Nuno Markl faz a previsão dos Óscares
O nosso homem da rádio aposta no filme "Sinners", mas assume uma predileção pessoal por "Marty Supreme" e "Batalha Atrás de Batalha".
O radialista e guionista Nuno Markl é um cinéfilo incondicional. Este período de baixa incrementou ainda mais o seu consumo de filmes, o que lhe permite uma visão próxima dos candidatos aos Óscares.
A cerimónia decorre na madrugada de domingo para segunda-feira. “Sinners”, com 16 nomeções, e “Batalha Atrás de Batalha”, com 13, estão na linha da frente. Mas sabe-se, pela história, que os prémios da Academia de Hollywood costumam reservar grandes surpresas.
Nuno Markl tem tido uma boa dose de filmes. Foi com um entusiasmo de criança que falou connosco sobre o que se espera dos Óscares. “Este ano foi um milagre em termos de cinema, porque houve uma tonelada de coisas ótimas que provaram, para já, que a indústria está viva e que não está dependente de sequelas e de remakes. O Sinners é o melhor exemplo disso. É um filme que conquistou as pessoas com uma ideia original. O meu favorito do ano, é difícil de escolher entre o Batalha Atrás de Batalha e o Marty Supreme, mas também adorei o Sinners. É muito difícil escolher. Eu acho que em termos de previsão, o Timothée Chalamet depois de dizer aquelas coisas sobre a ópera e o ballet [desdenhando-os], é capaz de ter descido um bocadinho na consideração da Academia e, portanto, talvez o Michael B. Jordan seja merecidamente também vencedor do Oscar [de Melhor Ator]. Mas foi um ano incrível. O Weapons [com uma nomeação para os Óscares] é um filme maravilhoso, também uma reinvenção do terror. Eu acho que possivelmente vai ser o Sinners o grande vencedor. Não sei se é o meu favorito. [Mas] eu adorei o Sinners”.
No entanto, Nuno Markl reconhece o grande desempenho de Timothée Chalamet em “Marty Supreme”, que para ele merecia o Óscar de Melhor Ator. “Eu estava a ver o Marty Supreme e estava a pensar: ‘isto é uma interpretação digna do jovem Robert De Niro’. Ele faz-me lembrar o De Niro no Rei da Comédia e no Taxi Driver. Tem um bocado essa aura. Ele é, de facto, um grande ator. Não se pode pedir que, para além de ser um grande ator, seja uma pessoa com alguma sensibilidade [ainda sobre as suas declarações sobre a ópera e o ballet], mas desde que faça bem a profissão dele, eu acho que ele faz muito bem no Marty Supreme”.
Um ano depois da consagração nos Óscares do filme “Ainda Estou Aqui”, na categoria de Melhor Filme Internacional, Nuno Markl tem esperança na repetição do sucesso do cinema brasileiro, com o filme “Agente Secreto”, com quatro nomeações. “Eu acho que o Agente Secreto é um Cavalo de Tróia que de repente as pessoas estão a descobrir e a pensar que é um dos melhores filmes do ano e um dos mais inventivos e uns dos mais sensíveis. Eu adorei O Agente Secreto. Adoro todos os filmes do Kleber Mendonça. Julgo que é um filme que joga muito com a memória do cinema, com a memória da ditadura, no fundo, uma espécie de alerta para o risco destas coisas acontecerem outra vez. E, além disso, eu acho que é um filme muito divertido e muito artístico ao mesmo tempo. O [ator nomeado] Wagner Moura é incrível. Não são todos os filmes que têm uma perna que espanca. Adorei essa lenda. Muito bizarra mesmo”.
A baixa médica permitiu a Nuno Markl ver quase todos os filmes candidatos aos Óscares. “Devorei todos aqueles que podia. E eu acho que não ficou muito por ver”.
Nuno Markl mal pode esperar pelo dia em que possa regressar à mágica sala escura do cinema. “Tenho saudades de voltar ao cinema e gostaria que o primeiro filme que eu visse fosse o Projecto Hail Mary, porque papei o livro nesta minha nova vertente de devorador compulsivo de livros. Aproveitei para ler muita coisa. O Projecto Hail Mary foi um dos livros que eu li. Adorei o livro e acho que vou adorar o filme também”. O norte-americano Andy Weir escreveu o livro, a dupla Phil Lord & Christopher Miller realiza o filme, que se estreia por cá na próxima quinta-feira, dia 19.
