Lorde a grande altura no Alive
Cantora elege Lisboa como a sua cidade europeia de eleição.
Lorde brilhou a grande altura (em todos os sentidos que possam entender) no palco maior do festival NOS Alive, instalando uma discoteca de reflexões pessoais, de desejos e, por vezes, de intimismo.
Os fãs que a queriam ver não eram poucos, e aqui e acolá muitas mulheres e raparigas iam cantando euforicamente os versos das suas canções, como se as conhecessem tão bem como a própria Lorde - e, provavelmente, conheciam.
A entrada em palco de Lorde é estranhamente discreta, rodeada de teclados, como se fosse uma instrumentista, a interpretar uma música inédita de que não se conhece o título. Depois, vai ao bebedouro colocado no palco, sacia-se e canta de forma breve o tema 'Royals', que a ajudou a lançar.
Em ‘What Was That’, Lorde dança como se tivesse articulações de boneca e em 'Broken Glass' a dança fica um pouco diferente, puxando a camisola até despi-la e ficar de top. Depois, Lorde começa a encarreirar num elevador da glória, a partir de ‘Shapeshifter’. Sobe a um paralelipípedo, os seus dançarinos sobem a outro. Depois, Lorde agacha-se e abre o visor de uma câmara de filmar dentro da estrutura em que está deitada. A eletrónica prossegue no seu modo particular e arrítmico, com quatro músicos nas programações, guitarra e piano teclados, na canção 'Buzzcut Season' (dos tempos do álbum de estreia, “Pure Heroine”). 'Favourite Daughter' parece um tributo aos progenitores na letra, porque na performance a pista da disco é que conta, com Lorde a dançar como quem puxa uma corda.
A atuação é uma sessão contínua sem paragens mas Lorde arranja maneira de dizer “obrigada” e de elogiar Portugal como um dos seus países preferidos, especialmente no verão. Está dado o mote sobre a estação das paixões amorosas, o verão, de que trata ‘The Louvre’, o paralelipípedo onde canta Lorde eleva-se até cerca 15 metros de altura e é bom ver que a cantora não tem vertigens. ‘Current Affairs’ é o tema seguinte, sobre sexo e os medos que gera, e é deitada na estrutura elevatória que canta, enquanto o par de dançarinos come a mesma maçã com um apetite de desejos.
Lorde não é o tipo de pessoa que faz elogios de forma gratuita. E volta à sua predileção pela “Cidade Branca”. A cantora recordou as viagens que faz a Lisboa desde os 17 anos. “A Europa deve ficar tão invejosa de não ter uma cidade como Lisboa. Não vos vou falar do Mundial de futebol”. E já que estava em maré de elogios, aproveitou para dizer que “abrir para Florence + The Machine é muito especial”.
‘Liability’ muda drasticamente o tom da atuação, como uma canção terna. Depois da pequena trégua de beats, a neo-zelandesa volta a puxar a camisola para cima sem pudores e põe-se aos saltos, enquanto que o seu laboratório de músicos põe a discoteca a funcionar forte e feio em Hammer. A fábrica de beats continua a operar em 'Supercut', ao mesmo que Lorde e os seus dançarinos não se cansam de escalar e dançar sobre as figuras geométricas. Em ‘Team’, é a própria música que escala até à apoteose.
O concerto aproxima-se do fim e começa a ficar com ambiente de after-hours. Na música de Charli XCX, ‘Girl, So Confusing’, volta a encenar um ambiente de discoteca, com grupos de amigos a fumar, conversar e, obrigatório, a dançar. Em 'Green Light', o ambiente de discoteca aquece e Lorde está novamente de top, um dos músicos fica de tronco nu, um dançarino também. É verão, parece que estamos na praia. Em 'David', rola uma faixa pela multidão com um dos versos mais fortes da canção: ‘I Dont Belong To Anyone’. Para o final, chega a vez da "mais antiga e preciosa canção que tenho", 'Ribs'. Lorde canta aos saltos numa pequena plataforma no meio do público, “that will never be enough”, com muita veracidade. No final, um sorriso enorme de missão cumprida assalta-lhe o rosto.
