GNR quer reativar Brigada de Trânsito ainda este ano. Vigilância aérea em dias de risco de incêndio é também uma das prioridades
Declarações do comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, Rui Veloso, na sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em setembro de 2023.
O comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR) espera que a reativação da Brigada de Trânsito (BT) aconteça ainda este ano e considera que cerca de 1.800 militares vão ser suficientes para controlar todas as estradas principais e autoestradas do país.
“Agora com as novas tecnologias, com o novo sistema de comando e controlo, eu julgo que, eu não quero aqui adiantar o número poderia ser mal interpretado, mas julgo que a BT com cerca de 1.800, 1.900 militares, consegue novamente assumir o controlo total sobre os itinerários principais e as autoestradas do país”, disse o tenente-general Rui Veloso à agência Lusa, na sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em setembro de 2023.
A BT, extinta há quase 20 anos, foi anunciada em abril pelo ministro da Administração Interna como uma medida de reduzir a sinistralidade rodoviária no país.
O comandante-geral da GNR considerou que “a segurança rodoviária é um dos maiores problemas de segurança interna no país”, defendendo que “tem de ser feito alguma coisa” para que os números sejam alterados e controlados”.
“Julgo que a Brigada de Trânsito irá ter a quota parte, precisamente, no controlo dessa sinistralidade”, salientou, defendendo que tem de haver “uma maior presença na estrada e maior visibilidade nas patrulhas”.
Com a BT, segundo o responsável, vai passar a existir “mais fiscalização, mais patrulhamento e mais controlo”.
“As pessoas vão sentir que está ali uma patrulha, seja para fiscalizar, seja para controlar, seja para ajudar. Acho que as próprias pessoas terão uma mentalidade completamente diferente e esperamos com isso também reduzir a sinistralidade”, precisou, recusando que este reforço da visibilidade nas estradas seja uma “caça à multa”.
Rui Veloso considerou que “mais importante do que levantar um auto é fazer a prevenção e visibilidade porque, se um automobilista olhar para uma patrulha e ver a patrulha, o comportamento muda completamente”.
Apesar de não existir ainda uma data prevista para a entrada em funções da BT, o comandante-geral da GNR confessou que gostaria que a reativação fosse antes de 2027, apesar do trabalho que ainda há para fazer e de ser necessário encontrar um local para a sede da BT.
Rui Veloso disse também que é necessário alterar alguma legislação, nomeadamente a lei orgânica da GNR.
“Estamos a fazer estes estudos e esperamos em breve apresentar ao ministro toda esta alteração legislativa e, o quanto antes, tentar voltar a criar a Brigada de Trânsito”, disse.
Questionado sobre se BT vai retirar competências à Polícia de Segurança Pública (PSP) na área do trânsito, referiu que não, mas realçou que “não faz sentido haver autoestradas ou itinerários principais partilhados porque a questão do trânsito e os movimentos são nacionais".
Disse ainda que não faz sentido, que na mesma autoestrada ou itinerário, a PSP seja responsável por alguns quilómetros, nos quilómetros seguintes seja a GNR e depois mais à frente volta a ser a PSP.
Na mesma entrevista, Rui Veloso defendeu a utilização de helicópteros para fazer vigilância nos dias de risco de incêndio elevado, avançando que a corporação insistiu este ano com o pedido depois de detetada a falha em 2025.
“É muito mais fácil controlar determinadas zonas a partir do ar do que em terra. O ano passado não foi possível fazer essa vigilância através dos helicópteros da Força Aérea, mas este ano voltamos a insistir nessa situação e esperamos conseguir os helicópteros”, disse, afirmando que foi uma lição apreendida do ano passado.
Rui Veloso acrescentou que “ainda não está decidido” se vai ser possível fazer aquela vigilância com helicópteros, sendo uma decisão que depende da Força Aérea e Proteção Civil.
Além do patrulhamento dos espaços rurais com os drones, já disponíveis na GNR, o responsável considerou ser “uma mais-valia para o sistema” a vigilância aérea com helicópteros quando o país está em períodos críticos e em situação de alerta especial devido ao risco elevado de incêndio.
O comandante-geral da GNR avançou também que este ano vai funcionar no comando-geral da GNR, no Largo do Carmo em Lisboa, uma célula onde trabalham várias entidades, nomeadamente IPMA, Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) e Proteção Civil, que todas as semanas elaboram um estudo com previsões e itinerários de patrulhamento e vigilância.
O responsável considerou que o sistema de alerta está “muito melhor do que no passado”, mas é necessário continuar a investir na vigilância, deteção, comunicação rápida e atuação na primeira intervenção de combate aos fogos.
A GNR está neste momento na fase de sinalização de terrenos e, segundo o comandante-geral, já foram identificados perto de 12 mil terrenos por limpar, nomeadamente em locais junto a casas, aldeias, rede rodoviária e ferroviária.
Os proprietários têm até 30 de maio de obrigatoriamente limpar os terrenos, passando depois a GNR para a fase de fiscalização.
Na zona de Leiria, onde existem milhares de árvores caídas devido à depressão Kristin, o prazo foi prolongado até ao fim de junho, além de ter sido instalado um Comando Integrado de Prevenção e Operações para a remoção do material combustível, limpeza de áreas críticas, reabertura de caminhos e melhoria de acessos.
O comandante-geral da GNR anunciou que vai ser criado no verão naquela zona um plano específico de vigilância e um patrulhamento diferenciado, tendo em conta que vai ser difícil limpar todos os terrenos.
Rui Veloso indicou ainda que este ano a GNR já deteve mais de 80 pessoas pelo crime de incêndio florestal, mais do que em todo o ano do ano passado, sendo a maioria relacionado com descontrolo de queimas e queimadas.

