Charli XCX, a eleita da imprensa de 2024
Através de "Brat", cantora inglesa domina listas de melhores do ano pelo mundo fora. Um português impõe-se nesse global de listas: Rafael Toral.
O sexto longa-duração de Chali XCX, “Brat”, é o álbum preferido da imprensa de todo o mundo de 2024, após a nossa contagem pontual às listas de melhores do ano de 37 meios diferentes, quatro deles nacionais.
É o sétimo ano seguido em que um álbum de uma figura feminina domina o agregado pontual das numerosas listas de álbuns do ano que passámos em revista. Desde que fazemos esta contabilidade das listas de melhores disco de todo o mundo, nunca um disco tinha tido uma pontuação tão esmagadora como o álbum de Charli XCX, 670 pontos, quase que duplicando a pontuação do segundo álbum mais referenciado nos numerosos balanços, de “Romance” dos indie-rockers irlandeses Fontaines DC, em 2º lugar, com 360 pontos.
O álbum inclinado para o country de Beyoncé, “Cowboy Carter”, também esteve na berlinda, alcançando o 3º lugar no global das listas de melhores de 2024 que tivemos em conta.
“Brat” de Charli XCX foi considerado melhor álbum de 2024 pelos meios The Guardian, Washington Post, Daily Telegraph, Rolling Stone, New Musical Express, Billboard, Oor, Consequence, Stereogum, Variety, Entertainment Weekly e PopMattters.
Há dois portugueses neste aglomerado internacional de listas de melhores do ano: Rafael Toral, por via de “Spectral Evolution”, no 29º lugar, e “Suspiro” de Maria Reis, em 40º. Se a inclusão do disco de Maria Reis no top 40 mundial se deve ao 1º lugar que lhe foi dado por um jornal português como o Público, já o álbum de Rafael Toral deve a sua pontuação a três meios internacionais dos cinco que o destacaram, em listas ordenados por classificação, que são aquelas que contabilizamos.
Nesta contabilização pontual, tivemos em conta as listas de melhores álbuns dos seguintes 37 órgãos: as publicações de música Uncut, a Mojo, a Wire, o New Musical Express, a Rolling Stone, a Billboard, a neerlandesa Oor e a espanhola Mondo Sonoro; as revistas de metal como a Decibel, a Metal Hammer e a Kerrang!; as revistas generalistas como a Time, Time Out, a New Yorker, a Esquire e a brasileira Veja; a revista de celebridades People; jornais generalistas como o norte-americano Washington Post, os ingleses The Guardian, The Independent, Sunday Times, The Daily Telegraph e o sueco Dagens Nyheter; os sites de música Pitchfork e Stereogum; a revista cultural Les Inrockuptibles; a revista de cinema Variety; revistas digitais como a Consequence, a Paste, a PopMatters ou a Entertainment Weekly (EW); a rádio norte-americana KCRW; a rede televisiva Euronews; e ainda meios nacionais como os jornais Público e Expresso, a rádio Antena 3 e o site Altamont.
No mesmo exercício para o mais restrito âmbito de melhores álbuns de música nacional, a partir de cinco órgãos portugueses que elaboram listas de melhores do ano de forma ordenada por classificação - Público, Expresso/Blitz, Antena 3, Radar e Altamont -, a obra mais bem pontuada é “Cara de Espelho”, dos Cara de Espelho, seguida por “Vou Ficar Neste Quadrado” de Ana Lua Caiano, em 2º, e “Suspiro” de Maria Reis, em 3º.
