Boygenius, as eleitas da imprensa de 2023

"The Record" é o álbum mais pontuado no agregado de listas de melhores do ano pelo mundo inteiro.

O álbum de estreia do supergrupo feminino Boygenius, "The Record", é o álbum preferido da imprensa de todo o mundo, após a nossa contagem pontual às listas de melhores do ano de 33 meios diferentes.

É o sexto ano seguido em que um álbum de uma figura feminina (neste caso, um trio feminino) domina o agregado pontual das numerosas listas de álbuns do ano que passámos em revista. Desde 2014, ano em que dominou "Lost in the Dream" dos War on Drugs, que uma designação coletiva não acabava em 1º lugar. Os oito anos anteriores foram liderados por artistas a solo.

O álbum da banda Boygenius - formada por Phoebe Bridges, Julien Baker e Lucy Dacus – foi considerado o melhor disco do ano pelo jornal britânico The Independent e pelas publicações New Musical Express e Mondo Sonoro, tendo alcançado o 2º lugar nas listas da Billboard e da Rolling Stone e do site Altamont, a posição nº3 nos orgãos online da PopMatters e da Entertainment Weekly, além de ótimas classificações noutros meios, que permitiram uma contagem pontual superior a de qualquer outro disco.

Nota-se uma tendência de retoma dos artistas indie nas diversas listas de melhores do ano, após vários anos de supremacia de artistas pop, r&b e de hip hop. Houve um grande e raro equilíbrio pontual entre os cinco álbuns mais pontuados no plano global destas listas de melhores do ano, de nomes todos eles norte-americanos - Boygenius, Sufjan Stevens em 2º, Lana Del Rey em 3º, Caroline Polachek (ex-Chairlift) em 4º e Olivia Rodrigo em 5º. Deste top 5, só Olivia Rodrigo não está enraizada na sonoridade alternativa.

Nesta contabilização pontual, tivemos em conta as listas de melhores álbuns dos seguintes 33 órgãos: as revistas britânicas Mojo, Uncut, New Musical Express, Record Collector, as norte-americanas Rolling Stone e Billboard, a francesa Les Inrockuptibles, a espanhola Mondo Sonoro e a neerlandesa Oor; publicações de rock pesado como a Revolver e a Kerrang!; a revista de música mais experimental Wire; a revista de celebridades People; outras revistas como a Esquire e a Time Out; sites de música como a Pitchfork, a Stereogum, a Paste, o Consequence e The Quietus; orgãos online mais abrangentes como a PopMatters e a Entertainment Weekly; os jornais e revistas generalistas Time, Washington Post, Sunday Times, Los Angeles Times, The Independent e The Guardian; a estação radiofónica KCRW; e ainda meios nacionais, que saudamos com camaradagem, como os jornais Público e Expresso, as rádios SBSR e Antena 3 e o site Altamont.

A partir de uma base de 221 álbuns contabilizados, a lista global que agrega todos os balanços dos melhores álbuns do ano de 2023 merece este top 30:

1º Boygenius - "The Record" > 262ps 
2º Sufjan Stevens – "Javelin" > 252ps 
3º Lana Del Rey - "Did You Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd" > 230ps 

4º Caroline Polachek - "Desire, I Want To Turn Into You" > 229ps 
5º Olivia Rodrigo – "Guts" > 209ps 
6º Lankum - "False Lankum" > 175ps 
7º Blur - "The Ballad of Darren" > 144ps 
8º PJ Harvey - "I Inside the Old Year Dying" > 119ps 
9º Wednesday - "Rat Saw God" > 117ps 
10º SZA - "SOS" > 113ps 

11º Jessie Ware - "That! Feels Good!" > 112ps 
12º Young Fathers - "Heavy Heavy" > 107ps 
13º Mitski - "The Land Is Inhospitable and So Are We" > 78ps 
14º Zach Bryan - "Zach Bryan" > 75ps 
15º Troye Sivan - "Something To Give Each Other" > 73ps 
16º ANOHNI and the Johnsons - "My Back Was A Bridge For You To Cross" > 71ps 
17º Billy Woods & Kenny Segal – "Maps" > 67ps 
18º Jaimie Branch - "Fly or Die Fly or Die Fly or Die ((world war))" > 65ps 
19º Slowdive - "Everything Is Alive" > 62ps 
20º Jungle – "Volcano" > 60ps 

21º Paul Simon - "Seven Psalms" > 55ps 
22º Kali Uchis - "Red Moon In Venus" > 55ps 
23º Grian Chatten - "Chaos For The Fly" > 54ps 
24º Yo La Tengo - "This Stupid World" > 54ps 
25º Fever Ray - Radical Romantics > 51ps 
26º Sleep Token - "Take Me Back to Eden" > 50ps 
27º Amaarae - "Fountain Baby" > 49ps 
28º Raye - "My 21st Century Blues" > 43ps 
29º Lil Yachty - "Let's Start Here." > 40ps 
30º Rolling Stones - "Hackney Diamonds" > 40ps 

Em levantamentos semelhantes pelas listas de melhores do ano da imprensa mundial, os álbuns mais considerados em épocas transatas foram estes:

2022 – Beyoncé, "Renaissance"
2021 - Little Simz, "Sometimes I Might Be Introvert"
2020 - Fiona Apple, "Fetch the Bolt Cutters"
2019 - Lana Del Rey, "Norman Fucking Rockwell!"
2018 - Kacey Musgraves, "Golden Hour"
2017 - Kendrick Lamar, "DAMN."
2016 - David Bowie, "Blackstar"
2015 - Kendrick Lamar, "To Pimp a Butterfly"
2014 - The War on Drugs, "Lost in the Dream"
2013 - Kanye West, "Yeezus"
2012 - Frank Ocean, "Channel Orange"
2011 - PJ Harvey, "Let England Shake"
2010 - Arcade Fire, "Suburbs"      

Na contagem pontual de cada lista, o 1º lugar vale 30, o 2º 25, o 3º 20, o 4º 17, o 5º 14, o 6º 12, o 7º 10, o 8º 8, o 9º 7, e por aí em diante, até ao 15º que vale 1. Em caso de empate pontual, dá-se preferência ao álbum votado por mais listas e, em caso de novo empate, a predileção vai para o artista ou projeto com menos álbuns de originais na sua discografia.


Ao longo do mês, estamos a publicar os vários balanços musicais do ano. Podem ouvir o podcast Beataites, sobre estes balanços neste link, uma conversa informal entre os jornalistas Gonçalo Palma e Sílvia Mendes. Em baixo, podem ler os balanços escritos já publicados.