Massive Attack mandam retirar a sua música do Spotify

Coletivo musical contesta investimento em IA militar pelo patrão da plataforma, Daniel Ek.

O influente projeto de trip-hop Massive Attack mandou retirar a sua música da plataforma de streaming Spotify em todo o mundo, em protesto contra o investimento do seu diretor-geral Daniel Ek em drones de munições militares e tecnologia de IA integrada em aviões de caça, através da empresa Helsing. 

Em comunicado, os Massive Attack insurgem-se também contra o desequilíbrio de ganhos no mercado musical em favor do Spotify, em que “o ónus económico que há muito recai sobre os artistas é agora agravado por um ónus moral e ético, pelo qual o dinheiro suado dos fãs e os esforços criativos dos músicos, em última análise, financiam tecnologias letais e distópicas. Já chega. Outro caminho é possível”.

Citado pelo jornal The Guardian, o porta-voz do Spotify responde que o Spotify e a Helsing são duas empresas separadas, acrescentando que a prioridade da Helsing é a defesa da Europa e da Ucrânia, e não o envolvimento em Gaza, que descarta. “Atualmente, tem havido a desinformação de que a tecnologia da Helsing está a ser utilizada em zonas de guerra fora da Ucrânia. Isso não é verdade. A nossa tecnologia está a ser utilizada nos países europeus apenas para dissuasão e defesa contra a agressão russa na Ucrânia".

Os Massive Attack estiveram na noite passada na Wembley Arena, em Londres, em que apresentaram os irlandeses Kneecap como “a banda que se recusou a ser silenciada pela sua solidariedade com o povo palestiniano”, antes do seu concerto para 12 500 pessoas, a maior multidão de sempre num concerto em nome próprio do projeto.