Tem crédito à habitação? Prestação volta a aumentar em setembro

O maior aumento será nos contratos com Euribor a 12 meses, que sejam revistos no próximo mês. Deco Proteste deixa recomendações às famílias.

A prestação da casa ao banco volta a aumentar para os contratos revistos em setembro, uma subida que pode variar entre os 23 e os mais de 70 euros.

"A magnitude desses aumentos irá depender do indexante que utilizar no seu contrato. Para termos aqui o exemplo, utilizamos então os 150 mil euros a 30 anos com spread de 1%. Para quem tenha a Euribor a três meses, deverá contar com um aumento a rondar os 23 euros. No caso da Euribor a seis meses, esse aumento irá superar os 46 euros. E no caso da Euribor a 12 meses, irão ter que suportar um aumento acima dos 70 euros", explica Nuno Rico, economista da Deco Proteste.

E as perspetivas não são animadoras para os próximos meses: "estamos agora a fazer seis meses do início do conflito do Médio Oriente, e desde então a média da Euribor a seis meses já se agravou quase 30%. E é precisamente este fator, que faz com que as perspectivas para as próximas semanas e meses, é que esta situação se irá manter. Ou seja, as famílias terão que contar com esta subida das prestações à medida que os seus contratos forem revistos".

Um agravamento na prestação da casa a somar "a um aumento generalizado do custo de vida, e também na questão dos combustíveis, que se está a refletir um pouco por toda a economia e que certamente se vai refletir nos próximos meses."

BCE prepara-se para aumentar juros em setembro

O economista prevê que em setembro o Banco Central Europeu (BCE) aumente as taxas de juro, o que pode afetar indiretamente os contratos de crédito à habitação.

"As taxas de juro do BCE não influenciam diretamente os contratos de crédito à habitação, mas influenciam indiretamente as taxas Euribor, e que acabam depois por se refletir nos contratos. (...) E tudo indica que é muito provável que vá ocorrer um novo agravamento das taxas diretoras. E isso irá levar a que há uma confirmação, digamos assim, desta tendência de subida que já se está a registar nos mercados e vai prolongar, digamos, este efeito durante mais algum tempo na economia", refere Nuno Rico.

Recomendações aos consumidores

Perante as previsões, o economista deixa recomendações às famílias para atenuar o provável aumento nas prestações: "Se está numa situação de ter o seu contrato revisto brevemente, começar desde já a procurar soluções junto do seu banco, ou até na concorrência, se verificar que tem melhores possibilidades. Também outra hipótese é tentar, se tiver possibilidades para isso e poupanças, fazer aqui uma amortização antes que haja a revisão do contrato, para que haja uma atenuação de uma eventual subida da taxa de juro associada ao contrato."