Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco no NOS Alive: duas amigas e muitas canções para a vida toda
As duas cantoras estrearam-se juntas no palco principal do festival de Algés. Foram elas a abrir o palco NOS do terceiro dia.
Duas amigas que partilham confidências, momentos, "livros e mantas" - como as próprias dizem - e que, em dias como o de hoje, trocam canções de coração aberto. Experiência inédita entre as duas no festival de Algés.
Carolina Deslandes e Bárbara Tinoco estrearam-se juntas (e em grande) no palco principal da 15ª edição do NOS Alive. Podemos garantir que ambas se sentiram nas nuvens quando pisaram o palco maior do Passeio Marítimo de Algés. E isto literalmente porque havia nuvens penduradas no "céu" desse tal palco que hoje foi o chão comum do sonho das duas cantoras e compositoras. É que hoje Deslandes e Tinoco fizeram história no festival que arrancou em 2007: são as primeiras artistas a solo portuguesas a pisar o grande palco do evento. Um sonho a meias que foi cumprido à frente dos muitos que por volta das 17h30 já estavam à frente do palco, prontos para cantar com as duas jovens artistas.
Para o palco, as duas cantoras levaram uma banda de seis músicos, pilhas de nervos, como confidenciaram, e a felicidade (partilhada e evidente) por estarem ali. Três cavalos prateados, um deles envolvido por uma bola de sabão gigante, serviram de cenário para a estreia que mereceu repetidos movimentos de palmas e até teve troca de afetos entre quem estava no público devido à kiss cam que focava casais, amigos ou pais e filhos para que no foco manifestassem um gesto de amor.
Poucos segundos antes do início do concerto, assim que fintámos o sol e pusemos os olhos no ecrã, vimos a simulação de videojogo com a seguinte mensagem: "aumente o nível de aplausos para desbloquear o modo caos. Jogar!". Os aplausos ouviram-se de imediato, com toda a gente a querer jogar, e não tardou até que Deslandes e Tinoco, eufóricas e saltitantes, entrassem no palco.
Vai Lá, do disco CAOS que Carolina Deslandes editou este ano, foi a primeira canção a ser partilhada pelas duas amigas que estiveram tão sincronizadas na dança como estão na vida.
Outras Línguas, Ensina-me a Voar, que foi selada com um abraço fraterno no final, e Adeus Amor Adeus seguiram-se no alinhamento, que foi sendo alternado com canções de uma e de outra.
Síndrome de Impostor, do álbum Bichinho que Bárbara Tinoco editou há poucos meses, veio antes de Cidade, que a artista portuguesa já tinha partilhado com Bárbara Bandeira. Algés escutou ainda Despedida de Solteira e Ex Namorado (de Bárbara Tinoco) e Paz, que Carolina Deslandes cantou sozinha, ficando Tinoco sentada num degrau acrescentado ao palco, não muito longe da amiga. Ouviu-se depois a canção que toda a gente guarda na ponta da língua: A Vida Toda. E esta parece mesmo ser uma amizade para a vida toda. "Não nos largamos desde que nos conhecemos", disse Carolina Deslandes que ainda quis usar as palavras para fortalecer a ideia de que as mulheres na indústria musical não têm de ser inimigas. Podem ser, aliás, uma força na vida das outras, acrescentou. E quem é que não se engrandece com uma boa amizade?
O público ainda escutou Avião de Papel, Não Me Importo, Por Um Triz e Saia da Carolina (Carolina Deslandes), Antes Dela Dizer Que Sim, Planeta, que Bárbara Tinoco partilha com Bispo, Sei Lá, Linha de Sintra.
Para o final, ficou guardada Coisas no Silêncio, dueto que as duas cantoras fizeram para o álbum CAOS, e Chamada Não Atendida, do disco Bichinho. "A Carolina ensinou-me o que é ser artista, ensinou-me a mover-me nesta indústria", disse Tinoco, lembrando que o elo que as liga é especial.
"Somos muito felizes a fazer isto. Obrigada ao público que ouve música portuguesa", acrescentou Deslandes antes das despedidas, feitas de sorriso aberto, e da saída de ambas que foram aos pulos para o backstage.
Outra estreia hoje no NOS Alive: a do norte-americano Machine Gun Kelly que - talvez por ser homem de alma inquieta - saltita por diferentes estilos musicais sempre que lhe apetece e só porque lhe apetece. Anda pelo hip-hip, vai ao trap e demora-se na expressão pop/punk, se isso lhe fizer sentido. Em Algés não foi diferente.
A estreia no NOS Alive e em Portugal andou à volta dos três últimos discos: Hotel Diablo, Tickets to My Downfall e Mainstreet Sellout. MGK, que confidenciou não estar propriamente num bom dia, deu volume ao estado de espírito, para fazer da estreia uma experiência memorável para a franja imensa de fãs que tinha à frente. E foram eles, os fãs, que lhe transformaram o dia.
No final do concerto, quando a banda já estava a sair do palco, o músico foi até à frente do palco para dizer isso mesmo. "Estava a ter um mau dia mas ver-vos felizes mudou tudo. E um dia pode mudar a vida de uma pessoa. Decidi sair da concha e ver as vossas caras, isso mudou o meu dia". A honestidade do desabafo foi comovente sobretudo depois de um concerto que teve labaredas, malabarismos impressionantes ao microfone, um copo de vinho e MGK quase nos braços do público. Quem ali estava apoiou o músico de uma ponta à outra do espetáculo e, certamente, vai querer repetir a experiência em breve, de preferência num concerto em nome próprio.
