David Baker, Demis Hassabis e John Jumper vencem Nobel da Química 2024

É a terceira distinção de uma semana em que ainda vão ser revelados os vencedores na categoria da Literatura e da Paz.

O Nobel da Química de 2024 foi esta quarta-feira entregue a David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper pelo trabalho na área das proteínas.

A Real Academia Sueca de Ciências distinguiu o trabalho de Baker, da Universidade de Washington, no "design computacional de proteínas", e o de Hassabis e Jumper - como dupla - na "previsão de estruturas de proteínas" na divisão DeepMind da Google.

O presidente do comité que atribuiu este prémio, Heiner Linke, começou por explicar a importância deste prémio com o papel das proteínas, descrevendo-as como "as moléculas que permitem a existência da vida".

"São blocos de construção que formam ossos, pele, cabelo e tecidos. São motores que dão energia aos músculos. São máquinas que leem, copiam e reparam o ADN. São bombas que mantêm os nossos neurónios prontos a disparar. São anticorpos que permitem as respostas imunitárias e sensores que as células usam para comunicar e hormonas que regulam todas as células", exemplificou.

Feitas de "centenas de milhares de átomos", a função de cada proteína é "determinada pela posição relativa destes átomos entre si" e por isso, explicou, "para perceber como funciona a vida, precisamos de perceber a forma das proteínas".

"Aprender a prever a estrutura tridimensional das proteínas a partir da sequencia de aminoácidos codificada no ADN" era, por isso, "há muito um sonho" da comunidade científica" e um desafio "considerado impossível durante várias décadas".

Há quatro anos, no entanto, tudo mudou quando "Demis Hassabis e John Jumper descobriram o segredo: "Com uma utilização hábil da inteligência Artificial, tornaram possível prever as estruturas de praticamente qualquer proteína na natureza."

Além de compreender estas estruturas, era também um sonho da ciência "construir novas proteínas, aprender a usar este canivete suíço da natureza" a favor da Humanidade.

"Este é o problema que David baker resolveu: desenvolveu ferramentas que agora permitem aos cientistas desenhar novas proteínas, com formas e funções novas, e abriu um mar de possibilidades", concluiu.

Esta segunda-feira, o prémio Nobel da Medicina foi atribuído a Victor Ambros e a Gary Ruvkun pela descoberta do microRNA.

No dia seguinte, John J. Hopfield e Geoffrey E. Hinton venceram o prémio Nobel da Física por “descobertas e invenções fundamentais que permitem a aprendizagem de máquinas através de redes neurais artificiais”.