Seis meses depois da 'Kristin' ainda faltam mão de obra e apoios para a reconstrução
A região centro do país ainda recupera dos efeitos da tempestade kristin.
A falta de mão de obra é um dos grandes problemas na recuperação dos efeitos da tempestade kristin, que afetou a região centro do país há precisamente seis meses.
"É seguramente no setor da construção civil e florestas. Estamos neste momento a fazer levantamentos com associações empresariais dos setores para nos darem o número de necessidades e estamos obviamente em reuniões permanentes com o IEFP e também com a AIMA, para se criarem planos de formação muito intensivos, muito em contexto real, que possam obviamente mitigar também essa falta de mão de obra, que diria que nesses setores já era endémica, já era pré-tempestades, mas obviamente agora ficou ainda mais exposta com esta necessidade tão intensa de recursos", explica o presidente da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Paulo Fernandes.
Na floresta, onde há milhares de árvores caídas, o responsável diz que está ser feito o possível para reforçar o numero de profissionais para fazer a limpeza: "todos os operadores, operadores de máquinas, motociclistas, sapadores, vamos procurar reforçá-los nos próximos tempos."
Apoios à reconstrução de habitações
No capítulo das habitações, o presidente da Estrutura de Missão refere que mais de 160 mil famílias receberam apoio para a reconstrução das casas, num total de 190 mil processos que juntam as seguradoras e as comissões de coordenação e desenvolvimento regional.
"Nós teremos já dinheiro em cerca de 160 a mil famílias, ou seja, uma taxa de execução geral no valor do apoio às habitações superior a 80 por cento", adiantando que "conseguiram colocar-se valoresde mais de seiscentos milhões de euros nas famílias para elas poderem fazer ou serem reembolsadas do valor das suas intervenções."
Quanto às candidaturas que estão a ser analisadas ainda pelos municípios, Paulo Fernandes espera que fiquem concluídas nas próximas semanas.
"Dos cerca de seis mil processos que faltam, cerca de 30 por cento também têm seguros e de facto está a acontecer uma velocidade de cruzeiro muito forte e nos dois, três municípios, alguns deles muito grandes, como Leiria, que obviamente têm feito um trabalho extraordinário, creio que também vão culminar em muito poucas semanas todo esse trabalho", sublinha.
Comunicações
Quanto às comunicações, Paulo Fernandes admite que mil habitações podem ainda ter problemas, sendo que no início foram afetadas mais de 500 mil.
"O número que temos é, neste momento, mil habitações em telefone fixo que não estão ligadas. (...) Estamos a falar de um número absolutamente já residual e que não tem sequer até relevância já estatística, porque podemos estar a falar daquilo que muitas vezes são avarias e de algumas casas que estão fechadas e como tal não foi possível fazer essa reposição."
Ainda assim, garante que em situações de isolamento de idosos há "sistemas de alerta, de reorientação específica e concreta de um conjunto de entidades, nomeadamente a nossa, que recebendo também a informação, obviamente a faz chegar diretamente aos operadores, à ANACOM para obviamente poder agir mais em conformidade."
Apoio total no terreno
O presidente da Estrutura de Missão diz que o apoio total que chegou à região ultrapassa os 3 mil milhões de euros.
"O valor global que nestes primeiros seis meses já foi colocado no beneficiário final, ou seja, nas pessoas ou entidades que são elas as próprias têm o prejuízo e que agora estão a fazer os seus processos da execução física ou estão a ser ressarcidos, alguns que já começaram a execução física logo no primeiro dia ou no segundo dia pós tempestades, o valor já é superior a 3.5 mil milhões de euros. (...) É um valor igual ao programa mais pesado dos fundos comunitários estruturais do 2030 que é o programa operacional do Norte, que tem uma verba global para executar entre sete a nove anos de 3.5 mil milhões de euros."
Autarquia de Leiria aponta setembro para concluir candidaturas
A Câmara Municipal de Leiria espera concluir em setembro a análise das candidaturas aos apoios para as casas afetas pela tempestade.
Das mais de 10 mil candidaturas que chegaram ao munícipio, "estão a aguardar processamento de 2.351 candidaturas."
O presidente da câmara, Gonçalo Lopes, diz que a autarquia está "a fazer um ritmo aproximado de quinhentas casas por dia, portanto, em princípio, no mês de setembro, temos este trabalho concluído", sublinhando que foi feito "um esforço suplementar, em termos técnicos para dar a resposta necessária e com a qualidade que se exige."
A falta de mão de obra e empresas é outro problema, o que atrasa a reconstrução das casas também em Leiria.
