Tudo pronto para o arranque do MEO Kalorama
Andreia Criner, Diretora de Comunicação do festival, antecipa os três dias de música e arte urbana que arrancam hoje no Parque da Bela Vista.
Três dias, quatro palcos e uma série de pilares que sustentam o festival que logo na edição de estreia (2022) foi reconhecido com várias distinções, entre as quais a de Melhor Novo Festival Ibérico e Melhor Atuação Internacional ao Vivo num festival português, com o concerto de Nick Cave & The Bad Seeds, nos Iberian Festival Awards.
A música, a arte urbana, sustentabilidade, a inclusão, a representatividade e a ideia de comunidade solidificam o festival que acontece de 31 de agosto a 2 de setembro. A música vai estar distribuída por quatro palcos no Parque da Bela Vista, sendo um desses palcos - o Panorama - uma das novidades de 2023.
Blur, The Prodigy, Yeah Yeah Yeahs, Florence + The Machine, Aphex Twin, Arca, M83, Metronomy, The Blaze, Arcade Fire, Foals, The Hives, Siouxsie ou Pabllo Vittar são alguns dos destaques da segunda edição, mas há tanto mais a destacar que o melhor será espreitar todos os artistas que vão animar os três dias do festival lisboeta:
Quais as grandes novidades da edição de 2023?
Há mais um palco. Agora são quatro palcos. O novo palco é o Panorama, que é dedicado apenas à música eletrónica. É o primeiro palco a abrir e o último a fechar. Começa a funcionar com a abertura de portas e termina com o encerramento de portas, isto é, funciona das 14h00 até 02h00 no primeiro dia e até à 01h00 nos dias 1 e 2 de setembro. É o palco onde, essencialmente, se vai dançar. É como se fosse um club a céu aberto. É um palco pequeno, situado no meio do bosque no Parque da Bela Vista. Em termos de som, está em quadrifonia e tem ótimas propostas, entre as quais destaco o Tiga. Acho que as pessoas vão gostar muito deste palco.
Outra novidade tem a ver com o pilar deste festival que é a arte urbana. Temos o dobro dos artistas e o dobro das obras de arte relativamente a 2022. Continuamos com a curadoria dos Underdogs, mas com muito mais artistas. O facto de podermos desenvolver este pilar e de podermos partilhar mais propostas de arte urbana com o público é algo que nos enche de alegria.
E como foi compor o cartaz da segunda edição?
Partimos para a programação do MEO Kalorama, quer a nível musical quer a nível de tudo o resto, com uma grande ambição e também com a responsabilidade de quem sabe que a edição de estreia correu tão bem. As expectativas estavam muito altas. Quisemos ter um cartaz absolutamente em linha com o do ano passado, do ponto de vista da qualidade. Quisemos também manter o equilíbrio entre os artistas consagrados e os artistas emergentes, as novas propostas e as novas tendências. São artistas vão marcar o futuro da música. Nesse sentido e em linha com 2022, achamos que estamos a cumprir as expectativas e, em certos casos, a ultrapassá-las.
Um exemplo disso mesmo é termos cerca de 40% de mulheres entre as diversas propostas musicais ou de termos a preocupação da representatividade LGBTQIA+. Acho que mostra o cuidado que temos quando escolhemos a programação, uma escolha que é feita dentro da possibilidade de artistas que estão disponíveis. Não somos só nós a escolher os artistas. Tendo em conta a atual oferta de festivais acabam por ser os próprios artistas a escolher os festivais onde atuam. Atuar no MEO Kalorama significa que se reveem, de alguma forma, no festival. Há muitas propostas em cima da mesa. A opção dos artistas em atuar em determinado festival vai sendo cada vez mais importante.
E sempre com o compromisso da sustentabilidade, claro...
A sustentabilidade é o nosso terceiro pilar. Na verdade, todos os nossos pilares se entrecruzam. A sustentabilidade norteia todo o festival, desde logo porque a própria sustentabilidade acaba por ter vários pilares. Tem o pilar ambiental, que é talvez o mais mediático, mas também tem a vertente socioeconómica, que se reflete no trabalho que fazemos com o Chelas que é o bairro onde está inserido o Parque da Bela Vista. É importante para nós levarmos a comunidade para dentro do festival. Há várias pessoas que trabalham connosco que são de Chelas, por exemplo. Além disso, contamos com quatro artistas de Chelas na programação, o que já tinha acontecido no ano passado. Esses quatro artistas estão no lote dos 17 artistas nacionais que estão no cartaz.
Em relação à parte ambiental, que é um fator fundamental, fazemos um planeamento para a gestão de resíduos. Os festivais, dada a sua efemeridade, acabam por gerar muitos resíduos, sobretudo se não houver um plano definido para antes, durante e depois do festival. No ano passado, conseguimos reciclar sete toneladas de plástico. Com a parceria com a Refood, com quem renovámos a colaboração este ano, conseguimos doar 4 mil e 100 refeições. Temos uma parceria com a Valorsul para encaminhamento de resíduos.
O nosso staff está formado para acolher pessoas com mobilidade condicionada, pessoas surdas. Temos plataformas específicas para as pessoas com mobilidade condicionada e também para que as pessoas surdas possam sentir a música junto aos palcos. Este tipo de ações e de investimentos têm sempre em conta a inclusão, que é uma vertente muito importante da sustentabilidade. Queremos que essa vertente cresça de uma forma sólida ao longo das edições. A ideia é manter o que temos e ir incluindo novas formas de inclusão de edição em edição.
E o futuro do MEO Kalorama?
Pensar no futuro do festival permite-nos pensar de forma estratégica. Pensamos onde estamos e aonde queremos chegar. Um dos pontos que estamos a desenvolver é a ideia de comunidade. Queremos apostar na comunidade "We Are MEO Kalorama". Este ano, já partilhámos um conjunto de conteúdos nas redes sociais do festival que destacam uma série de pessoas. E as comunidades são feitas disso mesmo. São feitas de pessoas que partilham valores, gostos, objetivos, experiências. Neste caso, destácamos uma série de pessoas, ligadas às artes e à cultura, com talentos diversos. Algumas são portuguesas e outros são estrangeiros que vivem em Portugal, nomeadamente em Lisboa. Tem sido muito interessante desenvolver estes conteúdos porque, mesmo parecendo que é algo que está longe da música, acaba por não estar. O que une todas estas pessoas, além dos talentos que têm, é a música e a forma como a música é tão central nas atividades artísticas que desenvolvem. Esta é definitivamente uma ambição do MEO Kalorama. Queremos criar uma comunidade que se relacione fora do festival. O objetivo é que o festival seja o ponto de encontro anual desta comunidade.
Outro objetivo é estender a toda a cidade de Lisboa o diálogo que mantemos com o bairro de Chelas e ter esse diálogo ao longo do ano. É uma ambição nossa, uma estratégia que temos pensada e que, esperamos nós, será desenvolvida ao longo do tempo. É importante dar passos sólidos e ir fazendo mais um bocadinho todos os anos. Em cada edição queremos fazer um bocadinho mais e melhor.
