Marisa Liz ao "Camarim": "vestir aquilo que queremos é politico"
Novo episódio do podcast está já disponível. Vera Fernandes conduz a entrevista.
Já está disponível desde esta quarta-feira a entrevista a Marisa Liz no podcast "Camarim", que tem como mote inicial o novo álbum da ex-vocalista dos Amor Electro, “Relatos de um Coração Confuso”.
Numa conversa conduzida por Vera Fernandes, Marisa Liz aborda o seu segundo longa-duração, no qual colaboram Paulinho Moska, Rui Veloso ou Camané. “Começo a fazer este disco sem saber o que é que vou fazer, mas tendo o nome do disco [na cabeça] ‘Relatos de um Coração Confuso’, porque a confusão era tanta que me fez sentido serem quase pequenos relatos de várias emoções. No meio disso tudo, era a única certeza que eu tinha: ‘Este vai ser o título do meu próximo álbum’. Sim, era a única certeza até eu mudar de ideias, porque eu mudo de ideias várias vezes. Mas, geralmente, quando há algo que me bate, nem é emocional, é realmente estar de acordo com aquilo que eu estou a sentir naquele momento. E esse título foi o primeiro passo para começar a pensar no tipo de canções que eu queria ter, que letras, melodias, produção, tudo isso”.
Em entrevista realizada no auditório das rádios da Bauer Media, o Auditório Nuno Garcia, Marisa Liz não esconde que está “ansiosa para que a tour nova comece, porque vou ter tudo diferente. O cenário. Tenho mais um músico em palco que é o Zé Nuno, que toca como o caraças uma data de instrumentos. Ainda por cima tenho esta sorte. Tenho uma equipa que não são só competentes, são extraordinários naquilo que fazem. No talento e criatividade”. E acrescenta uma curiosidade: “Eu geralmente sou a única mulher na estrada, portanto nós temos que ser família ou então eles andam medicados”.
A entrevista de Vera Fernandes disseca uma das paixões de Marisa Liz: o pronto-a-vestir. “Eu sempre vi a moda não só como um alter-ego em relação a várias coisas, como tomadas de posição. Nós antes não podíamos usar calças; portanto, o facto de nós podermos usar e vestir aquilo que nós queremos é político. Eu não vejo a roupa só como uma coisa que eu vou vestir para não ter frio”. A sua peça de roupa preferida são mesmo as jardineiras: “Eu acho que a roupa que me define... se eu tivesse uma [roupa que me definisse], são umas jardineiras. É a roupa que mais me define porque não paro quieta. As jardineiras dão para fazer tudo, tem montes de bolsos para guardar coisas. Eu acho que as jardineiras foram das melhores invenções. Eu não sei porque é que não há jardineiras por todo o lado”. Mas Marisa Liz tem uma crítica de moda severa em casa: a própria filha. “Eu lembro-me de que, quando a Bia era pequena, houve uma vez que ela me disse assim na primária: ‘Ó mãe, tu quando me vieres buscar, podes ser mais parecida com as outras mães?’ E eu penso: ‘Como assim? O que é que isso quer dizer?’ E ela: ‘Podes vir com uma roupa assim normal’. E eu fiquei a pensar naquilo porque eu não sabia o que é que ela queria dizer com isto de roupa normal. Porque, para mim, a minha roupa é normal. Claro. E então fui de fato de treino, porque não tinha mais nada normal. E fui de fato de treino e quando a fui buscar, ela disse assim: ‘Epá, isso também é um exagero’”.
Podem ouvir neste link outras entrevistas do podcast "Camarim".
