência visualmente futurista.
