NOS Alive: a alegria das manas HAIM no entardecer de Algés
O palco NOS do quarto dia do festival de Algés arrancou com as californianas HAIM e os canadianos Mother Mother.
Mais um dia de família no palco principal do NOS Alive. Depois da família alargada dos Metallica, que cobriu ontem o recinto, hoje parece que foi o dia dos manos. As HAIM são irmãs, os Da Weasel têm dois irmãos - Carlão e João Nobre - e os Mother Mother, que abriram o palco, têm dois irmãos no coletivo: Ryan Guldemond e Molly Guldemond. Além destes dois, o grupo canadiano é composto por Mike Young, Ali Siadat e Jasmin Parkin. A banda, que atuou ainda debaixo do sol a escaldar, chegou a Algés com "Inside", disco que lançou em 2021 e que foi mais uma consequência criativa da pandemia.
O arranque do concerto foi às 18h00. Ryan Guldemond, o vocalista e guitarrista que fisicamente funde Sting e Billy Idol, ficou ao centro, ladeado pelas meninas. Os donos do baixo e da bateria ficaram lá atrás, embora o baixista, Mike Young, tenha andado a passear em vários temas. 'Oh My Heart' foi a primeira do alinhamento. Ouviu-se depois 'Let's Fall in Love', 'The Stand', que foi acolhido com aplausos tão energéticos como o coletivo canadiano, e 'Body Of Years', nesta altura com Ryan Guldemon a tocar guitarra deitado no palco.
"Há aqui alguém que tenha problemas? Todos temos problemas, mas nesta canção vamos atirá-los para o fogo", disse o agitado vocalista que, logo de seguida, puxou a banda para soltar 'Burning Piles' - esta que chegou e meteu o público a seguir a onda dos canadianos e a ondular com os braços. "Vamos tocar um tema novo que versa sobre estarmos a viver no momento presente. É o momento para apreciarmos a música, os amigos e a família. Esta é a minha irmã", apresentando Molly Guldemond. "Isto é a nossa vida e hoje é um dia muito especial. É a primeira vez que tocamos em Portugal, em Lisboa. Adoramos este país, esta cidade, a vossa cultura e as pessoas". 'Life', a tal música nova, foi tocada a seguir. 'Bit By Bit' arrancou aplausos convictos dos que estavam à frente do palco e fez a passagem para o final com 'Hayloft' e 'Hayloft II'.
Depois, ainda com o sol a arder (mas cada vez menos), chegaram as norte-americanas HAIM, nome que significa "vida" em hebraico. Fica a curiosidade. Vida foi o que não faltou à prestação das três meninas de Los Angeles e nas canções que transpuseram para o palco. HAIMen ao puro prazer de tocar ao vivo. Elas têm. Danielle, Alana e Este, que estavam animadas pelo retorno a Portugal, formam a tríade energética que esta tarde provocou um feliz alvoroço no palco principal do NOS Alive.
Conversadoras, brincalhonas e aguerridas, as irmãs californianas subiram ao palco para entregar um set que passou pelos três discos editados, com destaque, claro, para o mais recente - "Women in Music, Pt. III" - que saiu em 2020.
'Now I'm In It', a representar o novo álbum, foi a primeira a soltar-se do alinhamento, que começou ainda sem nenhuma HAIM no palco. Danielle foi a primeira a entrar, direta para o centro. Seguiu-se Este, que, depois de pegar no baixo, ocupou o lado direito. Entretanto, chegou Alana, aos saltos, para ajudar as irmãs a agarrar a canção. As três manas, alinhadas no palco tal como o estão na vida, não precisaram de suar muito para despertar o público. Fizeram-no ao primeiro tema com um espetáculo tripartido de percussão. Ao longo do concerto, foram trocando de instrumentos e insuflando as canções de diferentes géneros, mostrando o quão versáteis podem ser. O mais roqueiro 'My Song 5' - do disco de estreia "Days Are Gone" - continuou a agitar aquela zona do recinto, com Alana ainda com as mãos nas baquetas. Danielle assumia a guitarra e Este o baixo.
"É sábado, não têm desculpa para não enlouquecer", disse Alana antes de 'Want You Back' - do disco "Something To Tell" - que meteu o público a dançar com mais convicção.
A mais "apopalhada" '3 AM', com Danielle agora na bateria, teve direito a um breve momento teatralizado, com brincalhona Este a assumir o papel principal. A irmã mais velha da irmandade chegou a descer do palco para brincar com os que estavam na linha da frente.
'I've Been Down', cantada agora por Alana, foi a canção que veio a seguir e antecedeu 'Gasoline', com Danielle já devolvida à bateria. O solarengo 'Summer Girl', que teve um prelúdio ao saxofone - cortesia do músico Henry Salomon -, ficou mais para o final mas não para o fim. Ainda faltava ouvir três. 'Forever' veio antes de 'The Wire', com as três irmãs a alternar no papel de vocalista, e 'The Steps' fechou o regresso bem-aventurado das três irmãs a Portugal.











































