Último autógrafo de Rita Lee foi para o neto

A artista brasileira morreu no passado dia 8 de maio. Tinha 75 anos.

Antônio Lee - o filho mais novo de Rita Lee e Roberto de Carvalho - contou aos seguidores que o último autógrafo que a mãe deu foi ao seu filho Artur, de apenas cinco anos. 

O filho da artista brasileira publicou uma fotografia do autógrafo na conta oficial de Instagram e ainda partilhou um texto emotivo a acompanhar a imagem. Rita Lee deu o autógrafo ao neto quando estava internada no hospital.

"Esse foi o último autógrafo da minha mãe. Quando eu era pequeno, não entendia muito bem esse ritual. Pessoas surgiam do nada com papel e caneta, mãos meio trêmulas. Ficavam hipnotizadas enquanto minha mãe fazia uns rabiscos. Depois, pegavam o papel de volta e saíam chorando, emocionadas. Por que um papel com um nome assinado causava tanta comoção?", começou por escrever.

"Com o tempo, o autógrafo foi cedendo espaço para as selfies no celular e vídeos mandando recado. Mas, hoje, mais do que nunca, eu entendo o barato do autógrafo. O autógrafo é analógico. É uma relíquia, um pedaço daquele momento, uma prova viva com reconhecimento de firma que o encontro realmente aconteceu. Nunca vi minha mãe negar um autógrafo. O pior que podia acontecer a um fã era chegar sem papel nem caneta e ela soltar o famoso 'pô, bichô!?'", acrescentou Antônio Lee, um dos três filhos da cantora.


"Um dia, enquanto visitava ela no hospital com meu filho Arthur, de 5 anos, o assunto veio à tona. Eu comentei que a vovó Rita tinha um autógrafo muito legal, com desenho de disco voador e tudo! Ele ficou animado: 'Eu quero um autógrafo da vovó Rita!' E ela, claro, não negou. Coloquei no colo dela um papel e uma caneta. As mãos estavam fracas, o punho já não tinha a mesma flexibilidade de antes. Mas ela se lançou no desafio. Primeiro, fez a dedicatória e a assinatura. Depois, o disco voador, provavelmente seu assunto preferido. Ela sempre se dedicava mais nessa parte. Enquanto terminava o desenho, reclamou que a mão não obedecia como queria. Não satisfeita com o disco, tentou desenhar outro mais para a direita, só para provar a si mesma que conseguia fazer um melhor. Até que desabafou: 'a mão não tá indo, saco!'", contou ainda Lee.

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"São mais de 50 anos dessa troca entre ídolo e fã. Foram milhares de vezes repetindo esse mesmo gesto. Milhares de folhas de papel espalhadas por aí que marcam um momento em que ela esteve presente. E sem saber que aquela seria a última vez, foi lá e assinou seu nome tão lindo. Dedicado a um grande fã que vai sentir muitas saudades da vovó. Feliz dia das Mães mais dolorido do mundo, Mãezinha", acrescentou.

Conhecida como a "rainha do rock brasileiro", mas auto-proclamada "padroeira da liberdade", Rita Lee morreu a 8 de maio, em São Paulo, Brasil, rodeada pela família, depois de ter sido diagnosticada com um cancro no pulmão. Tinha 75 anos.