Nenny ao Camarim: "enquanto mulheres somos menos valorizadas, ainda por cima se for uma mulher negra numa sociedade que é racista"

Entrevista conduzida pela locutora Catarina Silva.

Nenny sentou-se na cadeira do Camarim para uma conversa com a locutora Catarina Silva. “Neste episódio de Camarim embarcamos numa viagem entre os 15 e os 23 anos de Nenny, por entre a descoberta de uma identidade enquanto mulher negra, à construção de uma carreira”, refere a descrição do episódio.

“A descoberta pessoal e profissional da sua identidade enquanto mulher negra passa por “ID”, o seu mais recente projeto. Ao longo da entrevista, Catarina Silva e a rapper conversam "sobre medos, ansiedade, expectativas sociais e até mesmo: iogurtes." 

A conversa viaja por todos estes temas mas também, por exemplo, pelo propósito da artista portuguesa com raízes cabo-verdianas. “O meu propósito é proporcionar estes momentos, estas falas, para inspirar as próximas gerações, na verdade, a terem coragem de serem elas mesmas e a falar o que elas querem realmente falar, sem medo", diz Nenny durante a conversa. 

“Eu estou sempre a dizer: eu consigo-me expressar melhor a fazer música do que em entrevistas, do que a falar com as pessoas em modo geral, com os meus amigos. Eu sou uma pessoa muito reservada de natureza, eu sou super no meu canto, e a música dá-me esta confiança de conseguir expressar-me melhor, e ‘Eu Quero um Preto’ é um desses sons, na verdade, que é uma descrição, uma declaração à minha comunidade negra, mas ao mesmo tempo também falo das minhas inseguranças enquanto mulher negra na sociedade – e eu acho que é essa profundidade que faz a música também ser super interessante e não ter só aquela cena de ‘Eu quero um preto’ (cantarolado), o que é bom porque muita gente também se identifica, e eu acho que o poder da música é isso, é conseguir fazer música com que as pessoas também se consigam identificar”, sublinha a artista portuguesa.

Pode ouvir a entrevista na íntegra aqui: