2023 na música... ao vivo

Muitas emoções nos palcos. Recordamos os momentos ao vivo que marcaram o ano.

Coldplay levaram amor e milhares de pessoas a Coimbra
Foram quatro concertos inseridos na ecológica "Music of the Spheres" - a digressão que serve o álbum com o mesmo nome que os Coldplay editaram em 2021. Nos dias 17, 18, 20 e 21 de maio, Coimbra foi a cidade escolhida para receber a entourage da banda britânica e os milhares de fãs que se distribuíram por quatro espetáculos - todos esgotados.

"Music of the Spheres" - que continua em 2024 - é amiga do ambiente. A preocupação com a sustentabilidade está muito viva em diversos pormenores dos concertos, bem como no "ouro" que é gerado na bilheteira. É que por cada ingresso vendido no circuito mundial, foi plantada uma árvore com o propósito de ajudar no combate à desflorestação do planeta. É também a digressão que, por exemplo, incentiva o público a alimentar a energia de um dos palcos, com recurso a saltos nas pistas de dança cinéticas ou ao uso de uma série de bicicletas elétricas.   


Canções como 'In My Place', 'Yellow', 'Human Heart', 'People of The Pride', 'Clocks', 'Infinity Sign', 'Something Just Like This' 'Sparks', 'Don't Panic', 'Viva La Vida', 'Fix You', 'Paradise', 'Higher Power', 'The Scientist' ou 'Biutyful' (e tantas outras) foram cantadas, em uníssono, por praticamente toda a gente que passou pelo estádio da cidade dos estudantes.    

No último espetáculo em Portugal - a 21 de maio - houve momentos especiais com convidados portugueses. Um desses momentos juntou Chris Martin a Bárbara Bandeira (que atuou na primeira parte dos concertos) e à fadista Carminho. Os três cantaram a tradicional 'Balada de Despedida', canção de Coimbra que Chris Martin cantou sozinho nos primeiros concertos. 


Além de Bárbara Bandeira e Carminho, na última noite da série de quatro concertos, os britânicos convidaram para o palco os 5.ª Punkada - uma banda pop/rock da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. 


Já no primeiro concerto, a 17 de maio, os Coldplay "convocaram" o jovem Lourenço para o palco. O fã de Lisboa tocou ao piano a canção 'The Hardest Part', com Chris Martin a acompanhá-lo na voz. 


No final da experiência de quatro noites em Portugal, os Coldplay usaram as redes sociais para agradecer aos fãs: "obrigado por quatro noites de pura alegria", lia-se na publicação. 


Os concertos da banda britânica em Coimbra geraram um retorno económico direto de 36 milhões de euros. A informação foi avançada na altura pelo presidente da autarquia, José Manuel Silva. "Os concertos dos Coldplay projetaram Coimbra a nível nacional e internacional e fizeram disparar a faturação na hotelaria e na restauração. Durante quase uma semana, Coimbra foi uma verdadeira capital do país", afirmou o autarca quando fez o rescaldo da passagem dos ingleses pela cidade. 

Madonna celebrou o aniversário e os 40 anos de carreira em Lisboa
A "Celebration Tour" passou pela Altice Arena nos dias 6 e 7 de novembro. É a primeira digressão em formato greatest hits que a Rainha da Pop oferece ao mundo e serve o propósito de celebrar os 40 anos de carreira do astro real da pop. O espetáculo é, por isso, uma viagem pelas imensas canções do catálogo da artista e pelos corajosos statements que fazem da história de Madonna uma das mais interessantes e impactantes do universo musical

Para o palco, a estrela de Michigan levou quatro dos seis filhos (Esther, Stella, Mercy James e David Banda), um grupo de bailarinos de excelência, as memórias, os amigos e as mais "refinadas" inspirações, de Nina Simone a James Baldwin. Em Lisboa, a cantora ofereceu um mimo extra e exclusivo: uma versão de 'Sodade', celebrizado por Cesária Évora. Veja aqui o vídeo:


Ao contrário do que tinha sido primeiramente anunciado, a tour, que arrancou em outubro na Europa, está agora na América do Norte. O reagendamento deveu-se ao problema de saúde que Madonna sofreu no verão (uma infeção bacteriana) e que a levou para a unidade de cuidados intensivos num hospital de Nova Iorque.   


Depois do susto que a colocou numa cama de hospital, a rainha transformou a celebração dos 40 anos de carreira numa profunda e honesta celebração da vida. Em agosto, pouco tempo depois de ter tido alta, escolheu Lisboa para festejar o 65º aniversário. Além de passear pela capital portuguesa, a artista norte-americana também foi andar de cavalo na zona Comporta, como se podia ver no vídeo que partilhou na altura nas redes sociais. "É tão bom estar viva", escreveu na publicação de aniversário. "É maravilhoso ser capaz de dançar e celebrar o meu aniversário. Estou tão grata", acrescentou.

The Weeknd atuou em junho no Passeio Marítimo de Algés 
O recinto habitual do NOS Alive recebeu o artista canadiano a 6 de junho. O espetáculo em Algés foi o que encetou o circuito de The Weeknd na Europa. É a digressão "After Hours Til Dawn" que junta o álbum 'After Hours', editado em 2020, e 'Dawn FM', lançado em 2022. A carreira de Abel Tesfaye foi condensada (e celebrada) em horas de concerto. Pode ler a reportagem aqui: 

Harry Styles voltou a Portugal com a alegria da "Love On Tour"
A afortunada e muito rentável digressão do artista britânico passou duas vezes por Portugal. A primeira passagem aconteceu a 31 de julho de 2022 (na Altice Arena) e a segunda a 18 de julho de 2023. No regresso a solo português em nome próprio, Harry Styles espalhou alegria a céu aberto - foi no Passeio Marítimo de Algés. Ao longo de cerca de hora e meia de concerto, o êxtase do público manifestou-se com gritos, aplausos e, claro, com a cantoria coletiva que não falhou nenhum tema dos que o britânico desembrulhou para oferecer aos fãs que tinha aos pés. O alinhamento foi sendo alternado entre os discos "Fine Line" (de 2019) e "Harry's House" (de 2022) mas também houve relíquias mais antigas como os temas 'Kiwi' ou 'Sign of the Times'. "É o penúltimo concerto da digressão. Queremos que seja um espetáculo especial", disse Styles durante espetáculo de Algés que antecedeu o último concerto da "Love On Tour". 

"Quero agradecer à razão de estarmos todos aqui. São vocês. Agradeço a cada um de vocês. Foi a melhor digressão da minha vida", confidenciou o inglês aos fãs que tinha à frente. "Ainda me falta um concerto mas quero agradecer-vos profundamente. Nunca fui tão feliz na minha vida. Obrigado pela forma como me receberam aqui em Portugal, em Lisboa. Vocês mudaram a minha vida", acrescentou, fazendo uma pausa, que parecia ter ficado suspensa no tempo, por estar francamente emocionado. A digressão "Love On Tour", que começou em 2021, terminou em Itália. 


A carta aberta de Roger Waters na Altice Arena 

"Uma inovadora e cinematográfica extravagância de rock & roll. É uma indireta à distopia corporativa na qual todos lutamos para sobreviver. É um apelo ao amor, à proteção e à partilha do nosso precioso e tão precário planeta Terra", dizia a descrição da digressão de Roger Waters que arrancou em Lisboa, em meados de março. A digressão que o músico, recorrendo ao gracejo que lhe é orgânico, reclamou como a "primeira tour de despedida", teve direito a duas datas na Altice Arena. Por esta altura anda pela América do Sul. 

"This Is Not a Drill" chegou a Portugal como uma carta aberta à reflexão sobre uma série de assuntos que, embora maioritariamente politizados, invariavelmente se cruzam com a condição humana e, sobretudo, com a defesa dos direitos humanos. É um espetáculo leal ao ancião interventivo Waters que, qual nómada do manifesto, passeia as canções pelo mundo, à espera de, quem sabe, mudá-lo, segundo as convicções que carrega. Foram mais de 20 - desde as canções que saltaram da era bordada a ouro dos Pink Floyd às que o lobo solitário inglês, de 80 anos, criou no percurso a solo. 


Bárbara Tinoco e Carolina Deslandes estrearam-se juntas no NOS Alive 

Duas amigas, duas cantoras e uma experiência única: a estreia de um espetáculo conjunto no palco do NOS Alive. Foi no último dia da edição deste ano que Tinoco e Deslandes trocaram canções e partilhas no palco principal do festival de Algés. A experiência, além de única, foi histórica: foram as primeiras artistas portuguesas (a solo) a pisar o grande palco do evento.

Outra estreia, a de Lizzo em Portugal 
7 de julho de 2023 foi o dia da estreia da magnética Lizzo em Portugal. Recinto à frente do palco principal dos NOS Alive cheio de gente para dar as boas-vindas à cantora, rapper, dançarina, atriz e instrumentista de Detroit, Michigan.

Fervorosa e incandescente, Lizzo dominou por completo a estreia em solo português - proeza para ser repetida. O alinhamento da norte-americana girou à volta dos dois últimos álbuns que editou: "Cuz I Love You", editado em 2019 e que propulsionou Lizzo para a ribalta, e "Special" que chegou em 2022.


Longe de ser uma estreia, o regresso dos Arcade Fire a Portugal foi glorioso 
E foi o concerto que fechou a edição deste ano do MEO Kalorama. Foi a segunda edição do festival que em 2024 volta ao Parque da Bela Vista, em Lisboa. O retorno dos Arcade Fire a Lisboa foi triunfante, humano e até revivalista, porque, embora a estreia brilhante dos canadianos em solo nacional já tenha sido há quase 20 anos, em 2023 foi entusiasticamente reavivada por todos: pelo público que encheu o recinto e pela própria banda.

"Desde que tocámos em Portugal pela primeira vez, dizemos a todas as bandas para virem cá tocar cá. E dizemos isso por causa de vocês", disse Win Butler a meio do concerto. Os canadianos chegaram com as mãos cheias de êxitos e algumas canções mais recentes, extraídas do disco "WE" (lançado em 2022). O propósito foi um só: celebrar a estrada e a história de amor entre eles e o público português.


Carminho cantou 'Estrela' para o Papa Francisco 
Foi a 5 de agosto que a fadista cantou na Vigília da Jornada Mundial da Juventude, no Parque Tejo, em Lisboa. Na cerimónia, que foi presidida pelo Papa Francisco, Carminho cantou 'Estrela', uma das faixas de "Maria" - o disco que editou em 2018.

1 milhão e 500 mil pessoas assistiram ao momento ao vivo. A fadista esteve acompanhada por André Dias (guitarra portuguesa) e contou com um arranjo para a orquestra da JMJ que foi dirigido pela maestrina Joana Carneiro. Além de mais de um milhão e meio de presentes na cerimónia, 600 milhões de lares, no mundo inteiro, acompanharam o momento via transmissões televisivas e online.


"Foi muito emocionante. Foi uma emoção única. Não acredito que tenha sentido algo parecido a cantar noutra atuação ou concerto", disse Carminho à Rádio Comercial. "Tenho recebido tantas mensagens. Quero aproveitar que estou com o melhor tempo de antena para agradecer as centenas de mensagens que tenho recebido de tanta gente. As pessoas não só me dão os parabéns como também dão o testemunho daquilo que a canção as fez sentir. Algumas até partilham momentos das suas vidas. É muito inspirador. Percebe-se que o que realmente conta são as canções. O que conta não sou eu. Foi aquele momento. Isso foi muito importante para mim. Foi importante sentir que era mais uma peregrina naquele altar", acrescentou a artista portuguesa.  

Mariza, Tiago Bettencourt, Buba Espinho, Héber Marques, Mimi Froes e Cuca Roseta foram os outros artistas que atuaram para o Papa. O padre e DJ Guilherme Peixoto deu música aos peregrinos no último dia da visita, a 7 de julho. 

Ana Moura transformou o Coliseu de Lisboa na Casa Guilhermina 
Casa lotada para receber Ana Moura e respetiva família: o companheiro Pedro Mafama e Emília, a filha de ambos. A ocasião foi a ideal para a cantora mostrar ao seu público o galardoado "Casa Guilhermina" - o álbum que editou em novembro de 2022 e que marcou a nova fase que a cantora abraçou como artista. O outro convidado da noite foi o cantor angolano Paulo Flores. Um dia antes, Ana Moura mostrou o disco e a família ao Porto, com um concerto na Super Bock Arena. 

Titãs celebraram 40 anos na Altice Arena
Uma noite de alegria testemunhada pelo jornalista Gonçalo Palma que registou no papel todas as emoções vividas na sala lisboeta. "O concerto dos Titãs teve muitos momentos simbólicos que o tornaram ainda mais especial, não foi só pelo facto da Altice Arena estar a ferver de calor humano para o tributo a uma das maiores bandas rock do Brasil de sempre. Arnaldo Antunes anunciou logo ao início que Branco Mello não poderia participar em pleno na atuação em Lisboa, devido a uma cirurgia recente de remoção a um tumor. A sua aparição para a parte acústica mereceu uma ovação do público que nunca irá esquecer. Outro momento tocante foi a presença da filha do malogrado guitarrista dos Titãs, Marcelo Fromer, Alice Fromer, para cantar as músicas 'Toda Cor' e 'Não Me Vou Adaptar', com o enorme alento de Arnaldo Antunes. De repente, os Titãs eram muito mais do que um grupo de amigos, eram também uma família". Pode ler a reportagem na íntegra em baixo:

As super digressões de Taylor Swift e Beyoncé 
Taylor Swift descreveu a "Eras Tour" como uma viagem pelas várias "eras criativas" do caminho artístico que tem trilhado desde os 14 anos. E que sucesso tem sido a digressão que chega a solo português em 2024. Um sucesso histórico ao ponto de bater recordes em matéria de bilheteira ou "deitar abaixo" as plataformas de venda dos ingressos. A receita choruda da "Eras Tour" - que vai continuar a circular pelo mundo no próximo ano - foi, aliás, um dos aspetos que ajudou a que a famosa revista "Times" tivesse escolhido Swift para a capa. A digressão vai ter duas paragens no Estádio da Luz, em Lisboa, no próximo ano. Anote na agenda: 24 e 25 de maio.

A digressão mundial de Beyoncé - a "Renaissance World Tour" - arrancou em maio, em Estocolmo, Suécia, e seguiu o seu caminho até terminar em outubro em Kansas City, Estados Unidos. "O propósito de fazer esta digressão foi o de criar um lugar onde todos fossem livres e onde ninguém fosse julgado", disse a cantora sobre a série de espetáculos que mostraram ao mundo o álbum Renaissance, editado em 2022. Perto de 3 milhões de pessoas compraram bilhete para ver Beyoncé. Com a proeza, a norte-americana somou mais de 500 milhões de dólares (cerca de 470 milhões de euros). 
O circuito ficou documentado no filme "Renaissance: A Film by Beyoncé", que chegou aos cinemas no início do mês de dezembro.  

Super Bowl: atuação de Rihanna teve mais audiência que o jogo
A 12 de fevereiro, Rihanna subiu ao palco do State Farm Stadium, em Glendale, no estado do Arizona, para animar o famoso intervalo do Super Bowl - a final da liga de futebol americano que pôs no mesmo campo os Philadelphia Eagles e os Kansas City Chiefs.

A performance de 14 minutos de Rihanna acabou por ser a segunda atuação do halftime da competição mais vista de sempre da história do Super Bowl, somando 118 milhões de espectadores. A que segura o estatuto de "mais vista" foi a de Katy Perry em 2015. Foi também durante a célebre atuação que Rihanna mostrou ao mundo que estava à espera do segundo filho com o rapper A$AP Rocky. 

Residências dos U2 e da Adele: o que acontece em Las Vegas nem sempre fica em Las Vegas
Em setembro, a inovadora sala MSG Sphere abriu as portas em Los Angeles, Estados Unidos, com a residência dos U2, que inauguraram o espaço com o espetáculo "U2:UV Achtung Baby Live at Sphere". É o espetáculo que celebra "Achtung Baby" - o álbum que o coletivo histórico lançou em 1991. A nova sala norte-americana - que oferece uma experiência multissensorial, recorrendo à mais alta definição de som e imagem - acolheu os irlandeses no último trimestre de 2023 e - devido a uma procura sem precedentes - vai voltar a acolhê-los no início de 2024.     

A residência de Adele em Las Vegas começou em 2022 mas estendeu-se ao longo deste ano e vai voltar em 2024. A britânica está grata pela experiência que, de certa forma, foi sendo partilhada nas redes sociais pelos fãs da cantora que conseguiram marcar presença no Caesars Palace. "Weekends With Adele" é o nome da residência que Adele diz ter mudado a sua vida. "Esta residência, estes espetáculos mudaram a minha vida. Precisava desesperadamente de voltar a apaixonar-me pelas atuações ao vivo e isso aconteceu", começou por escrever a britânica na conta oficial de Instagram quando fez o balanço da residência. "Precisava de me reconectar com as minhas canções e com o significado que têm para mim. E consegui! Ter estado no palco, tão perto do público, ao longo do último ano, foi uma experiência restauradora que nunca esquecerei. Vou guardar na memória todas as interações cómicas, comoventes e doidas que tivemos. As expressões que vi nos vossos rostos. Quando riam, choravam e cantavam juntos", escreveu ainda a artista.

"É incrível como é que um espetáculo cheio de músicas tristes pode ser alegre!! Senti muita coisa e aprendi muito sobre mim e sobre vocês. Esta experiência humanizou tudo aquilo que eu achava assustador. Mas, principalmente, fez-me perceber como gosto realmente de estar em cima do palco, que sou muito boa nisso e que é definitivamente o meu lugar!", completou Adele.