A partir de uma base de 197 álbuns contabilizados, a lista global que agrega todos os balanços dos melhores álbuns do ano de 2024 merece este top 40 mundial:
1º Charli xcx – “Brat” > 670ps
2º Fontaines D.C. – “Romance” > 360ps
3º Beyoncé – “Cowboy Carter” > 310ps
4º Billie Eilish - “Hit Me Hard and Soft” > 207ps
5º Cindy Lee – “Diamond Jubilee” > 195ps
6º Nick Cave & The Bad Seeds – “Wild God” > 193ps
7º The Cure – “Songs of a Lost World” > 173ps
8º Kendrick Lamar – “GNX” > 162ps
9º Jessica Pratt – “Here in the Pitch” > 152ps
10º MJ Lenderman – “Manning Fireworks” > 149ps
11º Waxahatchee – “Tigers Blood” > 144ps
12º Sabrina Carpenter – “Short n' Sweet” > 129ps
13º Beth Gibbons – “Lives Outgrown” > 111ps
14º Jamie xx – “In Waves” > 100ps
15º Blood Incantation – “Absolute Elsewhere” > 83ps
16º Tyler, The Creator – “Chromakopia” > 82ps
17º Kim Gordon – “The Collective” > 82ps
18º Adrianne Lenker – “Bright Future” > 78ps
19º Vampire Weekend – “Only God Was Above Us” > 77ps
20º Jack White – “No Name” > 72ps
21º Bill Ryder-Jones – “Iechyd Da” > 56ps
22º Nala Sinephro – “Endlessness” > 56ps
23º Arooj Aftab – “Night Reign” > 56ps
24º Knocked Loose – “You Won't Go Before You're Supposed To” > 55ps
25º Taylor Swift – “The Tortured Poets Department” > 54ps
26º Clairo – “Charm” > 53ps
27º Hurray for the Riff Raff – “The Past Is Still Alive” > 53ps
28º Mk.gee – “Two Star & The Dream Police” > 49ps
29º Rafael Toral – “Spectral Evolution” > 49ps
30º Johnny Blue Skies – “Passage du Desir” > 46ps
31º Mdou Moctar – “Funeral for Justice” > 44ps
32º English Teacher – “This Could Be Texas” > 44ps
33º Gillian Welch & David Rawlings – “Woodland” > 42ps
34º Judas Priest – “Invincible Shield” > 42ps
35º Justice – “Hyperdrama” > 40ps
36º The Smile – “Wall of Eyes” > 32ps
37º The Last Dinner Party – “Prelude to Ecstasy” > 31ps
38º Nilüfer Yanya – “My Method Actor” > 30ps
39º Moin – “You Never End” > 30ps
40ªs Maria Reis – “Suspiro” > 30ps
40ºs Crypt Sermon – “The Stygian Rose” > 30ps
Já o agregado das listas de melhores discos de música nacional tem como saldo este top 10:
1º Cara de Espelho – “Cara de Espelho” > 20ps
2º Ana Lua Caiano – “Vou Ficar Neste Quadrado” > 15ps
3º Maria Reis – “Suspiro” > 14ps
4º Rafael Toral – “Spectral Evolution” > 14ps
5º Bia Maria – “Qualquer Um Pode Cantar” > 10ps
6º Benjamim – “As Berlengas” > 7ps
7º Afonso Cabral – “Demorar” > 5ps
8º Capitão Fausto – “Subida Infinita” > 5ps
9º Lena D’ Água – “Tropical Glaciar” > 5ps
10º Capital da Bulgária – “Contei e Deixei Que Tu Me Julgasses” > 3ps
Em levantamentos semelhantes pelas listas de melhores do ano da imprensa mundial, os álbuns mais considerados em épocas transatas foram estes:
2023 – Boygenius, "The Record"
2022 – Beyoncé, "Renaissance"
2021 - Little Simz, "Sometimes I Might Be Introvert"
2020 - Fiona Apple, "Fetch the Bolt Cutters"
2019 - Lana Del Rey, "Norman Fucking Rockwell!"
2018 - Kacey Musgraves, "Golden Hour"
2017 - Kendrick Lamar, "DAMN."
2016 - David Bowie, "Blackstar"
2015 - Kendrick Lamar, "To Pimp a Butterfly"
2014 - The War on Drugs, "Lost in the Dream"
2013 - Kanye West, "Yeezus"
2012 - Frank Ocean, "Channel Orange"
2011 - PJ Harvey, "Let England Shake"
2010 - Arcade Fire, "Suburbs"
Na contagem pontual de cada lista, o 1º lugar vale 30, o 2º 25, o 3º 20, o 4º 17, o 5º 14, o 6º 12, o 7º 10, o 8º 8, o 9º 7, e por aí em diante, até ao 15º que vale 1. Em caso de empate pontual, dá-se preferência ao álbum votado por mais listas e, em caso de novo empate, a predileção vai para o artista ou projeto com menos álbuns de originais na sua discografia.
Ao longo do mês, estamos a publicar os vários balanços musicais do ano. Podem ouvir o podcast Beataites, sobre estes balanços neste link, uma conversa informal entre os jornalistas Gonçalo Palma e Sílvia Mendes.
Em baixo, podem ler os balanços escritos já publicados sobre o ano que passou.
