Tiago Nacarato ao Camarim: "cresci no meio de violões"
Entrevista ao músico luso-brasileiro já está disponível na nossa área de podcasts.
Está disponível desde hoje a entrevista a Tiago Nacarato no podcast Camarim, que foi realizada pelo radialista João Vaz.
O músico está quase a celebrar os 10 anos da sua carreira. Para já, está a apanhar a onda promocional do seu novo álbum, “Não Sabia o Desamor”. Tiago Nacarato fala de um tema em especial, ‘Amélia’. “Eu quando escrevi Amélia, foi numa ocasião muito especial, porque eu acompanhei o processo de partida da minha avó muito de perto. Tive ali aquela semana no hospital e ela morreu de falência renal. E quando chegou a altura do velório, a minha mãe pediu para escrever aqueles bilhetinhos que se encostam no caixão. E eu senti que aquilo era tão pequenino para agradecer o amor incondicional, da dádiva e não da dívida que a minha avó me ensinou. E não consegui, fiquei paralisado, não escrevi nada. Depois houve a cremação do corpo e quando eu cheguei a casa e todas as vozes externas se silenciaram, eu finalmente consegui falar com ela e escrever alguma coisa do tamanho dela. Apesar de ter tido um metro e cinquenta, era uma pessoa gigante que unia a família, que me ensinou o que é o amor incondicional”.
As memórias mais antigas de Tiago Nacarato incluem música tocada na própria casa. “Sou filho de músico. A paixão pela música surge no berço. Em minha casa eram violões ou violas por toda a parte. Era quase inevitável que eu fosse sentindo alguma atração pela vibração das cordas da guitarra. Eu experimentava, tocava só numa, brincava com aquilo e acho que o bichinho nasce aí”.
Mas o grande empurrão para a música veio do seu irmão. “Eu inscrevi-me com quinze anos, em aulas de canto e com dezasseis ele deu-me uma guitarra. Eu senti aquilo como se fosse: ‘Calma, espera aí, alguma coisa de especial aconteceu aqui’. Ele dar-me uma prenda daquelas, com aquela importância, com toda a história que vinha a acontecer. O meu pai ser músico, eu em aulas de canto e tal. E a partir daí, entreguei-me a cem por cento, desde os dezasseis até agora que não parei”.
Tiago Nacarato enquadra-nos ainda como é que as suas canções nascem: “Eu acho que é uma conversa comigo mesmo, em que estou abraçado ao violão e deixo-me livre, errante para fazer algumas coisas. Quando alguma coisa que eu fiz de uma forma quase aleatória me prende à audição, eu vou brincando com aquilo, em perguntas e respostas comigo mesmo. Tenho o dictafone [app de gravador para os utilizadores de iPhones] ali para gravar, ouvir e dizer se gosta ou se não gosta. É uma conversa muito constante”.
Pode ver ouvir outros episódios do Camarim neste link.
Tiago Nacarato atua a 23 de janeiro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e a 30 de janeiro no Coliseu no Porto. Os espetáculos servem de celebração aos dez anos de carreira do cantor do Porto.
