"São super-heróis." Patrícia Mamona salta até aos bastidores para "motivar e inspirar" nos Mundiais Universitários
A triplista vice-campeã olímpica em Tóquio volta a um cenário em que foi "muito feliz", mas desta vez para ajudar os atletas-estudantes portugueses a dar "o melhor de cada um".
Catorze anos depois da medalha de prata que conquistou nos Jogos Mundiais Universitários de Shenzhen, Patrícia Mamona é chefe da missão portuguesa aos jogos de Rhine-Ruhr 2025, que começam esta quarta-feira na Alemanha, e vê este papel como uma oportunidade de "motivar e inspirar" a nova geração de atletas que representam Portugal.
Com um percurso de topo no atletismo, a atleta de 36 anos que se sagrou vice-campeã olímpica em Tóquio 2020 confessa que é um regresso a uma casa onde foi "muito feliz", embora com um papel diferente.
"Trago a experiência que tive como atleta para conseguir motivar e inspirar esta nova geração de atletas que estão aqui a representar Portugal, mas também com um papel diferente, de conseguir, de certa forma, coordenar e dar as condições importantes para os nossos atletas conseguirem estar focados, cada um na sua competição, para nos darem resultados que nós tanto queremos. Acima de tudo, se calhar sou uma chefe de missão que entende o que é ser atleta, que entende os desafios dos atleta", explica em entrevista à rádio, acrescentando querer ser "coordenadora, inspiradora e motivadora".
Sete medalhas
O objetivo a alcançar está colocado em "bater o recorde das sete medalhas" conseguido por Portugal precisamente na última edição destes Jogos, em Chengdu, na China, há dois anos. Mas, avisa, como em todas as competições, "começa do zero e tudo pode acontecer".
"O que caracteriza as competições são as surpresas. Por isso, também espero ter algumas surpresas positivas, mas também podemos ter surpresas pela negativa. Cada vez que vamos para uma competição e vamos representar uma seleção, definimos objetivos e o nosso objetivo é bater o nosso recorde. Felizmente, nas últimas edições dos Jogos Mundiais Universitários conseguimos sete medalhas e ficávamos muito felizes se conseguíssemos bater esse recorde", reconhece. Ainda assim, "prognósticos só se fazem depois do jogo".
A triplista assume até que não quer provocar "pressão adicional" à equipa nacional, por saber que "há atletas que não conseguem gerir", pelo que a responsabilidade e mensagem que deixa enquanto chefe de missão é a de que "apenas deem o seu melhor, porque o melhor de cada um é o suficiente para conseguirmos bater este recorde das sete medalhas em Chengdu".
"Super-heróis"
Nesta conversa com a rádio, Patrícia Mamona não deixa de elogiar o trabalho dos atletas universitários, que vê como "super-heróis" encarregados de equilibrar dois mundos: "O desporto de alto rendimento e, obviamente, a parte académica".
A experiência diz-lhe que "não é necessariamente uma coisa muito fácil, porque vai para além dos limites do que é só ir às aulas e do que é só ir treinar". A frequentar um Mestrado em alto rendimento, nota perceber "perfeitamente" as dificuldades dos atletas nacionais.
"Temos de dar os parabéns aos nossos atletas porque eles são representativos que é possível ter estas duas carreiras em simultâneo. Obviamente, há aqui algumas complicações, porque muitos atletas não conseguem fazer tudo, ou pelo menos a parte académica a 100%, porque o dia só tem 24 horas e, por vezes, temos atletas que têm bidiários. Mas a minha experiência, também aqui como atleta estudante, de certa forma vem exemplificar aquilo que os nossos atletas, são. E eu acho que eles são super-heróis pelo facto de conseguirem fazer esta dualidade e estar presente nestes grandes campeonatos que vão surgir", elogia.
Para Patrícia Mamona, são mesmo a prova de que o "estereótipo de que não é possível fazer as duas [carreiras]" não passa mesmo de um estereótipo: "Temos muitos exemplos de atletas que foram olímpicos, que foram semifinalistas nos Jogos Olímpicos, muitos deles médicos, que conseguiram, conciliar a parte académica com a parte desportiva."
A comitiva portuguesa nestes Mundiais Universitários é a maior de sempre, com 82 atletas e um total de 125 pessoas entre equipas técnicas, médicas e oficiais. Vão competir, a nível individual, em Atletismo, Ginástica Artística e Ginástica Rítmica, Judo, Natação, Taekwondo, Ténis, Ténis de Mesa e Tiro com Arco. Já o Basquetebol Feminino e Voleibol Masculino contam com participações coletivas.
Os jogos acontecem em seis cidades alemãs - Bochum, Duisburg, Essen, Mülheim, Berlim e Hagen - e juntam, no total, 8500 estudantes-atletas e dirigentes de 150 países até 27 de julho.
