Há mais uma voz contra o uso da Inteligência Artificial na música

Brian May, o histórico guitarrista dos Queen, considera ser uma realidade "extremamente assustadora".

A utilização da inteligência artificial na criação de música continua a ser assunto de debate. Agora foi Brian May a abordar a questão durante uma entrevista à publicação "Guitar Player". O histórico guitarrista dos Queen mostrou-se preocupado e disse mesmo que considera ser uma realidade "extremamente assustadora".   

"Deixa-me apreensivo. Estou a preparar-me porque sei que é algo que me vai deixar triste", confidenciou o britânico na entrevista publicada na semana passada. "A minha maior preocupação é com a área artística, disse. Creio que por esta altura no próximo ano estaremos a viver uma realidade completamente diferente. Não saberemos distinguir. Não vamos perceber o que foi criado pela IA e o que foi criado pelos humanos. Acho que vai ser tudo muito difuso e muito confuso. Talvez nessa altura olhemos para 2023 como o último ano em que os humanos dominaram a cena musical", acrescentou. 

"Acho que pode ser algo sério, não me deixa feliz". O músico acrescenta, porém, que entende e defende a utilização da inteligência artificial na resolução de problemas, desde que não seja má intencionada.  

"O potencial da IA para o mal é, naturalmente, alto - não só na música, até porque ninguém morreria com isso na cena musical - mas podem morrer pessoas se a IA fôr mal utilizada na política e na questão do domínio mundial pelas várias nações", acrescentou o guitarrista. 

Brian May não é o primeiro músico a manifestar preocupação com a eventual má utilização da evolução tecnológica na manipulação da criação musical.

Numa entrevista dada em maio à BBC, Sting fez o mesmo. "É similar à forma como vejo filmes com CGI [Computer-generated imagery, um programa de inserção artificial de imagens muito usado em filmes de animação]. Não me impressiona de todo. Fico rapidamente aborrecido quando vejo imagens de CGI. Imagino que sinta o mesmo com a música feita por IA. Talvez funcione para a música eletrónica. Mas para canções que expressam emoções, penso que não me irão comover", disse o músico inglês.

Sting prevê uma "batalha que vamos todos enfrentar no próximo par de anos: a defesa do nosso capital humano contra a IA", lembrando que as estruturas musicais "pertencem-nos a nós, humanos".

Em agosto, Ed Sheeran também partilhou a opinião que tem sobre o assunto numa entrevista ao norte-americano  "Audacy Live".
"O que não entendo sobre a IA... é que nos últimos 60 anos, os filmes de Hollywood têm nos dito, 'não façam isso'. E agora toda a gente faz", disse o artista inglês.

"Pergunto-me. Não viram os filmes em que eles [robôs] nos matam a todos?", acrescentou Sheeran. "Também não entendo a utilidade. Há certas coisas... Se estamos a tirar trabalho a um ser humano, talvez seja uma coisa má", refere ainda. "A sociedade gira à volta do trabalho, de fazermos coisas. Se tudo for feito por robôs, toda a gente fica sem trabalho", concluiu o músico sobre a questão..