Metade dos carros na Baixa de Coimbra podia evitar o centro
Estudo conclui que parte significativa do trânsito na Baixa poderia ser evitada.
Estudo sobre a reorganização do trânsito na Baixa de Coimbra concluiu que metade das pessoas que anda de carro naquela zona não precisava de passar por lá e até teria trajetos mais curtos, afirmou hoje a presidente da Câmara.
"Metade das pessoas que andam de carro na Baixa podiam não andar", disse Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), que falava durante uma sessão pública promovida pelo município de Coimbra para refletir sobre o futuro da Rua da Sofia e da Baixa da cidade.
A presidente do município citava um estudo encomendado pela autarquia sobre a reorganização do trânsito na Baixa, referindo que foi feito um questionário para perceber destinos e origens de condutores que passavam pelo centro histórico de Coimbra, concluindo que metade poderia usar outros percursos na cidade que "levariam muito menos tempo".
Ana Abrunhosa recordou, no início da sessão pública, que o arranque da operação do 'metrobus' (autocarros em via dedicada) naquela zona da cidade irá implicar uma alteração substancial na circulação na Baixa de Coimbra.
Com o 'metrobus', está previsto que deixe de haver transporte individual na Rua da Sofia, com a via a ficar reservada ao transporte coletivo (no sentido do Tribunal), cargas e descargas e tráfego local para residentes, com regras de acesso semelhantes ao que acontece noutros pontos da Baixa.
Esta foi a única premissa prévia à sessão pública, afirmou Ana Abrunhosa, referindo que não havia "ideias feitas" pelo município quanto aos restantes usos e transformações da Rua da Sofia e zonas adjacentes.
"Esta será uma rua mais aberta para aquilo que considerarem que devemos ter", disse, admitindo que poderão ser feitas experiências no futuro, sem aplicar logo soluções definitivas.
A sala da Liga dos Combatentes reservada para a sessão tornou-se pequena para as mais de 100 pessoas que assistiram ao início da sessão.
Depois de várias intervenções de contextualização, os participantes foram convidados a dividirem-se em grupos, para apresentarem dificuldades e soluções para a Rua da Sofia, altura em que o número de participantes reduziu substancialmente.
Desafiados a pensar três blocos de intervenção (mobilidade e circulação, espaço público e património, comércio e vivência urbana) para a Rua da Sofia, os grupos apresentaram no final considerações e propostas para aquela zona.
«Se um grupo mostrou-se otimista quanto à prioridade que será dada ao peão e aos transportes públicos na Rua da Sofia, outro apresentou muitas preocupações quanto ao impacto que poderá ter no comércio.
Horários alargados para cargas e descargas, abrigos para as paragens de transportes públicos, soluções alternativas de circulação, um condomínio de comércio e serviços da Rua da Sofia, permitir comércio nos primeiros andares dos edifícios, um parque de estacionamento de bicicletas e uma casa de banho pública e a presença de árvores e canteiros com mobiliário urbano integrado foram algumas das propostas apresentadas.
