Arctic Monkeys no NOS Alive, a elegância da maturidade

Milhares de "amigos" de Alex (Turner) encheram o recinto na segunda noite do NOS Alive para mais um reencontro da banda inglesa.

Quando Lizzo saiu de cena, provavelmente ainda a espalhar brilho pela zona do backstage, o público dos ingleses Arctic Monkeys começou a mover-se para a linha da frente. É certo que muitos já estavam a marcar lugar mais perto das grades desde a altura da abertura de portas, mas a dedicação ao quarteto compensou.

Já nos habituámos a vê-los por cá. O primeiro concerto dos Arctic Monkeys em Portugal foi em 2006, no Paradise Garage - "abrigo" de muitas bandas emergentes que viu muita História futura. Certo é que, em 2006, muitos dos que foram ontem a Algés estavam a aprender a tabuada e os Arctic Monkeys ainda andavam a fervilhar de juventude deliciosamente incauta. Crescemos todos. E o grupo de Alex Turner - homem que se agiganta no palco sem grande esforço - também manifesta agora a elegância da maturidade.  

Eram quase onze da noite quando o quarteto de Sheffield assumiu posições no palco. Uma esfera gigante lá atrás, que foi assumindo diferentes cores ao longo do concerto, denunciava quem estava a chegar. Se Lizzo vaporizou Algés com um carisma ultra expansivo, Alex Turner fê-lo com outro tipo de carisma que, embora mais comedido, é igualmente infalível. 

O alinhamento de 21 canções, que passou pelos vários discos dos ingleses, alimentou as milhares de almas ao redor do palco. É que, apesar de os Arctic Monkeys terem estado em Portugal em 2022, na primeira edição do festival MEO Kalorama, um ano foi o suficiente para ter saudades.   
 
O vagaroso e enigmático Sculptures Of Anything Goes, do mais recente The Car, adensou o ambiente no Passeio Marítimo de Algés. Alex Turner, de fato escuro, camisa semi aberta e óculos de sol, cantou-o à frente do palco, ao mesmo tempo que gesticulava as mãos, quase de forma teatralizada, para mimicar o que estava a dizer, acabando o primeiro tema com o suporte do microfone erguido aos céus. 

 

A transição direta para a mais veloz Brianstorm, da relíquia discográfica Favourite Worst Nightmare, provocou a primeira agitação em massa entre os fãs que estavam aos pés dos britânicos.

Snap Out of It, Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair, Crying Lightning, The View From the Afternoon e Four Out of Five, que tingiu o palco de vermelho, foram servidas de seguida, com o ambiente a ferver o rock n' roll que ontem foi comandando por uma entidade retro (Turner), a lembrar Elvis em Las Vegas. Diferentes gerações uniram-se para a cantoria. "Que grande noite!", exclamou o músico que desacelerou a rajada do alinhamento para perguntar como é que o público estava. Estava tudo bem. 

Cornerstone, que Turner escreveu numa manhã, multiplicou as luzes pelo recinto. Why'd You Only Call Me When You're High? e Arabella antecederam a mais recente Ain't Quite Where I Think I Am, que foi apresentada com o travo britânico tão sublinhado em Alex Turner. "A próxima é do disco The Car", disse, com manifesto orgulho no registo.

Pretty Visitors, Fluorescent Adolescent, Knee Socks, Do I Wanna Know?, There'd Better Be a Mirrorball, 505 e Body Paint foram as escolhidas pelo grupo para alinhamento até ao tradicional encore. I Wanna Be Yours, I Bet You Look Good on the Dancefloor e R U Mine? fecharam o set do quarteto, composto por Alex Turner, Matt Helders, Jamie Cook e Nick O'Malley, que, ao que parece, tem gosto em andar por cá. E nós gosto em vê-lo.