Músicos reagem à morte de Mark Lanegan

Iggy Pop, Garbage, Slash, Tó Trips, Peter Hook, entre outros, prestam tributo ao músico que morreu ontem, aos 57 anos.

Mark Lanegan, músico, compositor e autor, morreu ontem na casa que tinha em Killarney, na Irlanda. O ex-Screaming Trees e dono de uma respeitável e prolífica carreira a solo tinha 57 anos. A causa da morte não foi divulgada. 


Mark Lanegan foi vocalista e membro fundador dos Screaming Trees, uma das bandas pioneiras da cena grunge de Seattle, Estados Unidos, que existiu entre 1985 e 2000. 

O músico, conhecido pela voz poderosa, rouca e sombria, também participou numa série de outros projetos como os Queens of the Stone Age ou os Mad Season. Passou diversas vezes por Portugal com o seu trabalho a solo e também nos visitou com os QOTSA. Só no Festival Paredes de Coura esteve cinco vezes.


O veterano Lanegan, que nasceu em Ellensburg, no estado de Washington, em 1964, colaborou com uma lista extensa de nomes como Greg Dulli (Afghan Whigs) com quem formou os Gutter Twins, Isobel Campbell (dos Belle and Sebastian), Soulsavers, PJ Harvey, Mondo Generator, Maggie Björklund, Moby, Manic Street Preachers e até com os portugueses Dead Combo com os quais subiu ao palco do festival Paredes de Coura, em 2018, depois de ter participado no disco "Odeon Hotel" da dupla de Tó Trips e Pedro Gonçalves. Em 2019, voltou a atuar com os dois músicos portugueses.


A solo, Mark Lanegan editou 12 discos. O primeiro, "The Winding Sheet", foi lançado em 1990. O último -"Straight Songs of Sorrow" - foi lançado em maio de 2020.

O mundo da música tem estado a prestar homenagem ao músico:

O frontman dos Pearl Jam lembrou Mark Lanegan no concerto que deu ontem em Seattle. "Cheguei aqui por volta das quatro e, de repente, o meu corpo começou a tremer", disse Eddie Vedder ao público que estava na sala. "Comecei a sentir-me muito mal e creio que estava a ter uma reação alérgica à tristeza. Perdemos... um homem chamado Mark Lanegan. Há músicos incríveis. Muita gente conhece Seattle por causa dos músicos que saíram do grande Noroeste. Alguns desses cantores eram únicos. Mark era único e tinha uma voz tão forte", continuou o músico norte-americano.
"Vamos sentir muito a sua falta. Pelo menos, podemos continuar a ouvir a sua voz, as suas palavras e podemos ler os seus livros. Ele escreveu dois livros incríveis nos últimos anos", acrescentou o músico.


Na página oficial dos Screaming Trees lê-se o seguinte: "Mark William Lanegan morreu hoje, 2.22.2022, na sua casa em Killarney, Irlanda. Era o nosso irmão. Amamo-lo muito", lê-se na publicação. Ao mesmo tempo que nos despedimos do Mark, um membro da nossa família, lembramo-nos que ele vive connosco com toda a música que nos deixou".


O histórico Iggy Pop foi um dos primeiros a reagir: "Mark Lanegan, RIP, o maior respeito por ti. O teu fã, Iggy Pop".

O britânico Peter Hook (Joy Division e New Order) também manifestou pesar pela morte de Lanegan nas contas oficiais. "Mark Lanegan era um homem adorável. Levou uma vida selvagem, uma vida com a qual a maior parte de nós só consegue sonhar. Deixou-nos música e uma escrita fantástica", escreveu o veterano inglês.


O português Tó Trips (Dead Combo) partilhou uma fotografia nas redes sociais.


O norte-americano Moby, com quem Mark Lanegan colaborou, lembrou a amizade entre ambos. "Descansa em paz, meu velho amigo. Cada vez mais os melhores não estão entre nós". 

Uma das recentes colaborações do músico e compositor norte-americano foi com os galeses Manic Street Preachers. Mark Lanegan partilhou com a banda a faixa 'Blank Diary Entry' do álbum "The Ultra Vivid Lament", editado em 2021. "Estamos devastados. Um enorme talento a tantos níveis", escreveu o coletivo nas contas oficiais, destacando ainda a "visão artística única" de Lanegan. 

Slash, o guitarrista dos Guns N' Roses, escreveu "RIP" na conta do Twitter.



Os Garbage também reagiram à morte do músico, descrevendo-o como um "artista dotado de talento" que desapareceu demasiado cedo.

O músico John Cale (ex-Velvet Undergroud), ainda incrédulo com a notícia, também deixou algumas palavras dedicadas a Lanegan. "Não consigo processar isto. O Mark Lanegan estará para sempre cravado no meu coração - tal como tocou tanta gente com o seu eu tão genuíno, independentemente do custo, e fiel a si próprio até ao fim".

 O norte-americano Mike Patton (Faith No More, Mr. Bungle, Fantômas, Peeping Tom, Tomahawk) também manifestou pesar nas redes sociais:


Homem complexo, profundo, imprevisível e muitas vezes silencioso, Mark Lanegan assinou uma série de obras literárias. No livro "Devil in a Coma", lançado no final de 2021, o músico e escritor descreve a experiência terrível que teve com a Covid-19. Lanegan esteve gravemente doente depois de ter testado positivo à infeção, tendo ficado em coma e ventilado no hospital.