Porto Editora reúne Pulitzer, best-sellers e novas vozes num catálogo que quer "mudar o mundo"

A Porto Editora apresenta novos títulos que desafiam o futuro: de Zimler a Sanna Marin, são livros para compreender um mundo em mudança.

A Porto Editora revelou esta quarta-feira, na Fundação José Saramago, as principais novidades editoriais para o final de 2026, numa apresentação marcada pela diversidade de géneros e temas. Literatura, thriller, poesia, biografia, pensamento político e ensaio cruzam-se num programa editorial que pretende responder às inquietações do presente sem perder de vista a força da narrativa e da imaginação.

Uma das grandes apostas é a nova trilogia de Richard Zimler, que se inicia com A Deusa das Coisas Interessantes, seguindo-se No Abismo das Ilusões e O Último Golpe de Asa. Pela primeira vez, o escritor abandona os cenários históricos que marcaram a sua obra e transporta os leitores para um futuro situado 300 anos após uma guerra devastadora que levou a humanidade a rejeitar a tecnologia.

Na apresentação da obra, a editora destacou que a trilogia "afirma a diferença, a fragilidade e a compaixão contra qualquer projeto de normalização do ser humano" e "ajuda-nos a pensar como uma mensagem originalmente humanista pode ser deformada pelo poder e transformada num pretexto para a violência".

No campo do thriller, a dupla sueca Lars Kepler regressa com Medusa, o 11.º livro protagonizado pelo inspetor Joona Linna. A narrativa decorre numa unidade psiquiátrica de alta segurança na Suécia, onde um homicídio desencadeia uma investigação marcada pelo secretismo, pela tensão psicológica e pela presença de uma misteriosa figura conhecida como “A Rainha”, que controla os restantes internados.

Outro dos regressos mais aguardados é O Regresso à Cabana, de William Paul Young. Sequela do fenómeno editorial A Cabana, que vendeu mais de 25 milhões de exemplares em todo o mundo, a obra revisita a família marcada pelo assassinato de uma criança e volta a abordar temas como o sofrimento, a fé, o perdão e a esperança.

"Se calhar estamos ainda mais no momento certo para ler livros como A Cabana e O Regresso à Cabana, que nos obrigam a olhar para dentro e a refletir sobre a dor, o perdão e a esperança", sublinhou Paula Bento durante a apresentação.

Entre os autores portugueses, destaque para a biografia de Germano Silva, assinada pela jornalista Mariana Coimbra Pinto. O livro acompanha a vida do historiador, jornalista e divulgador da cidade do Porto, que completa este ano 95 anos.

"Não se escreve sobre o Germano sem o Porto. E eu acrescento: não se escreve sobre o Porto sem o Germano", afirmou a responsável editorial, sublinhando a importância da figura homenageada para a memória da cidade e do país.

Na Literatura Mundial, a Porto Editora estreia em Portugal a escritora japonesa Yuko Tsushima com Território de Luz. Considerada uma das mais importantes vozes da literatura japonesa da segunda metade do século XX, a autora retrata a vida de uma mãe solteira que tenta reconstruir a sua existência numa sociedade profundamente patriarcal.

"É realmente um orgulho enorme publicar finalmente a Yuko Tsushima em Portugal", destacou a editora responsável pela obra, lembrando a influência internacional da escritora, frequentemente comparada a nomes como Annie Ernaux.

Outro dos grandes destaques internacionais é Fincas, o novo romance de Hernan Diaz, vencedor do Prémio Pulitzer em 2023 com Confiança. O autor imagina uma sociedade futura onde os Estados deixaram de existir e onde a energia se tornou um recurso precioso, acompanhando uma protagonista que sobrevive roubando eletricidade de infraestruturas em decadência.

"Com este título, Hernan Diaz prova indisputavelmente que é um dos grandes romancistas contemporâneos", considerou a editora.

A Porto Editora anunciou igualmente a publicação de um volume inédito que reúne os textos jornalísticos de Ernest Hemingway. Organizada por William White, a obra compila quatro décadas de reportagens, crónicas e ensaios escritos pelo Nobel da Literatura.

"São seguramente a prova de que Hemingway era um grande contador de histórias", referiu a editora ao apresentar o volume, que percorre temas como as guerras mundiais, Cuba, África e a vida em Paris nos anos 20.

Na área do pensamento e da atualidade, a chancela Ideias de Ler apresentou Esperança e Ação, da ex-primeira-ministra finlandesa Sanna Marin. O livro relata os desafios da liderança durante a pandemia e a guerra na Ucrânia, mas também reflete sobre o papel das mulheres na política.

"O futuro pertence-nos, a nós mulheres, e a todas as mulheres que querem ter um papel ativo na sociedade e na política", foi uma das ideias destacadas durante a apresentação da obra.

Foram ainda apresentados títulos como Caos e Progresso, de Carlos Guimarães Pinto e José Maria Pimentel, dedicado à relação entre inovação tecnológica e transformação social; A Sociedade Ansiosa, do psiquiatra Pedro Morgado; e A Nova Idade das Trevas, do jornalista James Marriott.

Ao apresentar estas obras, Álvaro Reis Vidal defendeu que a editora pretende "levar às pessoas livros que podem mudar o mundo" e alertou para os desafios do presente. "Estamos neste momento a atravessar a fase do caos", afirmou, referindo-se ao impacto das redes sociais e da inteligência artificial. Sobre o ensaio de James Marriott, destacou ainda a ideia de que "a perda de leitura leva à perda de conhecimento, à perda de criatividade e pode conduzir-nos a uma nova idade das trevas".

Na poesia e literatura portuguesa, a Assírio & Alvim anunciou a publicação de A Escola do Paraíso, de José Rodrigues Miguéis, considerada uma das obras maiores da literatura portuguesa do século XX, bem como novos livros de Filipa Leal, Gulbena Rego e Diogo Paes de Oliveira. A editora prepara ainda uma antologia de poesia clássica chinesa traduzida por Joaquim Palma.